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Ensaios-->A intervenção cubana em Angola -- 20/07/2010 - 15:42 (Félix Maier) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos
Caro Marco Antonio Pontes,

Cuba ajudou a derrubar o Apartheid? Onde? Em La Habana é que não foi...

Para rebater o mito propalado pelo Sr. em sua última coluna no Jornal da Comunidade, vai, abaixo, importante texto sobre o assunto, escrito pelo jornalista Paulo Diniz Zamboni.

Aliás, Mandela também é autor de uma importante frase, que o coloca entre os grupos de "idiotas úteis" ou "patifes assumidos": "Guevara é uma inspiração para todo o ser humano" (Cit. no livro O verdadeiro Che Guevara - E os idiotas úteis que o idolatram, Editora É Realizações, São Paulo, 2009 - pg 151).

Caro MAP: o Sr. precisa urgentemente ler esse livro acima citado, que é na verdade a mais completa biografia de El Chancho (O Porco), já que os ditos biógrafos do serial kiiller argentino (Jorge Castañeda, John Lee Anderson, não passam de "hagiógrafos" - como Fontova se refere sarcasticamente. Hagiógrafo é o biógrafo dos santos...

Att,

F. Maier


***

11 de outubro de 2002



A intervenção cubana em Angola
(com a ajuda do Brasil)



Mídia Sem Máscara, Ano1, Número 3, 18 de Setembro de 2002


A mídia brasileira mentiu e continua mentindo em favor da agressão cubana.



Paulo Diniz Zamboni



Em artigo anterior, abordei a questão de como a mídia internacional omitiu ou deturpou importantes informações sobre o conflito travado no sudeste asiático durante a década de 1960 e meados dos anos 70, velada ou abertamente tomando partido dos vietcongues e do Vietnã do Norte, que, longe de lutar unicamente para expulsar os norte-americanos do Vietnã do Sul, na verdade direcionavam suas operações para anexar o país ao Vietnã do Norte, sob o controle de uma única liderança comunista.

Ao mesmo tempo em que o Vietnã do Sul, Camboja e Laos passavam ao controle de ditaduras comunistas, alinhadas com os interesses de Moscou ou Pequim, o continente africano seria alvo de uma das mais audaciosas operações expansionistas já lançadas em toda a história, revestida de um caráter estratégico extremamente importante e cujas conseqüências seriam duradouras para região. A forma como essa expansão ocorreu, seus desdobramentos e a cobertura dos acontecimentos pela mídia serão analisados no presente artigo, que se voltará para as operações em Angola, país onde a presença comunista atingiu características de verdadeira ocupação.

Após longo período de combate contra movimentos guerrilheiros em suas colônias africanas, Angola, Moçambique e Guiné Bissau, o governo português acabou convencido, em meados da década de 1970, que os custos da luta em solo africano eram por demais elevados. Além disso, ao fim de anos de regime salazarista, havia muita insatisfação popular em Portugal e exigiam-se mudanças, o que resultou na chamada Revolução dos Cravos, em 1974 -- um golpe militar que contou com amplo apoio popular, mas que rapidamente assumiu feições socialistas.

Interessado em sair rapidamente da África, sobretudo de Angola, o novo governo português fez um acordo com os três movimentos guerrilheiros angolanos que lutavam pelo poder: o MPLA (Movimento Popular para a Libertação de Angola), a FNLA (Frente Nacional de Libertação de Angola) e a UNITA (União Nacional para a Independência Total de Angola).

Entretanto, as bases do acordo entre os grupos guerrilheiros eram muito frágeis, razão pela qual existia um vazio de poder em Angola, o qual o MPLA foi rápido em preencher, conquistando Luanda e a maior parte do país. Mas para conseguir isso, o MPLA teve a vital ajuda da URSS, sem a qual a vitória teria sido obtida pelos dois outros grupos rebeldes angolanos.

A investida soviética em apoio ao MPLA foi muito facilitada pela inoperância do governo norte-americano, recém saído do desastre no sudeste asiático, e, portanto, sem condições de intervir em uma nova crise internacional. Além disso, com a posse do presidente Jimmy Carter, mais interessado em pressionar regimes autoritários ditos de direita, do que em enfrentar as tentativas de expansionismo russo, Moscou sentiu-se livre para agir.

