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Crônicas-->Malefícios do fumo -- 11/10/2006 - 14:09 (Renato Rossi) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos
11.10.2006 – 475 – NR

Muito se tem falado sobre os malefícios do fumo. Câncer disto, câncer daquilo, brochura, enfisema, perda do paladar, do olfato, da libido e da vontade de trabalhar, dentes amarelos, entre outras mazelas humanas. Um verdadeiro circo de horrores. Isto sem mencionar aquelas fotos que colocam nos maços de cigarros. Há até o chiste, sempre há um chiste, de escolher a foto, evitando os males que mais assustam a cada um.

Mas algo está faltando em tudo isto. Esquecem de um problema social associado ao fumo, do cigarro em particular que se não mata de doença, às vezes mata de tristeza, se bem que haja casos de alívio.

São inúmeros os relatos sobre pessoas, geralmente homens, pais de família, que, tendo saído para comprar cigarros, não mais voltaram. Sobre as doenças há inúmeros estudos, teses condenando e até algumas defendendo, segundo relatos da indústria do fumo. Fala-se até do contrabando e do submundo do crime que insiste em vender cigarros paraguaios em nosso mercado. Cigarros estes que, despidos dos impostos para desvio pelas sanguessugas, são muito mais onerosos para todos nós.

Mas pouco ou nada é dito sobre os desaparecimentos.

Dez horas da noite, domingo, no intervalo do Fantástico, ele nota que está sem cigarros. Diz à mulher que vai até a esquina comprar cigarros, e sai. Sem mala nem agasalho, sai como quem vai ali comprar cigarros, não raro nem dinheiro leva. Simplesmente sai. A mulher, conformada ou cúmplice, nem nota. Vai dormir. Ele sai.

Mas não volta.

O que acontece com estas pessoas? São abduzidos e levados para uma galáxia onde a fumaça é benfazeja? Usam o expediente como o ápice de um plano urdido na surdina, cuja execução só teve coragem naquele instante? De posse dos cigarros tão necessários, desviam-se do caminho de casa e ao notar o tardar da hora têm vergonha de voltar e ficam pela rua? São capturados por comunistas recalcitrantes? Ou serão as multinacionais? Ou fazem parte de um bando aloprados que finge fugir e volta na surdina?

O que mesmo acontece com estas pessoas das quais se diz foram comprar cigarros?

Há especulações, mas nenhuma certeza. A polícia, carente de recursos, não investiga por supor ser um ato de vontade que deve respeitado e nada diz à família para não magoá-la. Se por acaso descobre, fica igualmente em silêncio, pois os motivos são geralmente inconfessáveis.

Acho que eles deveriam criar uma comunidade no Orkut, algo como “Fui comprar cigarros e não voltei”.

De tanto se ouvir falar acaba-se acreditando, mas não há outras desculpas como comprar fósforos ou cerveja, ver se está tudo bem na rua. Levar o cachorro pra fazer xixi. É mesmo, parece difícil. Nada passaria tão despercebido do que a busca pelos cigarros.

De minha parte, como já não uso cigarros diretamente, só me restaria dizer que vou ali na esquina comprar chocolate dietético. Mas é só uma especulação. Não que Brasília não tenha esquinas, eu é que não quero perder esta boquinha.

Vai que ao voltar encontre a porta trancada.






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O autor mantém uma lista de leitores que recebem suas crônicas assim que são escritas, não raro ainda com muitos erros. Para inscrever-se basta enviar solicitação para renato.rossi@terra.com.br. Para sair, o procedimento é o mesmo sem demora ou questionamento
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