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Crônicas-->A gente do Duca -- 22/10/2013 - 17:24 (Brazílio) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos
Quando o Duca chegou com seu pessoal nossa casa passou a ser a

penúltima do lado de baixo da rua do Quenta-Sol. Do lado de cima, a de

Nita e Tõe Pinto e sua inumerável prole continuou a ser a última.

Por remota que seja, continua na minha cachola a memória da construção

da casa do Duca. O lote não era inteiramente vago: constituía o pomar da

Cia de Tecidos, a que chamávamos comumente de "a Companhia". Miguel

Arcanjo, o mestre de obras, viera com sua turma do distrito sede municipal

da Velha Serrana. Dava e via cumpridas suas ordens como o xará divino,

com a diferença de ser moreno e usar mais a voz do que a espada.

E as bananeiras que ocupavam a frente do pomar se foram logo, e a ereção

da casa se deu num piscar d´olhos, ou numa porção deles, pois a poeira

da movimentação era intensa. O pomar conservou contudo sua majestosa

intocabilidade na metade dos fundos do lote: laranjeiras predominavam.

Diferente em quase tudo de nosso quintal onde a variedade abundava. Era

mangueira, abacateiro, parreira, bambuzeiro, canavial, limoeiro e mesmo a

sidreira; e isso sem contar o galinheiro, o paiol, a casinha da cisterna e até

as cobras que pareciam gostar mais de nosso terreiro.

E chegou o Duca, com dona Vicentina e a perrada de filhos, alguns adultos

até. O Duca provinha de alguma roça vizinha, era carapina da Companhia

e alguns dos filhos já estavam empregados. Era uma gente nova pra nós,

e portanto, diferente. Até na cor da pele, pois eram rosados, dos cabelos

negros. Só a Julica, mocinha, é que destoava da tropa, mais clarinha,

contrariando sua irmá Terezinha, morena que vale a pena. Julica cuidava de

dentro da casa e Terezinha, de fora. Lavava roupa sem parar. E que gosto

dava ouvi-la feito um rouxinol cantando o Lencinho Branco.

Teca, a filha mais velha, ou seria a Maria, ficava mais pra dentro da casa

também. Era ainda a mais rosada de todos. Ao cair da tarde, no meio da

rua, gostava de contar histórias, geralmente narrando os feitos do pai. Num

desses capítulos, me lembro bem, o homem teria caído de uma chaminé,

mas teve a sorte de encontrar e se agarrar um barrote entre a suma altura

e o estatelamento no solo.

Menininhas ainda, eram a Luzia, chamada Loda, e a Conceição, a caçulinha.

Do lado dos varões havia o Zé, já homem feito, o João, moço com certo

trejeito, o Tõe, e o Chico, o mais novo, que comigo regulava, que veio a ser

meu companheiro de folguedos, e conselheiro com seus muitos segredos.

Ensinou-me por exemplo que uma vaca "purduzia" depois de se "inxertada",

e coisas de semelhante relevância e revelância.

Memorável foi o episódio do casamento, da filha Maria, com um rapaz do

povoado, Fábio, por sinal nosso aparentado de quarto ou quinto grau. Não

me lembra se fomos convidados ou não. Mas deu pra ver muita coisa, o

movimento na casa vizinha e até o pote de doce de leite que tanto adoçou

nossa imaginação. Ah, essa gente do Duca, do baralho é que são.
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