Usina de Letras
Usina de Letras
                    
Usina de Letras
89 usuários online

 

Autor Titulo Nos textos

 


Artigos ( 56719 )
Cartas ( 21159)
Contos (12582)
Cordel (10005)
Crônicas (22134)
Discursos (3130)
Ensaios - (8935)
Erótico (13377)
Frases (43185)
Humor (18330)
Infantil (3739)
Infanto Juvenil (2595)
Letras de Música (5463)
Peça de Teatro (1315)
Poesias (137945)
Redação (2915)
Roteiro de Filme ou Novela (1054)
Teses / Monologos (2386)
Textos Jurídicos (1922)
Textos Religiosos/Sermões (4719)

 

LEGENDAS
( * )- Texto com Registro de Direito Autoral )
( ! )- Texto com Comentários

 

Nossa Proposta
Nota Legal
Fale Conosco

 



Contos-->Irmandade -- 21/09/2013 - 07:47 (Brazílio) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos
As irmãs Tatá e Zarica, partilhavam as agruras da vida operária, uma cerca de tela a

dividir seus quintais e, quiçá, pouca coisa mais. Nem mesmo a cor da tez as unia, pois

onde Tatá clareava, aí é que Zarica escurecia. Mas iam vivendo, com seu trabalho,

suas famílias - a de Zarica era bem numerosa, em contraposição aos 3 filhos de Tatá -

e os maridos, que contavam menos na equação.

Jeso e Nirto, formavam esse par, sem muito entre si combinar. Jeso, escuro, um

cavalão, casara-se com Zarica e vira esvair quase toda sua seiva de garanhão, daí

viver ultimamente só de sua pensão. Já Nirto, menos aquinhoado de físico e de

articulação verbal, costumava fechar-se em copas e de si, pouco dava sinal.

A verdade é que a fábrica, com seu ruído infernal, aquela algodoaria por todo lado,

aqueles gerentes exigentes, o salário atrasado, acabava deixando todo mundo

esgotado naquele longínquo Brumado.

Um dia para fazer a limpeza de seu quintal, Tatá chamou um João do Freire, homem

de pouca iniciativa mas que, precisado, pegou a tarefa pra ganhar uns cobres - que

dariam pra pagar uns goles que já havia tomado por conta. Ou quem sabe andava

ainda em jejum por ninguém lhe ter ainda fiado algum?

E em meio ao causticante sol, João - sem ao menos um chapéu de palha a lhe

proteger o sensível e oco coco - tá que roça e capina. Não era grande o espaço, nem

denso o matagal, mas tanta pedra e o terreno inclinado lhe tornavam o esforço

redobrado.

Horas de suor a fio, e a calor, cobram logo com furor: o pesado João, tibum, de uma

queda foi ao chão. A meninada toda frechou na rua pra ver aquele corpo inerte,

suarento - e ouvir a recriminação pesada, veemente, de Jeso à cunhada, aquela

desalmada:

Ô Tatá, ocê num deu nem um café ou um prato de comida pra esse infeliz? Cê vai ver

quando você morrer você vai botar uma língua desse tamanho pra fora(fez o gesto

com a mão, que ia até o meio do peito).

Mas o João se recuperou, vermeio feito ele só. Retomou a capina com menor

intensidade e quem partiu primeiro pra eternidade - sem língua pra fora - foi o Jeso,

por cuja alma, uma Ave-Maria rezo.
Comentários

O que você achou deste texto?        Nome:     Mail:    

Comente: 
Perfil do Autor Seguidores: 24Exibido 189 vezesFale com o autor