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Ensaios-->Assassinato de Celso Daniel -- 09/04/2010 - 11:57 (Félix Maier) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos
Obs.: Dossiê de autoria do coronel (reformado) do Exército Roberto Monteiro de Oliveira


1

2.O ASSASSINATO DE CELSO DANIEL

“Se Deus não existe, tudo é permitido”
(‘Crime e Castigo’- Dostoievski)

2.1. OS FATOS:

Ao longo das investigações da CPI “dos Bingos” sobre um dos capítulos
do “mar de lama” que tem caracterizado o Governo LULA desde a sua
posse, (o episódio Waldomiro Diniz & GTech & CEF), apareceram indícios
veementes e até evidências consistentes (materiais, testemunhais e circunstanciais)
indicando que o seqüestro em 18/01/2002, e posterior assassinato
cruel do prefeito de Santo André, Celso Augusto Daniel, não fora
“crime comum” – como afirmavam a polícia estadual e os líderes do PT
-- mas sim, ao que tudo indicava, um crime premeditado e encomendado
por motivação outra que NÃO o seqüestro para pecúnia, mas “política”
(latu senso).
Essas evidências foram se tornando cada vez mais consistentes à
medida em que – ao longo dos meses -- se multiplicaram as mortes violentas
de outras CINCO pessoas, indireta e marginalmente ligadas àquele
cruel homicídio, que foram também assassinadas; culminando com uma
oitava vítima, o próprio legista que fizera a autópsia no corpo de Celso
Daniel, o Dr. Carlos Delmonte Printes, que teve morte súbita em outubro
de 2005, até hoje não esclarecida satisfatoriamente, mas que provavelmente
também foi assassinado.
A trágica realidade desses múltiplos assassinatos - NÃO apenas de
meliantes que tiveram participação direta ou indireta no assassinato do
Prefeito - mas somente de pessoas comuns e sem antecedentes criminais,
nos autoriza a afirmar que esse episódio comprova implicitamente o
“apodrecimento” ético do governo LULA, fruto de uma “degenerescência
mafiosa”,- como acertadamente diagnosticou o filósofo Ruy
Fausto (1)
Diante dessa repetição incrível de sete assassinatos em série, é forçoso
concordar com o jornalista Antônio Fernandes -- (verbis): “NÃO! não
se trata de uma quadrilha de assassinos à solta no país. Trata-se de coisa
muito pior...”(pois)...“as evidências de que a morte de Daniel tem a ver
com práticas de corrupção em proveito do PT são múltiplas e esmagadoras”.(
1) (textuais)
Assim, esse incrível “serial killing”(*) passou a ter uma imensa gravidade,
porque comprovava que o cruel homicídio de Celso Daniel, NÃO fora
um simples seqüestro para resgate, (aliás nunca pedido), como pretendem
até hoje nos IMPOR os líderes petistas. (2)
1)“Vocês ainda não entenderam bem com quem estão lidando”- http://www.e-agora.org.br (por
Antonio Fernandes, 23/01/06), citando o filósofo Ruy Fausto, em“As perspectivas da esquerda”-in
FSP- 22/01/06
(*) ‘Assassinatos em série’
2)“Nas entranhas do PT” - (por Breno Fortes in Correio Brasiliense - 8/12/2005)

