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Crônicas-->Marcha para Jesus 2008 x Parada Gay 2008 - Objetivos?... -- 27/05/2008 - 12:45 (Ivo S. G. Reis) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos
Marcha para Jesus 2008 x Parada Gay 2008 - Quais foram os objetivos?


Uma cidade, dois eventos, dois objetivos, duas datas muito próximas (22 e 25 de maio de 2008), dois números de público quase iguais (entre 4 a 5 milhões de pessoas, em cada um). Afinal, quais eram os objetivos desses eventos tão antagônicos, além de mostrar a sua força de mobilização? Nenhum, a não ser este mesmo: exibirem ao Brasil e ao mundo a sua força, os seus números e o seu poder de organização e mobilização. Talvez quisessem intimidarem-se uns aos outros, pois, como se sabe, os evangélicos e os homossexuais estão em guerra, desde que, recentemente, o Pastor Silas Malafaia, da Assembléia de Deus, incitou os evangélicos a repudiarem e discriminarem os homossexuais, fechando-lhes as portas das suas igrejas. Se for isto, parece que os homossexuais, pelo menos em S. Paulo, estão em ligeira vantagem de público, pois teriam tido 5 milhões, contra 4 milhões dos evangélicos. Mas isto não importa, porque são estimativas e não se pode precisar exatamente os números oficiais. De qualquer forma, percebe-se que são muito próximos. E esses números, de fato, intimidam, até ao Governo.

Tanto a "Marcha para Jesus" como a "Parada Gay" (ou "Parada do Orgulho GLBT", como agora pretendem chamar), são eventos anuais, já incluídos no calendário turístico da cidade. A "Marcha para Jesus", já em sua 16ª edição e realizada aqui desde 1993, é um evento de nível nacional, internacional e interdenominacional ( a união de todas as igrejas evangélicas, das mais diferentes correntes). Este evento é o ponto máximo da demonstraçao da força dos evangélicos, atualmente, a religião que mais cresce, em todo o mundo, com índices de crescimento já superando os dos católicos. Estima-se que a somatória das marchas realizadas simultaneamente, no Brasil, tenha atingido um público de 12 milhões de pessoas. Já a "Parada Gay 2008", em S. Paulo, segundo seus organizadores, reuniu um público de 5 milhões de pessoas, superando a previsão inicial, que era de 3,5 milhões. A Parada Gay de São Paulo também está sendo considerada a maior manifestação desse gênero no mundo. Autoridades políticas dos altos escalões estiveram presentes em ambos os eventos, prestigiando-os.

No Brasil, a Marcha para Jesus, desde 1993 ( a sua 1ª edição), tem sido coordenada pelo casal Estevan e Sônia Hernandes (dois picaretas), líderes religiosos da Igreja Apóstólica Renascer em Cristo. Neste ano, o casal, hoje preso e respondendo processo nos Estados Unidos por lavagem de dinheiro e evasão de divisas, coordenou o movimento diretamente dos Estados Unidos, por "link" ao vivo e via satéliete. Juntando-se o número de participantes da "Marcha para Jesus" e os GLBT e simpatizantes da "Parada Gay 2008", teríamos perto de 20 milhões de pessoas, capazes de influenciar qualquer decisão e política de governo. Que desperício de forças!

Enquanto isso, se tentarmos (como já tentaram) realizar uma mobilização nacional para a defesa da Amazônia ou do meio ambiente, mal e porcamente conseguiríamos reunir umas 4 mil pessoas. O movimento "Amazônia para Sempre", do qual sou signatário, levou um ano para, só agora, atingir pouco mais de 1 milhão de assinaturas de apoio (1.069.503, em 25/05/2008). Mas se for para ir fazer "marchas ou passeatas" nas ruas, duvido que consigamos reunir mais de 4 mil pessoas. A mesma coisa, pode-se dizer das ONGs ambientalistas, mesmo as mais poderosas. Não seria a hora de, tanto os evangélicos como os gays, esquecerem as diferenças e se unirem, ao invés de só ficarem exibindo a sua enorme demonstração de força? Afinal, há um grande número de gays que são também evangélicos e participaram das duas passeatas.

Será que não seria mais útil mobilizarem-se para lutar contra os políticos, cobrando deles as medidas de proteção ambiental que eles não querem ou não conseguem executar com eficiência? "Marchar para Jesus?". Até o nosso destino como nação vamos também entregar na mão dele e, como nas igrejas, esperar o milagre, sem lutar? Acho que nem ele aprovaria isso e chamaria a todos os evangélicos de fanáticos e acomodados, pessoas que só esperam receber as "graças do Senhor". Até quando fazem doações para as igrejas e pagam dízimos, enchendo os bolsos dos pastores, fazem-no esperando "receber em dobro", mas não se esforçam por merecer, em sua maioria. E o que dizer dos católicos? Não poderiam fazer o mesmo, mobilizando-se também ou unindo forças com os evangélicos? Não, nenhum deles sequer cogitam isso. O que eles querem mesmo é aumentar o seu exército de seguidores para deles tirarem dinheiro e manipulá-los ao seu bel-prazer. Para que dividir? Para que emprestá-los para outras causas mais nobres, se já estão escravizados para servir os líderes religiosos que os exploram, como se fosssem robôs movimentados pelos controles-remotos dos seus "pastores"? Fiéis, hoje, são vistos como "carteiras de mercados"; aliás, um nichão, com reserva de mercado cativa. Entregar na mão da concorrência? Jamais! Sinceramente, acho que os "fiéis" deveriam servir para mais alguma coisa, além de orar e pedir.

Com o exército de seguidores que os evangélicos possuem, o marketing religioso que praticam, os dízimos, as contribuições, as emissoras de radiodifusão, os jornais, as revistas, as gravadoras, as redes de TV próprias, os aluguéis de horários nobres nos principais canais de TV, as redes de templos e as gargantas dos bem-treinados pastores, fariam um tremendo estrago. Poderiam fazer tremer qualquer presidente de nação. E não podemos esquecer dos famosos "shows da fé", promovidos pela Internacional da Graça de Deus, do pastor televisivo (campeão), Romildo R. Soares, cunhado do Edir Macedo. Se usarem essa força, enquanto ainda a têm e a Constituição Federal não muda e os ampara, ninguém será páreo para eles.

Seria bom que líderes mais puros e mais esclarecidos pensassem nisso. E os políticos...bem, esses não são trouxas nem puros e já estão usando essa massa há muito tempo, negociando apoios por favores. Em troca, o pastor manda votar e os robozinhos votam. Daí, eles fazem uma bancada evangélica com 70 deputados federais (como já tiveram antes das cassações por corrupção), mais alguns senadores e começam a ditar regras e mandar no país. Olha o perigo aííííííí, gente!

Nota: Vejam uma variante desse artigo no blog parceiro " Debata, Desvende e Divulgue! "




Ivo S G Reis



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Publicado em 27/05/2008 às 12h01
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