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Crônicas-->Eu, Meu Pai e Brasília -- 26/05/2012 - 22:28 (Pedro Wilson Carrano Albuquerque) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos
Eu, Meu Pai e Brasília

Em 1958, quando ocorreu a mudança de minha família de Leopoldina para o Rio de Janeiro, ouvi, pela primeira vez, comentários de meu pai – Wilson Albuquerque – sobre Brasília, a futura capital federal.
Posteriormente, ele demonstrou, por diversas vezes, algum interesse pela cidade que Juscelino estava construindo no Planalto Central do País. Acho que poderia ter sido um dos pioneiros do atual Distrito Federal, não fosse o fato de os filhos terem arrumado bons empregos logo que chegaram à Cidade Maravilhosa.
Os jornais publicavam, na época, exercícios que deveriam ser resolvidos pelos leitores. Se você descobrisse, por exemplo, onde estava um cachorro em determinada figura, teria o direito a receber, sem quaisquer ônus, um terreno em Brasília, com o compromisso de ali construir uma casa dentro de determinado período. E meu pai apresentava a resposta procurada, que me mostrava, sem, contudo, formalizar seu interesse em povoar a nova capital.
No momento em que os preços de imóveis em Brasília chegam a valores estratosféricos, vem à minha memória uma declaração do Sr. Wilson de que alguns terrenos, então pouco valorizados, iriam recompensar regiamente quem os adquirisse: os de Brasília e da Barra da Tijuca. E os jornais estão aí para mostrar a confirmação de sua profecia.
Em 1970, quando o Banco do Brasil resolveu transferir sua Direção Geral, onde eu trabalhava, para o Distrito Federal, decidi num primeiro momento, já casado e com dois filhos, que permaneceria no Rio de Janeiro. Não tinha coragem de separar-me de meus familiares, notadamente de meus pais.
No ano seguinte a situação alterou-se, em função do pedido de meu chefe direto para que permanecesse em meu cargo, em Brasília, pelo menos por um ano, período suficiente para que fosse encontrado outro funcionário para o meu lugar.
Influiu, também, na mudança de rumo um conselho de meu pai, que via uma oportunidade sem igual à minha frente. Sei que, no fundo de seu coração, ele preferia que eu permanecesse ao seu lado, mas tinha certeza de que acompanhar a Diretoria do Banco era a melhor opção para minha carreira profissional.
Lembro-me da emoção que demonstramos na despedida. Minha mãe também não escondia a sua tristeza ao separar-se do filho, nora e netos (a Ana Lúcia com apenas quinze dias de idade) que ela tanto prezava. Meu pai presenteou-me, então, com dois exemplares da revista “Manchete” sobre a inauguração de Brasília, de 21 de abril e 1º de maio de 1960, que ele tinha guardado durante doze anos.
Seguidamente, pelo telefone ou nas cartas que escrevia, papai dizia de sua vontade de conhecer a nova capital do Brasil. Levantava até a hipótese, para minha alegria, de arrumar um local para residir em Brasília. Cheguei a colocar à sua disposição um apartamento no Plano Piloto (SQS 104), que havia comprado com financiamento da Caixa de Previdência dos Funcionários do Banco do Brasil.
Infelizmente, a saúde de meu genitor deteriorou-se poucos meses após minha saída do Rio de Janeiro, ocorrida em abril de 1972. Em setembro do mesmo ano teve de submeter-se a delicada cirurgia, nunca mais recuperando a boa forma até então demonstrada, o que impediu a realização de seu desejo de, pelo menos, visitar o filho, a nora e os netos queridos e conhecer a nova capital federal.


Comentários

LILIA GOUVEA  - 29/05/2012

Me agrada muito ler suas histórias. Parabéns por mais um excelente texto.
receba meu cordial abraço, LILIA (sua ex-colaboradora da GEDOC/IRB)

Ana Lúcia  - 28/05/2012

Essa história do jornal é nova pra mim...isso que é vontade de acelerar o processo de povoar a nova capital. Rs. Maravilhoso o texto, pai!!!

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