2
a. O “serial killing”:
- 1º Assassinato: do prefeito de Santo André, Celso Augusto Daniel
que foi seqüestrado por um bando, torturado e DEPOIS assassinado
com requintes de perversidade porque, segundo se supõe, “admitia apenas
corrupção altruísta”, pois a favor do candidato do PT a Presidente (o
Sr. LULA), que consistia em desviar por meio de expedientes ilegais vários,
verbas municipais para engrossar o Caixa 2 do PT nacional, a fim de
viabilizar financeiramente a eleição do Sr. LULA em 2002.
E o móvel do primeiro assassinato teria sido recuperar um “dossiê”
que o prefeito já havia preparado sobre alguns dos seus cúmplices nessa
tarefa “altruística”, que estavam se apropriando de uma parte das importâncias
recebidas como propina e/ou desviadas de pagamentos superfaturados.
Hoje, já está confirmado que esse tipo de irregularidades existia na
Prefeitura de Santo André e também em outras prefeituras do PT, entre
as quais Ribeirão Preto, quando o prefeito era o trotskista Sr. Antônio Palocci;
em Campinas, antes da posse do novo prefeito, o Sr. Antônio da
Costa Santos, o Toninho do PT, (este também assassinado) (*); em Matão,
em Londrina, em São Paulo e, talvez, em outras prefeituras governadas
pelo PT.
Considerando-se as circunstâncias que caracterizaram o assassinato
de Celso Daniel – face à brutalidade com que agiram os meliantes durante
o seu arresto (fato comprovado por várias testemunhas); e pelas múltiplas
e bárbaras torturas a que ele foi COMPROVADAMENTE submetido
antes de ser morto; e, devido aos crudelíssimos detalhes da morte que
lhe infringiram, é lícito concluir que Celso foi assassinado -- por ÓBVIO --
para NÃO revelar as “corrupções altruísticas” utilizadas pelo PT para financiar
a eleição do candidato LULA; e as outras SEIS vítimas que a ele
se seguiram, foram – pela simples lógica -- “queima de arquivo”, visando
encobrir os mandantes, executores, e cúmplices do seqüestro e assassinato
de Celso Daniel, pessoas ligadas de alguma forma – direta ou indireta
-- à Prefeitura de Santo André e/ou ao PT nacional.
- 2º Assassinato: do preso Dionísio Aquino Severo, o “Monstro”,
que fora resgatado de um presídio em Guarulhos, por um helicóptero,
em verdadeira operação rocambolesca,(3)dois dias antes do seqüestro
de Celso Daniel, para chefiá-lo; fato confirmado por depoimentos ao Ministério
Público, que também já havia descoberto que os guardas da mu-
(*)
Quanto ao Prefeito de Campinas, Antônio da Costa Santos, também do PT, foi assassinado em
10/09/2001, ainda no 1º ano do seu 1º mandato, por que – como se supõe -- não concordara com a
“corrupção altruística” que herdara do seu antecessor.
3)“O Ministério Público já descobriu que os guardas da muralha do presídio foram subornados com
R$ 150 mil para não atirar no helicóptero.” – Entrevista de Evaldo Rui Vicentini; e “Nas entranhas do
PT” (por Breno Fortes in Correio Brasiliense - 8/12/2005) (NR: o PT tentou apresentar Ivan Rodrigues
da Silva, como chefe da quadrilha; mas ficou provado que o “Monstro” era Dionísio); ver também
in OESP - Fausto Macedo, em 02/09/2005.