E como de praxe, a mídia encontrou rapidamente um vilão que justificasse a presença comunista em Angola: a África do Sul. Inclusive a mídia brasileira, tão prestimosa em criticar os governos militares por envolvimento com outros regimes autoritários latino-americanos, nunca demonstrou o mínimo constrangimento pelo fato de o governo brasileiro apoiar, desde a presidência do General Geisel, uma ditadura como a angolana, fornecendo ajuda militar, técnica e financeira ao MPLA. A esse respeito, o jornalista Elio Gaspari publicou recentemente um artigo em que defendia o apoio do governo do general Geisel à chegada do MPLA ao poder. Classificando a medida como uma das "páginas mais corajosas, criativas e competentes" da história da diplomacia brasileira, Gaspari chega a concordar com a afirmação de que os cubanos estavam em Angola "à revelia da União Soviética". No referido artigo, o jornalista também apóia a tese segundo a qual os norte-americanos teriam mentido sobre a intervenção cubana em Angola, mas acaba confirmando isso, ao escrever que "... Fidel Castro meteu-se na briga, mandou tropas para Angola (...) e rechaçou as tropas sul-africanas". (Folha de S. Paulo. 03/04/2002).

É muito difícil concordar com a afirmação de que os cubanos estavam em Angola por conta própria, pois o envolvimento de efetivos militares e equipamento bélico nos níveis que foram utilizados pelo exército cubano só poderia acontecer com forte suporte logístico, o qual Cuba não possuí. Somente com a anuência soviética e o uso de seus aviões de transporte e navios, é que os soldados de Fidel Castro poderiam ter intervindo tão rapidamente. Além disso, em diversas ocasiões nos anos seguintes, a força aérea soviética esteve abertamente envolvida em transporte de armas e suprimentos para o território angolano. Portanto, a presença comunista em Angola foi algo bem mais amplo do que uma despretensiosa ação de Fidel Castro, agindo sem consentimento de seus patrões soviéticos.

Quanto ao envolvimento brasileiro, não se sabe muito bem o que o Brasil ganhou em patrocinar uma ditadura socialista e corrupta como a do MPLA, que mantêm o mesmo representante ocupando o cargo de presidente desde 1979. Nem ao menos é possível afirmar que a Petrobrás conseguiu grandes contratos, visto que a extração de petróleo em Angola está em sua maior parte nas mãos de companhias norte-americanas. Mas, enquanto o governo militar nacionalista do general Ernesto Geisel trabalhava ao lado do comunismo internacional, os sul-africanos acompanhavam com atenção os acontecimentos em solo angolano. Muito longe da imagem apresentada pela mídia, segundo a qual a África do Sul pretendia apenas "oprimir os povos negros da África", o interesse sul-africano em Angola era motivado sobretudo por razões de segurança. A idéia de os portugueses saírem do país deixando em seu lugar um governo comunista patrocinado pela URSS não era nada atraente ao governo sul-africano, às voltas com problemas provocados por terroristas de orientação marxista em seu próprio território. Em vista disso, logo em seguida à retirada portuguesa, destacamentos sul-africanos passaram a apoiar os grupos guerrilheiros rivais do MPLA. Este foi um fato inusitado: o apoio do governo de Pretória a guerrilheiros de orientação socialista. Sim, porque ao contrário do que a mídia veiculou durante anos, a guerrilha da UNITA, liderada por Jonas Savimbi, longe de ser um grupo guerrilheiro de extrema-direita, era uma organização maoísta, que havia sido apoiada pela China durante a luta contra os portugueses. Como se vê, para justificar a presença soviética e cubana num país despedaçado por uma guerra civil, vale tudo na mídia, até mesmo transformar guerrilheiros socialistas em rebeldes de extrema-direita.

Sem apoio na sua luta contra o MPLA e seus patrocinadores, e em vista da maciça intervenção comunista em Angola, com farto suprimento de armas, homens e apoio logístico, os sul-africanos retiraram-se, passando a prestar auxílio indireto aos guerrilheiros da UNITA.


