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Crônicas-->Sem vocação para o pecado -- 17/01/2009 - 19:44 (Pedro Wilson Carrano Albuquerque) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos

SEM VOCAÇÃO PARA O PECADO


Eu era uma mulher que se pautava pela observância rigorosa das normas fixadas, formal ou informalmente pela sociedade. Aquele tipo de pessoa que se poderia chamar de “certinha”, elogiada por alguns e condenada por aqueles que me julgavam uma sem graça, enfadonha. Isso criava dificuldades na manutenção de amigos e amigas, que viam no meu comportamento críticas ao seu dia-a-dia.

Realmente, como eu iria continuar a relacionar-me com alguém que me confessara ter saído de loja com produto que não pagara escondido na bolsa ou sob a roupa? Ou concordar com a amiga casada que me confessara estar mantendo um caso com colega de trabalho?

Para mim, era inaceitável a decisão de amigos de não devolverem valores recebidos indevidamente ou de aderirem à sonegação fiscal. E como encarar, sem mágoa ou repreensão, os que não se importavam com a limpeza do ambiente, jogando lixo no chão, ou destruindo patrimônio público?

Não tolerava comportamentos da espécie, que, a meu ver, revelavam gente com caráter deformado, sem condições, conseqüentemente, de ser premiada com a impunidade.

De minha parte, não me recordo de ter agido de forma censurável uma só vez, pelo menos até os trinta anos de idade. Minhas conversas com o padre no confessionário eram de um marasmo sem fim.

Foi quando meu marido inscreveu-me em auto-escola com vistas à obtenção de carteira de motorista. Pouco antes do dia do exame de prática de direção, sucumbi-me, ansiosa, à tentação de dirigir, mesmo sem a posse da habilitação necessária, carro com que fora presenteado pelo esposo. A familiaridade com o veículo deixar-me-ia, certamente, mais preparada para a avaliação que se aproximava.

Não sei se demonstrei insegurança no trânsito, motivada pela culpa de estar dirigindo de forma irregular, mas o fato foi que me barraram na rua com pedido de apresentação dos documentos cabíveis.

Fui mal sucedida, portanto, na primeira vez em que saí dos trilhos, quando todas as pessoas de meu conhecimento que seguiram pelo mesmo caminho dele se retiraram sem um único arranhão. Tive, assim, que adiar a concretização de meu desejo de utilizar o veículo que me esperava na garagem de meu prédio.

O mesmo aconteceu quando, precisando melhorar uma nota na faculdade onde estudava, resolvi utilizar a famosa “cola”, recurso utilizado, às mãos-cheias, pelos meus colegas, sem qualquer conseqüência negativa.

Achei que o professor, ocupado com a leitura de seus apontamentos, não me veria consultar papelucho que deixara em lugar de fácil acesso. Ledo engano. Fui apanhada. Além do zero recebido, tive de ocupar dias das férias programadas com a preparação para prova de recuperação.

Estava chegando à conclusão de que tinha de andar sempre pelos caminhos estabelecidos quando, em uma primeira e única vez, pratiquei o adultério. Imaginava que nada de mal aconteceria, como, aliás, ocorria com várias colegas e conhecidas. Era só agir com a cautela devida.

Não é que eu não gostasse de meu marido. Ao contrário, eu muito o amava e respeitava. A intenção era, tão-somente, matar a curiosidade de fazer amor com um amigo que admirava e demonstrava ter por mim grande afeição. Além do mais, ele também era casado e não me criaria problemas, pois também não queria prejudicar sua vida familiar.

Afinal, seria uma única experiência, sem prejuízo para o meu relacionamento com o marido e com a vantagem de acrescentar à minha vida uma pitada de sal, um tempero.

Infelizmente, deu tudo errado. Houve uma batida policial no motel onde eu me encontrava com o amante. Já tinha iniciado a madrugada quando retornamos aos nossos lares.

Foi-se o meu casamento e o desejo de terminar meus dias com aquele com quem havia constituído família, dividido bons momentos e que sempre me demonstrara grande amor, respeito e consideração. Sobrou apenas uma história que não posso sequer contar para os netos.

Cheguei tarde à conclusão de que Deus, por motivo não identificado, resolveu proibir o acesso de algumas pessoas, como eu, ao pecado, punindo-as todas as vezes que assim agissem.

Alertada, só me resta, agora, atuar dentro dos limites para mim fixados, com a possibilidade de ser chamada “chata”, "quadrada" ou medíocre, seguindo pacientemente, sem riscos e perdas, pelos caminhos colocados à minha frente.


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