3
ralha do presídio foram subornados por R$ 150 mil para não atirarem no
helicóptero.
O “Monstro” foi recapturado poucos dias depois do assassinato do
Prefeito (sic); mas foi morto golpeado cem vezes por um estilete, dentro
da prisão do Belém, zona leste de São Paulo, em 10/04/2002, ainda no
Governo FHC, antes de prestar qualquer depoimento. Dois dias antes, ele
avisara que contaria em juízo tudo sobre a execução de Daniel. A polícia
nunca conseguiu identificar o matador de Severo.
- 3º Assassinato: - de Antônio Palácio, que morreu em fevereiro
de 2003, num acidente de moto, quando era perseguido por dois homens.
Ele fora o garçom do restaurante “Rubayat” que, na noite do seqüestro,
servira o jantar a Celso Daniel e a seu acompanhante, Sérgio
Gomes da Silva, o Sombra (este, um auxiliar importante e suposto ‘amigo
de confiança’ do Prefeito de Santo André).
- 4º Assassinato: de Paulo Henrique Brito, que havia assistido a
morte do garçom Antônio Palácio que atendera a Celso e Sérgio Sombra
na noite do seqüestro, e que foi morto com um tiro pelas costas também
em fevereiro de 2003.
- 5º Assassinato: de Otávio Mercier, investigador de polícia, que
havia falado com Dionísio Severo, (o chefe da quadrilha) ANTES da sua
fuga do presídio de Guarulhos e que foi assassinado em julho de 2003.
- 6º Assassinato: de Manoel Sérgio Estevam, que havia hospedado
Dionísio (o chefe da quadrilha) logo depois do crime, e que foi assassinado
a tiros em setembro de 2003.
- 7º Assassinato: de Iran Moraes Redua, o sitiante que foi o primeiro
a identificar o corpo do prefeito na estrada de Juquitiba, e que foi
assassinado com dois tiros em dezembro de 2003.
- 8º provável Assassinato: do Dr. Carlos Delmonte Printes, o
legista que fizera a autópsia no corpo de Celso Daniel e que havia afirmado
CATEGORICAMENTE que Celso Daniel fora barbaramente torturado.
O legista Delmonte foi encontrado morto em outubro de 2005 em
seu escritório, poucos dias ANTES de prestar depoimento na CPI “dos
Bingos”.
Mesmo sem o seu depoimento, porém, a hipótese de “crime comum”,
já ficara descartada pela bárbara tortura a que fora submetida a vítima,
fato INDISCUTÍVEL porque documentado por várias fotografias do cadáver
onde aparecem os múltiplos e graves ferimentos e queimaduras, com
cópias também em poder dos irmãos do Prefeito, e difundidas até pela
Internet.
O Dr. Delmonte, ao desmentir as duas teses da polícia e do PT (crime
de seqüestro visando resgate, seguido de assassinato cometido por um
menor de idade) literalmente DESMONTARA a versão oficial do PT de
“crime comum”; e confirmara que o crime tivera motivações outras que
NÃO a obtenção de resgate (NUNCA exigido); permitindo deduzir – por
força da lógica e por exclusão – que o móvel dos mandantes fora VINGANÇA,
ou seja, a rigor - “político” (latu senso).

4
O Dr. Delmonte também já havia afirmado que o menor LSN, (vulgo
LALO), então com 17 anos, (acusado pela polícia de ser o autor dos disparos
no assassinato de Celso Daniel) não matara o prefeito. Contudo,
não justificara porque havia descartado este suspeito.
b. O assassinato do legista Dr. Delmonte :
Até hoje ainda não se sabe COM A NECESSÁRIA certeza, qual a causa
real da morte do Dr. Delmonte. Sabe-se apenas que NÃO foi morte
natural.
Quando o Dr. Delmonte foi encontrado morto, os Órgãos de Comunicação
de Massa (OCMs), o PT e a polícia local, insistiam que a causa da
morte do legista fora suicídio. Como a família não aceitou essa tese, e outros
indícios também a descartavam, todos passaram a afirmar que fora
enfarto. Depois que a autópsia descartou o enfarto como causa, os OCMs
e os líderes do PT voltaram à tese do suicídio. .
O laudo do IML (Instituto Médico Legal), que demorou 70 dias para
ficar pronto, foi “inconclusivo”, além de obviamente ilógico, pois afirma
que Delmonte sofrera uma “asfixia mecânica causada por excesso de secreção
mucosa no canal respiratório”.(textuais) Contudo, o laudo não conseguiu
explicar como se acumulara esse “excesso de secreção” sem que a
vítima, -- médico que era – ao perceber que não conseguia expelir a secreção
por meios normais, não tenha buscado socorro urgente antes que
esse quadro o levasse a óbito. O IML também não determinou qual a causa
e/ou a substância que teria provocado esse “excesso de secreção” –
(uma das hipóteses que se impõe é a de uma asfixia mecânica, provocada
por meio de um saco plástico mantido prolongadamente na cabeça
da vítima por terceiros, até a sua morte. Será que essa hipótese não foi
examinada? ou foi descartada?).
Meses depois, surgiu uma nova hipótese, aventando que o legista teria
morrido vítima de um veneno desconhecido, que não deixa vestígios;
e, dentro dessa hipótese, a Agência Brasileira de Inteligência (ABIN) e a
PF investigavam se o Dr. Carlos Printes morrera depois de tomar uma injeção
letal(*),...talvez ministrada por agentes cubanos...(????)
c. A confirmação das bárbaras torturas:
Em janeiro de 2006, o médico legista Dr. Paulo Algarate Vasques, do
Instituto Médico Legal de São Paulo, confirmou em depoimento na CPI
“dos Bingos”,-- retransmitido para todo o Brasil -- a existência de inúmeras
provas das bárbaras torturas no corpo de Celso Daniel. (4)
(*) “Agência de Inteligência investiga se perito foi morto por injeção letal”- Edição de Domingo - Sábado,
Outubro 15, 2005 da Revista VEJA
(4) “Legista diz que Celso Daniel foi torturado antes de morrer”– (por Rose Ane Silveira - in Folha
On line, - 24/01/2006 - 12h56)