Após a frustrada ação sul-africana, o MPLA e seus mentores não foram seriamente incomodados durante dois ou três anos, pois a guerrilha oposicionista não dispunha de efetivos ou equipamento para enfrentar as armas pesadas e o elevado número de militares cubanos estacionados no país.
A essa altura, já era possível perceber que a situação em Angola tinha muita semelhança com o que a mídia dizia ter ocorrido no Vietnã, ou seja, uma potência exercendo influência armada sobre um pequeno país. Na verdade, a situação em Angola era ainda pior do que fora no sudeste asiático, onde os norte-americanos utilizaram-se de suas próprias forças para auxiliar governos que eram seus aliados de longa data. Em Angola, ao contrário, os soviéticos empregaram um exército "alugado" de seu fiel vassalo Fidel Castro (que para efeito de propaganda havia lançado a operação "à revelia de Moscou"), para conseguir a vitória de uma das facções em luta pelo poder em Angola. Entretanto, para a imprensa internacional a crise angolana parecia não ter a mesma importância da guerra do Vietnã. Jornalistas não correram para a região, não se deu destaque à atuação soviética e cubana, nem ao uso do território angolano como refúgio para terroristas e guerrilheiros que atacavam países vizinhos.

Em 1978, confirmando que a presença comunista em Angola não era apenas para apoiar a estabilização do novo regime marxista de Luanda, tropas formadas por congoleses dissidentes, apoiados por forças cubanas, penetraram na província de Shaba (ex-Katanga), no vizinho Zaire, e tomaram a cidade de Kolwezi, rica em minérios e estratégica para vários países ocidentais.

A operação, que somente fracassou devido à intervenção de forças francesas, demonstrou que a presença de assessores soviéticos e militares cubanos em Angola também visava a transformar o país em base estratégica para as aventuras expansionistas de Moscou no continente. Além da invasão do Zaire, também foi de solo angolano que partiram os 15 mil soldados cubanos que apoiaram o novo governo marxista etíope em 1978. (Ogaden em luta. A Somália invade a Etiópia. Ed. RGE, p. 976)

Para a mídia, entretanto, o problema continuava sendo unicamente a África do Sul, que a partir de 1978, em represália aos ataques de guerrilheiros da SWAPO (Organização do Povo do Sudoeste Africano), grupo financiado por Moscou, passou a desencadear surtidas freqüentes contra as instalações dessa organização no sul de Angola, e a apoiar de forma mais ativa os guerrilheiros da UNITA.

Dessa forma, todas as vezes que os sul-africanos reagiam retaliando ou antecipando as ações da SWAPO, atacando suas bases em território angolano, a mídia os transformava em meros "agressores" e "patrocinadores da desestabilização do governo angolano". Quando em 1981 os sul-africanos destruíram a principal base da SWAPO em solo angolano, capturando 4 mil toneladas de armas e munições, avaliadas em US$ 200 milhões, além de inúmeros documentos que comprovavam o apoio soviético e cubano aos terroristas, a mídia internacional informava que "campos de refugiados" haviam sido o alvo dos ataques sul-africanos. Nem mesmo quando os sul-africanos apresentaram um militar russo capturado (outros quatro foram mortos durante a operação) e o imenso arsenal apreendido, suas alegações foram consideradas procedentes. (Death in Desert: The Namibian Tragedy. 1989)

O fato de o governo sul-africano ser adepto do regime de segregação racial facilitou em muito o trabalho da mídia pró-comunista. Assim, enquanto a imprensa internacional cobria os conflitos de rua que se tornaram comuns na África do Sul a partir de 1985, em protesto contra o Aparthaid, os soviéticos enviavam novas e poderosas armas para Angola incluindo caças MiG-23, helicópteros Mi-24/25, e tanques T-62. (Anuário Militar 1987, Ed. Globo, p.66)

Porém, quando o governo dos Estados Unidos resolveu solicitar ao Congresso a liberação de uma verba de U$S 15 milhões para UNITA, foi alvo de severas críticas da mesma mídia que pouco ou nada informava sobre as enormes remessas de armamento soviético ao governo angolano e seus protetores cubanos. Apenas como comparação, não foram poucos os órgãos de imprensa que durante a guerra do Vietnã criticaram Washington por enviar armas ao governo de Saigon, afirmando que isso apenas aumentaria a escalada do conflito, preferindo ignorar o imenso fluxo de armas chinesas e soviéticas que chegavam aos vietcongues através do território do Laos e do Camboja, uma operação totalmente ilegal, visto que o Laos, oficialmente, era um país neutro.

