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Crônicas-->Estranho som -- 03/02/2008 - 22:19 (Renato Rossi) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos
Eu fico alternando cochilos e trabalho em meu solitário escritório. Outro dia, entre uns e outros, ouvi algo estranho. Parecia um peru. Eu moro um pouco afastado, não muito, e não me consta a vocação avícola para as redondezas.

Mas o fato é que eu estava ouvindo um glú, glú, glú, insistente. Nada dramático como um apelo pela própria vida ou um pedido reiterado de ração. Apenas um glú, glú, glú simpático como quem diz “cheguei” ou “olha eu aqui”. Fosse um campo de futebol eu acharia que tentava sensibilizar o Galvão. Mas não, em alguma casa ao redor da minha, há um peru. Um peru a gugluar. Perdoem mas não lembro o que o peru faz ao falar. Cacarejar não é que isto é coisa de galinha. Fui ao Aurélio e nenhuma ajuda me deu. Não sei o que pesquisar no Google para descobrir o nome do gugluar do peru. Fui à Wikipedia e nada. Por favor, escrevam dizendo.

Nada contra o peru do vizinho que nem sequer pude identificar. Um glú glú glú de vez em quando não incomoda ninguém e até alegra a vida do burocrata caseiro, confinado entre telas e papéis. Achei bucólico, interessante.

Mas dois dias após, trabalhando à noite ouvi alguns sons que me pareceram estranhos. Sem nada ver, a imaginação foi logo trabalhando e imaginação livre o mais das vezes é um perigo. Meu primeiro pensamento foi em favor do peru. Tudo indicava que ele não estaria a gugluar no dia seguinte. Naturalmente que fiquei triste com a perspectiva do peru que de animador da vizinhança passaria à iguaria à mesa de poucos e cruéis vizinhos. De que mais seriam capazes estes vizinhos que sacrificam o próprio peru?

Para minha alegria no dia seguinte logo cedo ouço o glú glú glú do peru e me alivio. Afinal os vizinhos não são tão maus assim. O Peru fora poupado. Talvez tenha sido ameaçado apenas na minha imaginação.

Outro dia descobri que o criador é o meu vizinho de fundos de cujo pátio eu tenho plena visão quando saio à porta de meu escritório. Assim, de um dia para o outro, apareceu o peru em questão, uma perua, várias galinhas, alguns patos – talvez marrecos, ou ambos, sei lá – o cachorro, todos em convivência pacífica.

O peru, mesclado, muito bonito, imponente, anda pra lá e prá cá. Não sei o destino deste aviário inesperado. Será que os vizinhos são americanos, preparando um “thanks giving” caipira? Ou são brasileiros caipiras já preocupados com o peru natalino? Ou não são caipiras e estão salvando as pobres aves dos olhares gulosos de tantos amantes das carnes alheias?

Não sei, mas aqui o peru já é chamado de Arnaldo por uns e Arnesto por outros e se cogita fortemente um pedido de habeas corpus preventivo em favor do peru. Talvez um abaixo-assinado.

Melhor garantir.



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