5
Afirmou o Dr. Vasques: (verbis) "O laudo aponta espasmo cadavérico,
expressão de terror e fezes liquefeitas no intestino, que seriam
indícios de tortura. O corpo também apresentava sinais de
queimadura na pele, provocados por cano aquecido de arma de
fogo. Ressalto que os sinais de tortura já haviam sido identificados
em laudo preliminar, elaborado em 23 de fevereiro de 2002,
pelo legista Carlos Delmonte Printes, encontrado morto em outubro
do ano passado". (4)
O depoimento do Dr. Vasques, além de descartar DEFINITIVAMENTE
a hipótese de Celso Daniel ter sido assassinado após seqüestro
para pecúnia, também apontou divergências entre os laudos técnicos e as
declarações prestadas durante a reconstituição do crime, pelo menor LSN
(LALO) que teria assumido a autoria do crime:(verbis) "As fotos da reconstituição
não batem com os achados necroscópicos. O laudo
aponta que ele morreu em conseqüência de traumatismo crânicoencefálico
e tiros. Ao todo foram oito tiros de uma pistola 380
mm, mas os dois tiros no tórax é que foram mortais, os demais
apresentam reações de sinais vitais. Houve dois tiros no rosto,
fragmentação da mandíbula, ossos e dentes, lesões com dimensões
variadas no tórax, coxa, ombro e antebraço direitos". (5)
O “menor” LSN (Lalo) que, antes de se evadir da Febem, havia assumido
a autoria do crime e fora apontado como culpado pela polícia, esteve
foragido até 23/01/06, – quando completou 21 anos – data em que
se entregou.
Em 04/02/06, no entanto, ele retificou essa versão afirmando que só
confessara após ser ameaçado pelos outros integrantes da quadrilha. Em
depoimento de quatro horas à Polícia Civil (6), Lalo voltou a negar a autoria
dos disparos contra o prefeito Celso Daniel, e voltou a depor na Promotoria.
"Ele apresentou já 13 versões diferentes para o mesmo crime. Ele
repetiu uma dessas", disse o promotor Roberto Wider. Segundo Wider, a
profusão de versões não afeta a convicção de que Lalo NÃO foi o autor
dos disparos. "A gente não apontou o adolescente como autor dos disparos.
Esse é um convencimento nosso já de dois anos atrás. E não foi alterado."(
6)(textuais)
Neste último depoimento, Lalo disse ter sido ameaçado por José Edison
da Silva, outro integrante da quadrilha, um dos sete presos pelo assassinato
de Daniel, e este argumentava que, por ser menor de idade,
Lalo não enfrentaria problemas com a Justiça.
(5)“Médico legista assegura na CPI dos bingos que Celso Daniel foi torturado antes de ser assassinado”
- jornalista Vitor Vieira
(6)“Jovem nega ter atirado em Daniel e deixa a Febem” – por Cátia Seabra - da Reportagem local –
FSP 05/02/06