Agora, quando eram os norte-americanos que forneciam ajuda a um grupo guerrilheiro em luta, só que contra o comunismo, como acontecia em Angola, a imprensa era só "choro e ranger de dentes". O fato de 57 mil soldados cubanos estarem estacionados em Angola (jornal O Estado de S. Paulo, 1988) não causava indignação alguma na mídia pró-soviética. Mas na mesma época, a presença de 50 (sim, cinqüenta) conselheiros norte-americanos em El-Salvador, país com um governo eleito democraticamente, que enfrentava poderosa guerrilha comunista patrocinada por Cuba, Nicarágua e URSS, era diariamente apontada pela imprensa como uma ameaça para a paz na América Central.

Também é importante notar que o recrudescimento da luta em Angola deu-se na época em que a mídia aclamava o novo líder da URSS, Mikhail Gorbatchev, e a sua política de abertura, a Glasnost. Mas foi justamente durante o governo de Gorbatchev, apontado como reformista pela imprensa internacional, que pelo menos US$ 1,5 bilhão em armas e equipamentos foram enviados para as tropas comunistas em Angola, permitindo às suas forças desfecharam três grandes operações militares contra a UNITA, entre os anos de 1985-88, todas elas desbaratadas pela guerrilha.(High Noon in Southern África, 1992, p.360-61)

As batalhas travadas entre agosto de 1987 e fevereiro de 1988 (as mais violentas de todo o conflito), demonstraram claramente a intensidade do intervencionismo soviético-cubano em Angola, pois além de um imenso arsenal de armas russas apreendidas, os guerrilheiros da UNITA capturaram vários pilotos cubanos, após seus caças terem sido abatidos durante os combates. Se durante a guerra do Vietnã os pilotos norte-americanos eram exibidos como troféus dos comunistas pela mídia (inclusive a norte-americana), como atestados das "agressões contra o povo vietnamita", em Angola nada parecido ocorreu, e os militares cubanos capturados foram devidamente ignorados pela imprensa internacional. (Cuito Cuanavale: Veil lifted at last" 1989, p. 14; Jornal O Estado de S. Paulo, edições dos dias 12,13 e 14 de novembro 1987. A esse respeito, o ex-embaixador J. O. de Meira Penna, visitou Angola poucos meses depois dos combates, e esteve no QG da UNITA na aldeia de Jamba. Lá ele pode verificar pessoalmente muitas das armas soviéticas capturadas pela guerrilha, incluindo tanques e artilharia, atestando o vulto da derrota do MPLA).

Quanto ao real significado do fracasso comunista em Angola, onde nem a presença de um exército mercenário cubano, supervisionado por milhares de assessores soviéticos, alemães-orientais e norte-coreanos, a um custo financeiro exorbitante, permitia ao MPLA vencer a luta, nem uma palavra na mídia.

Na ocasião em que os cubanos e soviéticos fecharam um acordo em separado com a liderança da UNITA, durante uma reunião em Lisboa em agosto de 1988, onde ficou combinado que a guerrilha não atacaria mais seus soldados, (Jornal Sunday Star, outubro 1988), demonstrando a incapacidade comunista de derrotar os rebeldes, a grande mídia manteve silêncio, salvando as aparências para Havana e Moscou.

E finalmente quando em 1991 os últimos soldados cubanos saíram de Angola, sem ter conseguido derrotar a guerrilha de Jonas Savimbi, a mídia acompanhou a retirada como se os cubanos estivessem retornando de uma excursão, e não de uma fracassada aventura militar que representou um duro golpe nas ambições de Fidel Castro.

Assim, uma operação de caráter nitidamente expansionista, patrocinada por Moscou e com participação fundamental do vassalo-mor do Kremlin, terminou em desastre. No entanto, graças aos imensos esforços da mídia, inclusive a brasileira, praticamente nada chegou ao conhecimento do grande público.

