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Contos-->E com vocês, o Professor Paulo Miranda -- 10/02/2019 - 14:04 (Brazílio) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos



Quinze de outubro de 1969. Dia do Professor. Noite, aliás. Eu me achava assentado no pátio interno daquela escola no bairro Concórdia, em Beagá, junto a uma chusma de colegas de magistério, com a alunada à nossa frente.

Se não me falha a memória, era a minha primeira experiência de dar aulas em classe, iniciada ali no meio daquele segundo semestre. Herdara a posição de um colega das Letras, o Marcus, que não me explicara a razão de sua saída. Possivelmente, por coisa melhor - estimei, sem contudo vocalizar.

Inglês era a disciplina, muito embora eu perseguisse à época um diploma de alemão - pois era o que me sobrara, em função da classificação "apenas raspando" no vestibu(r)lar. Aber ich hatte Höffnung...de dias melhores. Ou noite, como ainda era o caso.

E com duas semanas de prática, estava eu ali, aos 19 anos, mestre de uns trinta e tantos alunos, ombreando-me com o corpo docente já senhorial, onde já luzia e resplandecia a simpática figura do Professor Ronaldo, estudante de medicina, em seu imponente guarda-pó. Um ou outro eu conhecia de nome ou de um meneio de cabeça ...é já no meio daquela efeméride...que se colocava tão bem entre a pisada de Armstrong no solo lunar, e a noite estelar dos mil gols de Pelé...

O Professor Ângelo, um cinquentão delgado de corpo e de pelos, era nosso Diretor. Fez a saudação e nela, breve, porém inflamada, alusão à luta junto às autoridades constituídas - à época, anos de chumbo, eram mais instituídas - e junto à comunidade para a criação e manutenção da escola, a menina de seus olhos. E nesse contexto, tomado pela emoção, evocou a figura de um parceiro na empreitada que convocava para nos narrar com mais detença a história dessas lutas e, alteando a voz, chamou ou clamou pela presença do Professor Paulo Miranda...

Absorto que eu andava, imaginando que a platéia generosamente compartilhasse comigo sua mirada para o Professor Ronaldo e outros luminares presentes, ao ouvir a chamada do Diretor Ângelo, simplesmente gelei: com duas semanas de frequência ali, mal conhecendo as tortuosas ruas que levavam à escola, logo eu para narrar sua história...? O delírio contudo foi brevíssimo...com pouco passou rente a mim, quase relando o paletó de seu terno preto em meu ombro esquerdo, a figura inesquecível que me salvaria daquele súbito pesadelo: o Professor Paulo Miranda. Sua figura fez-me lembrar a de um lutador de truz, campeão do mundo aliás, se não presente ali, de um futuro não distante, além da credencial de desafiador e vencedor de Muhammad Ali: Joe Frazier. Bem escanhoado, e enfarpelado.

E não só salvando-me do sufoco, Paulo, Professor de História, empolgou-nos todos com uma bela e vitoriosa narrativa, a que ouvi já mais descontraído, achando até que a bela irmã mais velha da aluna Sureya Said Hamzi ali se encontrava movida mais pela curiosidade do que pela solenidade...
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