6
Aliás, em depoimento, o irmão de Prefeito, João Francisco Daniel,
informou que -- entre várias outras falhas do primeiro inquérito policial --
o suposto assassino do seu irmão (o menor LALO), não conseguira
reconhecer a foto da “sua” vítima, Celso Daniel, quando esta lhe foi
apresentada por um representante do Ministério Público.
Segundo o novo depoimento de Lalo prestado à delegada Elisabeth
Sato, última policial responsável pela investigação, o “menor” estava vigiando
uma garota seqüestrada dias antes pelo grupo, no mesmo período
entre o seqüestro e a morte de Daniel, de 18 a 20 de janeiro de 2002.
Segundo a delegada, essa versão foi confirmada pela “menor” - liberada
depois do pagamento do resgate.
d. A comprovação da cumplicidade de Sérgio Gomes da Silva:
O seqüestro ocorreu na noite de 18/01/2002, quando Celso Daniel
voltava de um jantar em uma “Pajero” (Mitsubishi) guiada por Sérgio
Gomes da Silva, (o ‘Sombra’), que era pessoa de confiança do prefeito,
com o qual – hoje já se sabe -- estava envolvido no esquema da “corrupção
altruística” de Santo André.
O carro em que estavam foi interceptado e o prefeito violentamente
retirado da “Pajero” e transportado para outro carro, dentro do qual foi
levado para o local onde foi torturado barbaramente e assassinado com
os requintes de perversidade descritos pelo perito Dr. Vasques.
Dias depois, Daniel foi encontrado morto em uma estrada de terra
em Juquitiba (SP).
1) Uma testemunha ocular poupada pelos seqüestradores?
Note-se, porém, que já ficara provada a cumplicidade de Sérgio (o
Sombra) no seqüestro, pois testemunhas já haviam afirmado que, no
momento do seqüestro, incrivelmente, ele fora poupado pelos “seqüestradores”,
enquanto falava em seu telefone celular e tinha em uma das
mãos um revólver.
Além disso, segundo os promotores criminais Roberto Wider Filho e
Amaro José Thomé Filho, o laudo técnico e a reconstituição confirmam
que existia um terceiro carro na ação criminosa, o que "desmente mais
uma vez" todo o depoimento do “empresário” Sérgio pois ele, no momento
do seqüestro, “estava interagindo com o grupo criminoso”, (7) pois estava
fora do carro, falando ao celular e com uma arma em punho. “Ora,
nenhum assaltante permitiria que uma vítima ficasse armada durante a
ação", afirmou o promotor Thomé Filho.
Por conseguinte, todas as evidências indicam que o “empresário”
Sérgio (o Sombra) não foi um cúmplice menor no seqüestro e assassina-
7)“Novo laudo aponta 3º carro em morte de Celso Daniel”- Lílian Christofoletti (in FSP on line-
07/05/2005 - 09h45)