As exceções existiram, é verdade. O jornal O Estado de S. Paulo, por exemplo, deu razoável cobertura aos acontecimentos, mas em grande parte reproduzindo as noticias das agências internacionais, o que era pouco. E restaram algumas perguntas: por que motivos a mídia escondeu ou minimizou a ação comunista em Angola? Talvez para não ter de utilizar os mesmos critérios de julgamento que havia empregado contra os EUA na guerra do Vietnã, o que revelaria a imensa hipocrisia com que o conflito fora tratado? E por que a intensa propaganda contra a guerrilha angolana, que prosseguiu até o recente assassinato de seu líder, Jonas Savimbi, apontado pela mídia, durante anos, como um "mercenário, agente da CIA, traficante de diamantes, aliado de negociantes de armas", mas que morreu no meio do mato, ao lado de uns poucos seguidores, em Angola? Autodeterminação e nacionalismo só são válidos sob a bandeira da foice e do martelo, e se contarem com suporte de "internacionalistas" cubanos ou patrocínio soviético, como era o caso do MPLA ou dos comunistas durante a guerra do Vietnã?

O fato é que, após décadas de conflito, e de todo o desperdício de recursos e vidas, apenas escombros restaram em Angola, ainda nas mãos do mesmo governo que loteou o país entre empresas de petróleo, interesses internacionais (inclusive PETROBRÁS e empreiteiros brasileiros), fornecedores de armas e empresas mineradoras. E novamente, a mídia não teve muito interesse em informar que, por trás da "nobre defesa do socialismo", estavam envolvidos interesses bem menos altruístas. Só para variar...


***

Comunicação & Problemas
Tamanho da Fonte Marco Antônio Pontes – Tributo a Octavio Malta (Última Hora, Rio, circa 1960) marcoantoniodp@terra.c Redação Jornal da Comunidade

Fim do apartheid
Já se disse que a Copa da África sacramentou a condenação mundial ao apartheid, vinte anos depois que o extinguiu a eleição de Nélson Mandela.
Bom, a imprensa recordar aquele horror.
Hoje parece difícil acreditar que os muitos e diferentes povos da região que foi berço da humanidade hajam sido arbitrariamente tangidos a conformar um único país e, pior, escravizados pelos colonizadores holandeses e britânicos – origem do “desenvolvimento separado”, eufemismo sob o qual encobriam o absurdo.

Omissão interessada
Porém a imprensa não informou como aquela ínfima minoria conseguiu manter por 42 longos anos uma discriminação tão absurda e cruel.
Deixou de dizer que a partir de 1948, quando se instituiu, o apartheid foi incondicionalmente apoiado pelo Ocidente, como anteparo a eventuais avanços do socialismo no cone sul da África. E que só tardiamente Estados Unidos e Grã-Bretanha permitiram à Onu impor sanções para apressar o fim do estado racista.
Tampouco contaram, nossos principais veículos sempre submissos aos interesses do grande capital (i.e., dos Eua), como afinal acabou o apartheid.

Começo do fim
Felizmente o início do fim está registrado no site Independência Sul-Americana. Leiam artigo de Beto Almeida, de domingo passado – cito um trecho:
“[...] Vitória de uma nação que sequer participou da Copa: Cuba derrotou o exército racista sul-africano em Cuito Cuanavale, Angola, para onde enviara 400 mil soldados, e deu o passo fundamental para a libertação da África do Sul. [...]”

A história:
(A recordar os fatos: enquanto o povo sul-africano rebelava-se contra o apartheid, a “Revolução dos Cravos” em Portugal ensejou a independência de Angola, Moçambique e demais possessões lusas. Simultaneamente crescia a luta pela liberdade na então Rodésia, onde os britânicos impuseram regime similar ao de Pretória. Na iminência de cerco pelos recém-libertados, o governo racista da África do Sul passou por cima da Namíbia e invadiu Angola, para destruir a jovem nação. O apoio cubano foi decisivo para contê-lo e a derrota militar fragilizou-os também internamente.)

A fonte:
Nem tentem os radicais de direita desqualificar essas informações; referenda-as fonte insuspeita, pra lá de ilustre (retomo o artigo citado):
“A Batalha de Cuito Cuanavale foi o começo do fim do apartheid. E isso devemos a Cuba”.
O leitor terá adivinhado quem proferiu a frase definitiva:
“Nélson Mandela, ao fim de 27 anos de prisão” – conclui Beto Almeida.

Fonte: http://comunidade.maiscomunidade.com/conteudo/2010-07-17/opiniao/3821/COMUNICACAO--PROBLEMAS.pnhtml


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