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Poesias-->MINHA IR(RELIGIÃO) -- 06/12/2007 - 07:07 (Ivo S. G. Reis) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos
MINHA (IR)RELIGIÃO





Não, não estamos na Inquisição...

Mesmo assim, os diferentes,

Por não sermos a “Deus” tementes,

Somos cobrados a ter uma religião

E reafirmar nossa fé em “Deus”.



Por que assim tão exigentes?

Acaso não cabe a nós, como entes,

A escolha ou não de um Deus,

Decidir ser crentes ou ateus?



Religião ou irreligião?

Não sei, mas é algo que professo,

E ser ou não ser, não é a questão.

Mil vezes expliquei, mas sem sucesso,

E ainda a inquirir e a me julgar estão.

Cansei! Encerrem o processo!

Dêm-me o direito da derradeira explicação,

E eu relato como um réu-confesso:



Quereis o nome da minha religião,

O seu “Deus”, os princípios que defende,

O endereço da sua sede,

O número de seguidores?. Ei-los:



Minha religião não tem nome

E é desconhecida dos homens.

Não faz marketing, nem propaganda,

Não quer agregar adeptos.



Minha religião é liberal, libertária e confiável.

Não afronta outras, não se julga melhor nem pior.

Não faz proselitismo e não lança reptos.

Modesta, não se expõe, trabalha em silêncio.



Minha religião, em modelo algum é enquadrável.

Abomina rótulos, não presta obediência a ninguém.

Não quer encaixar-se no que é formal,

E em nenhuma denominação convencional.



Minha religião é auto-sustentável,

Não exige dízimos, donativos ou contribuições

E também, não promete graças ou milagres,

Mas premia o seguidor por suas ações



Minha religião não tem templo físico visível,

Mas está comigo em qualquer lugar:

No Pólo Norte ou no Pólo Sul,

No mar, na terra ou no ar,

Onde eu estiver, lá ela estará.



Minha religião é confiável e leal,

Não me exige sacrifícios, não me amedronta,

Não estabelece metas que eu não possa cumprir,

Não me impõe regras rígidas, castigo ou penitência...

E se alguma regra eu quebrar,

Faz com que me apresente à minha consciência.



Juíza e conselheira dos atos que eu praticar,

É ela, a consciência, quem me mostra os erros,

A salvação ou a conseqüência

Da sabedoria ou imprudência

Da escolha de um caminho.



Minha religião não é pedinte,

E nem permite que eu seja.

Incita à luta e à persistência,

Não pratica e condena imprecações,

Não tem deuses, não tem santos,

Não tem papas, bispos, pastores ou missionários,

“Guias espirituais” ou gurus, a dizer-me o que fazer.



Minha religião nem tem livros sagrados!...

Não tem sede fixa, filiais, nem cultos nem orações.

Tem apenas um parlatório, para planejar as ações.



Minha religião é ligada, bem-informada, atual.

Estuda o passado, com os pés no presente,

E a visão no futuro.

Pesquisa, estuda, não me deixa no escuro.



Minha religião defende a natureza,

E o amor ao próximo, inclusive aos animais.

Defende a honestidade, a amizade, a lealdade.

Tem por norma maior o bom-senso

E o não fazer mal a ninguém.



Minha religião não aceita e combate ferozmente:



Dogmas, imposições, injustiças, ignorância,

A dependência pelas drogas aniquilantes,

As opressões dos mais fortes sobre os mais fracos,

Os criminosos ambientais,

Os corruptos, os charlatões,

A propaganda enganosa, de cerebração criminosa,

O fanatismo e o proselitismo religioso competitivos,

A violência, a censura, a repressão, a tortura,

A exploração do cidadão pelo Estado.



Minha religião, sem nome, de único seguidor, é finita;

Só quer me mostrar a que vim

Por outras, homens e mulheres, não é bendita.

Foi fundada no dia em que nasci

E quando eu morrer terá seu fim.



Quereis agora o resumo, a sede e o nome?

Então que seja, que seja...

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Sede: Eu interior; Deus: a minha consciência

Número de adeptos: só um;

Princípios que defende: os meus

Fundação: No dia em que eu nasci

Filiais: Não possui

Abrangência: Minha conduta, nos meus espaços

Nome: “EU SOZINHO POR MIM “

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Ivo S G Reis

Publicado no Recanto das Letras em 06/12/2007

Código do texto: T766771







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