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Crônicas-->O vulcão que não vi -- 09/06/2019 - 18:30 (Pedro Carlos de Mello) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos

O vulcão que não vi

 

            Em janeiro de 2018, aproveitando uma viagem que faria à Cartagena de Indias, na Colômbia, via Cidade do Panamá, quis visitar a Costa Rica.

            O ponto forte do país é a natureza: suas florestas, suas praias, seus vulcões, a flora e a fauna. A capital, San José, tem poucos atrativos. Mas eu iria passar apenas dois dias no país. Quase nada poderia fazer, portanto.

            Decidi, então, passar um dia, o primeiro, na capital, San José, e o segundo (e último) dia, fazer um passeio. Escolhi uma visita ao Parque Nacional Vulcão Irazú. Razões: era relativamente perto de San José e de fácil acesso; o cume do vulcão é o mais alto do país (3.432 m); do alto, se o dia estivesse claro (o que não é muito comum), seria possível ver ambos os oceanos, o Atlântico e o Pacífico; e estava incluída no roteiro uma passagem por Cartago, antiga capital da Costa Rica, sucessivamente destruída (e reconstruída) em decorrência de erupções do vulcão e de terremotos. Bem, isto era o que estava previsto.

            Cheguei em San José ao final da tarde do dia 29. No dia seguinte, 30, passeei pela cidade. Visitei museus, livrarias, teatros, lojas de artesanato e parques. Destaco apenas uma belíssima exposição de esculturas que vi ao ar livre, integrada ao ambiente, no Parque Nacional: “Humanismo em El Siglo XXI”, de Edgar Zúniga Jiménez.

            Já no próximo dia, 31: a visita ao vulcão. Eu havia contratado o passeio ainda no Brasil, pela internet. Após o café da manhã, fiquei aguardando no hotel o micro-ônibus que faria a excursão. Partimos (Havia outros turistas, de vários cantos do mundo). Conforme avançávamos no caminho, o tempo foi nos mostrando que não tinha intenção de colaborar conosco. Começou a cair uma garoa fina. Fizemos uma pequena parada numa loja de conveniência, à beira da rodovia. Estava frio, chovendo e ventando. Mau sinal.

            E começamos a longa subida: muito verde, árvores floridas, cafezais e pequenas fazendas no caminho. Mas o tempo continuava ruim.

            Chegamos ao topo. Não dava para ver nada: havia uma forte neblina e a chuva fina açoitando nossos corpos com a força do vento. Cheguei a comprar um guarda-chuva na cafeteria do Parque, mas ele não resistiu, virou do avesso várias vezes e quebrou. Mesmo assim, caminhamos até a beirada da cratera principal, sob um frio intenso. Minhas mãos gelaram. Não vimos nada, a névoa cobria tudo. Ou melhor, dava para ver a placa: “Cratera principal. Profundidade: 300 metros – Diâmetro: 1.050 metros. Nada a fazer, voltei correndo para a cafeteria, para me abrigar e me esquentar. Decepção e tempo perdido: não vi o vulcão.

            Tomamos o micro-ônibus para voltar. A visibilidade estava baixa. Peguei um livro que havia começado a ler em Cartagena: Arenas blancas: experiências del mundo exterior, de Geoff Dyer (o autor estava em Cartagena). Retomei a leitura de onde havia parado. O escritor estava contando que havia ido a Boston para ver o quadro “De onde viemos? O que somos? Para onde vamos?”, de Gauguin. Já fazia pelo menos dez anos que ele queria ver o quadro. Começou a percorrer o Museu de Belas Artes de Boston. Não perguntou onde estaria o quadro, pois imaginava que, mais cedo ou mais tarde, se encontraria frente a ele. Visitou todas as salas e nada do quadro de Gauguin. Então perguntou pela obra. O vigilante respondeu que o quadro não estava exposto no momento: havia sido emprestado ou estavam restaurando, não lembrava exatamente. Aqui, continuo com as exatas palavras do autor (“exatas” é modo de dizer, pois já há uma tradução do inglês para o espanhol, língua em que está o livro e outra, minha, do espanhol para o português):

 

            “Depois de agradecer-lhe, pus-me a andar de novo em um estado de decepção tão grande que senti que haviam me lançado uma maldição em virtude da qual a força da gravidade se havia triplicado. Ao final redimiria a tarde – eliminaria a maldição e o peso do mundo – o descobrimento de um quadro de um pintor do qual nunca havia ouvido falar, de que jamais havia visto uma reprodução e que, pelo que fosse, havia passado por alto no percurso pré-decepção pelas extensas dependências do museu, mas naquele momento, sem redenção à vista, a experiência da obra de arte perdida, da peregrinação frustrada (que em absoluto equivale a uma viagem desperdiçada), me fez ver que as vastas questões colocadas pelo óleo de Gauguin deviam complementar-se com outras, mais específicas. Por que chegamos a um museu no único dia da semana – no único dia de folga de que dispomos em uma cidade determinada – em que está fechado? Quando emprestaram o quadro que queremos ver a outro museu de uma cidade que visitamos há um ano, quando havia uma retrospectiva de Paul Klee que já havíamos visto em Copenhague seis meses antes? Uma possível resposta seria a extravagante conversa de O viajan
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