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Crônicas-->Entrelinhas -- 25/11/2006 - 20:25 (Renato Rossi) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos
18.11.2006 – 478 – NR

Todo texto, por mais denso que seja, comporta o que chamamos de entrelinhas. É o que está escrito entre uma linha e outra. Ainda que no papel não haja espaço, na imaginação do escritor e do leitor sempre há lugar para as entrelinhas e é lá que, não raro, estão as informações reais. O desafio do escritor é fazer com que o leitor se dê conta do que ele realmente quer dizer, ainda que não o escreva em palavras. Algo assim, como o “sem querer querendo”. Se as linhas geram informação direta, as entrelinhas comportam, e muito, imaginação, suposição, esperança, promessas, ameaças e erros. Ainda que o leitor leia nas entrelinhas, nem sempre lê o que o escritor pensa ter escrito. Depende de sua natureza. Um otimista há de ler sim onde está escrito não. Um pessimista, justamente o contrário. Sem falar nos catastróficos que sempre enxergam algum mau presságio em qualquer texto.

Confuso?

É mesmo. Não se presta aos literais e muito menos aos distraídos.

A entrelinha, naturalmente, é a parte entre uma linha e outra, onde não há nada escrito. Nada escrito, modo de dizer, nada pode ser visto, não há caracteres nem compromissos, mas não raro há idéias, e muitas. Muito se lê nas entrelinhas. Sugestões, interrogações, ameaças, suposições, promessas, arrependimentos e maldades de toda ordem.

Certezas poucas, que as entrelinhas servem mais às suposições, sobretudo às convenientes. Há muito para ser lido nas entrelinhas. Sempre há quem enxergue nelas o que não foi escrito nas linhas. Há também quem nelas escreva. Fala de orquídeas nas linhas e nas entrelinhas alinhava alguma maldade sobre ecologistas. As opções são muitas. Na realidade, há quem mais escreva nas entrelinhas e quem só nelas leia, mercê de imaginação sem limites ou viciada. Mais viciada, imagino.

Nas entrelinhas faz-se promessas sem se comprometer, se diz sim usando não, faz-se tudo ao contrário e, curiosamente, muitos entendem. Ou assim pensam.

O leitor, no entanto, deve ter cuidado, pois nas entrelinhas está tudo escrito se lhe convém achar, mas tudo estará negado se o escritor for confrontado. Aí, como dizem na loteria zoológica, vale o que está escrito.

Há também quem de tanto ler nas entrelinhas esquece de ler as linhas e acaba dando interpretação até para a própria carteira de motorista.

− Aí Seu Guarda, a categoria é A, mas, veja bem, este A quer dizer C. Entende?

− Não.

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O autor mantém uma lista de leitores que recebem suas crônicas assim que são escritas, não raro ainda com muitos erros. Para inscrever-se basta enviar solicitação para renato.rossi@terra.com.br. Para sair, o procedimento é o mesmo sem demora ou questionamento.
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