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Artigos-->Leitos de Procusto e Fractal de Mudança -- 18/08/2002 - 22:41 (Ivan Guerrini) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos
Leitos de Procusto e Fractal de Mudança

Quem já ouviu falar de Procusto? Segundo a lenda, ele foi um ladrão que vivia próximo à Elísios, na Ática. Originalmente chamado de Damastes ou Polípemon, ele adquiriu o nome de Procusto ("o Estirador") porque obrigava suas vítimas a se deitarem num leito de ferro e cortava-lhes os pés quando excediam o tamanho deste, ou esticava-os com cordas quando não o atingiam.
É isso que diz o mito e há muita lição para ser tirada nestes tempos de grandes mudanças e, ao mesmo tempo, grandes barreiras impostas às mudanças. Pois é! Como há profusão de Leitos de Procusto hoje em dia! Uns impondo a outros, sem nem mesmo o perceberem. O lendário ladrão tem achado terreno fértil para "reencarnações" sucessivas e multiplicadas, ao que parece. O despertar da consciência verdadeira é a arma para o reconhecimento desses tipos de leito tão disseminados no mundo clássico do falacioso avanço tecnológico. É fácil constatar que esses leitos são necessários, imprescindíveis mesmo, àqueles que tem medo do novo e não se viram sem guias, gurus, cartilhas e bengalas. Ou sem os mestres e chefes de mentalidades medievais, apesar da imponência a eles referendada. É preferível se ajustar ao padrão dominante, mesmo que para isso os remédios se multipliquem e o terror cresça exponencialmente. E dá-lhe Procusto! Muitas e repetidas vezes, quando o universo criativo e transformador nos chama ao sabor inebriante do aroma do sutil espiritual, procuramos desesperadamente um Leito de Procusto mais próximo para nos ajustarmos e nos castrarmos. E não há que se enganar: se estamos deitados em alguns desses leitos, somos nós mesmos os responsáveis. Nada de culpar ninguém, pois temos todo o poder de dizer não a esses leitos. Mordreds desaparecem quando os ignoramos, já dizia Merlin. Outras vezes nos vangloriamos de não mais estarmos deitados nos famosos Leitos de Procusto que nos direcionaram durante tanto tempo em nossas vidas, sem perceber que nos adaptamos a outros tão castradores quanto. Ou ainda piores! O modelo de bifurcação na Teoria do Caos diz que cada nova escolha traz, num tempo subsequente e não-linear, a oportunidade de uma outra escolha e depois outra, depois outra, e assim por diante. Isso define um Fractal de Mudança, como se mostra numa filmagem mostrada na televisão quando se filma a própria televisão: é a imagem dentro da imagem, dentro da imagem, dentro da imagem, etc..., ad infinitum em escala cada vez menor. Nos saltos da Teoria da Evolução, as mudanças são constantes, ainda que não lineares. Portanto, uma, duas ou três mudanças não são suficientes para definir a existência de vida neste ou naquele ser, pelo menos da vida criativa e em profusão que ocorre longe do equilíbrio. Assim, sair do Leito de Procusto 1 e ficar no 2, significa ainda estar nas mãos de Procusto. Essa é a caminhada sem fim do aprendizado dinâmico, aquele em que o ponto de chegada é a própria caminhada. Por isso é que muitos se cansam e acabam procurando um Leito de Procusto mais cedo ou mais tarde, mesmo aqueles que falam da nova ciência, de caos, de complexidade, de fractais, de física quântica, etc... Mesmo aqueles que mudam de emprego, de cônjuge ou de ambiente de trabalho. Quem tem tendência para o velho, envelhece até o novo. Em sintonia com o escrito de S. Johnson, quando diz em "Quem Mexeu em Meu Queijo": "Cheire o queijo com frequência para saber quando está ficando velho", é necessário afastar Procusto e seus leitos todos os dias. Quando há indícios de que o queijo está ficando velho, Procusto está por perto e há necessidade de nova bifurcação para novos rumos da vida. Para quem quer, claro. Do contrário, a energia entrópica e, portanto, mais facilmente disponível do "novo" Leito de Procusto tomará conta da adaptação, trazendo castração e morte dissimulada nesse "novo nível". Interpretar hoje a forte afirmação “Quem comigo não ajunta, espalha”, seria algo como parodiar a pergunta do Mestre com esta outra: “Quem não assume seu Fractal de Mudança, se deita em Leitos de Procusto”.


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