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Crônicas-->Nem tudo é o que parece ser -- 04/01/2006 - 10:06 (Pedro Wilson Carrano Albuquerque) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos
NEM TUDO É O QUE PARECE SER


Luís era um simpático colega de trabalho. Muito competente no cumprimento de suas obrigações e fiel observador dos princípios éticos que regem o comportamento dos servidores.
Católico fervoroso, dizíamos, seus colegas de sala, que era um papa-hóstias, um autêntico carola.
Tal fato deu-me a idéia, após encontrar um cinzeiro de motel sobre móvel da repartição, de pregar uma peça no companheiro. Assim, aproveitando momento em que ele se ausentara do local de trabalho, coloquei, disfarçadamente, o recipiente em gaveta de sua mesa, onde guardava seus livros.
Algum tempo depois, com a presença de todos os servidores, pedi ao Luís que me emprestasse uma publicação sobre regime de verbos.
Recebendo seu assentimento, abri a gaveta e dei de cara com o cinzeiro, demonstrando, com estardalhaço, minha surpresa com o encontro do incriminador objeto. Os funcionários presentes, mostrando-se escandalizados, proclamaram, zombeteiros, que o beato não era tão santo como aparentava ser.
O troco não demorou. Tendo de retirar-me de minha sala, deixei sobre a escrivaninha um comprovante de utilização de cartão de crédito, oriundo de compra de flores para meus pais, que comemoravam aniversário de casamento.
Luís viu o documento, pegou-o, apagou o nome do florista e colocou em seu lugar, utilizando máquina de escrever e folha de papel carbono, o de motel de Brasília.
A idéia era pegar a papeleta, num momento em que eu estivesse presente, e revelar, jocosamente, na presença dos colegas, a minha situação de adúltero.
Ocorre que, convidado para lançamento de livro de poesias de um conhecido, passei rapidamente pela minha sala, coloquei o comprovante da compra no bolso do paletó e dirigi-me para o evento, não dando oportunidade ao Luís de cientificar-me da armação.
E o pior é que esqueci de carregar o bipe, que eu sempre portava, numa época em que ainda não existia o telefone celular.
Desejando que eu o representasse em reunião externa, meu chefe colocou suas secretárias à minha procura. Não me localizaram no local de trabalho e nem nos lugares que eu geralmente freqüentava, o que as levou a ligarem, diversas vezes, para minha residência. Os telefonemas deixaram a cara-metade cheia de suspeitas:
- Onde estaria o marido em plena tarde de quarta-feira?
O calor era intenso no local dos autógrafos do poeta, o que me levou a borrifar o rosto em banheiro ali existente, sobrando água para os meus cabelos.
Papo com pessoas amigas que prestigiavam o evento e o bom uísque escocês servido levaram-me a perder a noção do tempo decorrido.
Cheguei em casa à noite. Minha mulher, preocupada com o meu desaparecimento, indagou-me sobre a ausência no trabalho, a hora do retorno ao lar, os cabelos úmidos e o hálito revelador da ingestão de bebida alcoólica. Minha explicação foi recebida com desconfiança.
Sentindo-me desconfortável com o interrogatório a que fui submetido, dirigi-me ao meu quarto e coloquei o paletó no armário, retirando dos bolsos o seu conteúdo e colocando-o sobre o criado-mudo, como sempre fazia.
A esposa, vejam só, ao colocar na gaveta do móvel os papéis e documentos retirados de meus bolsos, deu de cara com a papeleta em que Luís havia colocado o nome do motel. Além dos indícios do adultério já referidos, ela passou a deter em suas mãos a prova irrefutável da infração cometida.
Mais comprometedora foi a minha reação, pois, perplexo diante do ocorrido e sem compreender o que estava acontecendo, arranquei das mãos da mulher o comprovante do crime, rasgando-o e lançando-o ao vaso sanitário, após constatar que ali, realmente, estava registrado o nome do motel de alta rotatividade.
Para minha felicidade, tive a oportunidade de comprovar, mediante testemunhos, que eu tinha comparecido ao lançamento do livro do amigo e que ali havia permanecido durante algum tempo.
Levando a companheira ao motel cujo nome constava do comprovante de compra e pagando a conta com o cartão de crédito, pude mostrar-lhe que na papeleta não constava a denominação do estabelecimento, o que guardava consonância com a política de proteção dos clientes adotada por tais entidades.
Finalmente, pude acompanhá-la até a loja vendedora de flores, permitindo-lhe constatar que eu ali estivera e comprara quatro dúzias de rosas.
Esta crônica tem um único motivo: mostrar aos cônjuges que devem ter cautela no julgamento de seus parceiros, mesmo quando forem vários os indícios de sua culpabilidade, pois nem tudo é o que parece ser.



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