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Crônicas-->A volta de Jésus -- 21/09/2013 - 08:26 (Brazílio) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos
Depois de ver tanto conterrâneo embarcar e, no trem pra São Paulo se mandar, Jésus,

filho de Aurora, achou que tinha chegado a sua hora.

Mas não foi logo. Hesitou, procrastinou, até que por fim, embarcou. Ia no caminho

trilhado por muitos, onde o emprego era seguro. E o trabalho duro.

E foi o que constatou o moço Jésus desde os primeiros dias que na paulicéia

desembarcou. O ritmo era frenético, a cidade chegava a dar medo, mas não tinha

segredo: era cedo acordar, trabalho buscar, logo encontrar e só à noite, pra casa

retornar.

Acostumado a ter a comida no prato, a roupa lavada, os mimos de Dona Aurora, e

ter o resto do dia para perambular, bater papo nas esquinas enquanto espiava as

meninas, Jésus amaldiçoou sua sina. Não era pra ele aquele batido, aquela correria.

Viaduto do Chá, Sé, Luz, tudo uma folia. Ah, ele não merecia.

Com pouco, tinha até emagrecido, andava abatido e mais que isso, aborrecido. Tudo

que era amigo de antes tinha sumido, cada um com sua vida "intirtido". Tava mesmo

fu...(lminado)o nosso Jésus tão desamparado?

E era o início dos anos 50, a locomotiva do Brasil continuava a demandar braços, mas

o bom Jésus já estava aos pedaços. Não, não dava, e frio ele suava. Até que tomou a

decisão. Nem bem dois meses de chegado, correu pra estação, queria era o sossego

do Brumado. E ei-lo embarcado.

Mas para não desembarcar embaraçado bolou um plano bem bolado. Vestiu-se bem à

paulista e com óculos escuros, cobriu as vistas. Chapéu fino, cachecol, não queria nem

dar pistas. Deixara até crescer um bigode para dar ares de quem pode.

E assim que desembarcou, a uma turma de desocupados, folgados se dirigiu e lhes

perguntou:

Boa tarde, cavalheiros, podem por favor me dizer onde mora uma Senhora por nome,

Dona Aurora?

Só que não convenceu ao amigo antigo Lizeu: tire essa máscara, Jés. Aqui quanto

mais a gente rés, mais sombração aparés
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