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Crônicas-->Poliba, o guia turístico -- 03/09/2018 - 09:33 (AROLDO A MEDEIROS) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos
Poliba, o guia turístico

Seu nome, se não me engano, é Cassiano. O apelido, ganhou quando bem novinho. Falava igual ao Cebolinha, trocava o erre pelo ele. Costumava substituir as palavras por cima pelas palavras “por riba”. Sem querer ficava poliba e tornou-se, praticamente, seu nome. Quando perguntado se admitiria ser mandado por uma mulher, expressava-se dessa maneira:
- Poliba de mim, só outlo homem.
Quando tinha uns doze anos decidiu o que seria quando adulto:
- Quelo ser guia tulístico, pala mostlar aos tulistas as belezas de nossa tela.
A mãe vendo que o sonho do filho não seria concretizado por causa da dislalia, contratou uma fonoaudióloga que, com muito sacrifício e muitos, muitos exercícios, curou-o daquele mal.
Poliba, com dezesseis anos já era o melhor guia turístico da pequena cidade. A Venha Viajar Conosco Turismo, vendo que podia ganhar dinheiro com ele, contratou-o imediatamente. Poliba era o melhor vendedor de pacotes turísticos da VVC Turismo, para o país e para o exterior.
Quando Poliba fez vinte e um anos de idade, a VVC o presenteou com a incumbência de comandar um grupo de turistas ao exterior: Alemanha e Leste Europeu. Fez um curso intensivo de alemão, estudou bastante os pontos turísticos que visitariam, a cultura, a gastronomia, as moedas usadas nas cidades a serem visitadas e tudo que pudesse auxiliá-lo na feliz e árdua tarefa.
Sou grato por ter sido seu amigo e, numa visita que fiz a sua morada, encontrei detalhes dessa viagem que passo a contar, com a autorização dele, que espero ter vinda lá do céu. Como Poliba não identificou as pessoas, darei nomes fictícios.
Toda excursão que parte de Florianópolis tem, pelo menos, um manezinho. Natural e morador da Praia do Campeche, falava mais que o homem da cobra. A esposa, ou patroa, como ele a chamava, concordava com tudo que o “baixinho” falava. Ela assim o chamava com um carinho especial. Eis algumas frases colhidas na viagem, proferidas por Manuel Silva, o Maneca:
- Eu amo tanto a Vandeca, que nunca vou me “apartar” dela.
- Bebemos tanta cerveja que o Moacir saiu “bambo” do boteco.
- O Figueira vai levar uma “camaçada” de pau domingo.
Foram visitados vários museus, castelos e palácios. A maioria se sentiu como se fosse um rei, uma rainha. Ninguém se sentiu príncipe ou princesa, por já terem passado da idade.
Poliba fez amizade com um casal paulista. Como Tico foi jogador profissional de times de São Paulo, levou para uma visita à Arena Allianz do Bayern de Munique. Poliba gostou tanto que até uma camisa do time está pendurada em seu quarto. Também um copo grande de chope, com o símbolo do time, em alto relevo, está sobre o criado mudo.
Num passeio desses, nem tudo são flores, mesmo estando na Alemanha, onde tem jardins por toda parte. São multicoloridos e as flores davam uma aura de paz e admiração. Haviam duas irmãs da cidade de Timbó: uma era legal, a outra, um pé no saco. Ela cobrava do Darci, a quem ela chamava de Imbitubense:
- Tás triste hoje? Não te vejo contar piadas. Saudades da esposa?
Certo dia Darci não aguentou:
- Tu não falas mais comigo e eu não falo mais contigo.
Ela não deixou para trás:
- Está legal. Eu não te telefono e tu não me telefona mais.
Não houve uma vivalma que não reclamasse do cafezinho. O que mais se ouviu é que era muito forte e muito caro. Porém ninguém reclamou do preço, nem do sabor da cerveja. Ouviu-se muito elogio à bebida símbolo da Alemanha.
Certa tarde, Darci, em Berlim, sentou-se na praça e mandou vir uma cerveja. A Alexanderplatz, ao entardecer, fica repleta de turistas conversando e bebendo muita cerva sentados em bancos de madeira. Darci, bem acomodado na chaise lounge, sorvia o segundo caneco, quando passaram à frente três pessoas do grupo. Não perdeu tempo e lascou:
- Pessoal, fiquei com inveja de um cara.
- Quem?
Eu, nessa mordomia, no primeiro mundo, tomando cerveja ao cair da tarde e acompanhando o movimento das pessoas. Pareço um paxá.
Dentre o grupo de vinte e quatro pessoas haviam cinco irmãs gaúchas. Uma delas adoeceu e ficou três dias sem aproveitar a excursão. Acionaram o seguro de viagens e nada gastaram e ela foi muito bem atendida.
O que mais me chamou atenção faram as anotações sobre uma Tocantinense, moradora de Florianópolis e aposentada da Caixa Econômica Federal. A mulher, desprovida de inteligência, ficava sempre próxima ao Poliba ou ao guia local e com os fones ligados, todos ouviam as baboseiras que falava. Num jardim, em frente ao Palácio de Semperoper havia cisnes, patos e gansos e ela na simplicidade, pergunta:
- Que são isso?
Paulo Perin, não contou tempo:
- São jacarés.
Foram visitar um castelo e ela com a sutileza de um elefante indagou se era o Museu do Louvre. Poliba, numa calma que lhe era digna de nota, respondeu:
Louvre é na França e estamos em frente ao Castelo Imperial Kaiserburg em Nuremberg, na Alemanha.
Uma das melhores que saíram da boca da “infeliz” foi quando o ônibus passou em frente a uma famosa pinacoteca, ela pergunta se é fábrica de pinos para boliche.
Poliba, essa é uma pequena homenagem que faço a ti. Pena que não estás aqui para ler. Grande abraço.

Aroldo Arão de Medeiros
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