7
to: o mais provável é que ele tenha sido um misto de mandante e executante
material do que fora planejado por alguém ou por um grupo de implicados;
sendo MUITO pouco provável que ele tenha sido o ÚNICO e/ou o
PRINCIPAL mandante.
O primeiro inquérito, feito por policiais da confiança do PT, mas
contestado pela família de Celso Daniel, afirmava que: (verbis )“...o
prefeito foi seqüestrado por engano por uma quadrilha de seqüestradores
que, ao saber depois da identidade da vítima, com medo, resolveu livrarse
dela”. E acrescenta, “... o chefe dos bandidos mandou soltar o prefeito,
mas devido a uma falha de comunicação entre ele com outro integrante
da quadrilha, que entendeu a ordem de modo errado, Celso Daniel
acabou sendo executado”.(8)
Essas conclusões do primeiro inquérito, simplesmente fantasiosas,
torna lícito concordar com o Jornalista Rui Nogueira que concluiu: (verbis)“...
o governo FHC não podia aceitar que os petistas indicassem os delegados
destacados para a missão. (O delegado) Luna disse na CPI dos
Bingos... que ele e Marcelo Baltazar foram indicados por lideranças petistas
(cujos nomes eles não se recordavam!).
E o jornalista deduziu acertadamente que:“O Deic, do governo do Estado,
diante dos furos revelados pelos legistas, não entrou para investigar,
mas para corroborar a tese prévia do PT: de que Celso Daniel fora vítima
de um crime comum...”. (textuais)(9)
2) A participação do ‘Sombra’ na dinâmica do seqüestro:
Em interrogatório anterior, um dos homens presos pelo assassinato
de Celso Daniel, cujo nome foi mantido em sigilo, havia afirmado diante
do juiz Luiz Fernando Prestes, de Itapecerica da Serra (SP), em dezembro
de 2003, que não assassinara Daniel e que nem conhecia a Sérgio Gomes
da Silva.
Com a promessa de “delação premiada”, em novo depoimento de
16/09/05, ele confirmou em juízo a participação no crime e acusou diretamente
a Sérgio como mandante, afirmando que Sérgio Gomes da Silva
se comprometera a pagar R$ um milhão pelo seqüestro do Prefeito. (10)
Em seu depoimento, esse preso disse ao juiz que o objetivo do seqüestro
era "arrancar" de Daniel os documentos que supostamente interessavam
a Sérgio Gomes da Silva. E concluiu dizendo que os papéis foram
recuperados, e -– somente depois -- a ordem para o assassinato lhe
foi dada.
8)“João Francisco Daniel, irmão do prefeito assassinado Celso Daniel fala para a CPI dos Bingos.”- in
Wikinotícias – 02/09/2005
9)“PT,Celso Daniel e PSDB: teoria conspiratória reversa” Rui Nogueira, Primeira Leitura, 24/01/06)
10)“Preso afirma que matou Daniel por R$ 1 mi” - Com promessa de delação premiada, preso muda
depoimento e acusa Sérgio Gomes da Silva de ser o mandante do crime (Lílian Christofoletti - in
FSP- 17/09/05) (e in OESP- Fausto Macedo, em 02/09/2005)

8
Nesse mesmo depoimento, o preso afirmou ainda que o empresário
"facilitara" o seqüestro do petista e descreveu com precisão a dinâmica
do seqüestro, tal como ocorrera no dia 18/01/2002.
Segundo ele, minutos antes do seqüestro, enquanto o ex-prefeito
jantava com Sérgio Gomes da Silva, a quadrilha recebeu uma ligação de
Sérgio, que avisava que ele e o prefeito estavam saindo do restaurante.
Ele ainda relatou que: (verbis) "Eu e os meus companheiros já estávamos
nos “Três Tombos” [local do arrebatamento de Daniel]... aguardando
[...]. Fizemos o que já tinha sido combinado antes, fechar você
[Sérgio Gomes da Silva] com a Blazer, atirar nos pneus e nos vidros e,
depois, você destravava as portas do carro".(10)
Esse preso mantido em segredo, afirmou ainda que no dia
12/08/2005, enviara uma carta a Sérgio e outra ao Dr. Roberto Podval
advogado de Sérgio, cobrando o suposto valor combinado pelo crime.
Na carta, o preso dizia: (verbis) "você nos contratou para pegar o
prefeito Celso Daniel, para arrancar os documentos que estavam com ele
e, depois, eliminar o mesmo. Nós fizemos o que você mandou no dia certo".
E continuava: "Já se passaram muitos anos depois do acontecido e
você sequer nos procurou. Nós não iremos segurar tudo isso para você"(
10)
Ele disse ter escrito essa carta em nome dos outros seis presos pela
morte do prefeito - o que os demais membros da quadrilha da Favela
Pantanal negam. A carta foi anexada ao processo pelo Dr. Podval advogado
do ‘Sombra’.
O fato é que, todo o depoimento desse preso, inclusive a carta,
guardam coerência perfeita com a descrição dos fatos relatados por testemunhas
e com outros dados já confirmados, entre eles, as características
técnicas da “Pajero“ (Mitsubishi), 4X4, que era um carro blindado
e cujas portas NÃO abriam pelo lado de fora,(*) o que vem a confirmar
que Sérgio realmente “facilitou” o seqüestro abrindo as portas por
dentro e ajudando no arrebatamento de Celso. (11)
Aliás, João Francisco, irmão do Prefeito, já afirmara que existe uma
testemunha que viu Sérgio Gomes da Silva, chutar o seu irmão para fora
do carro, no momento do seqüestro.
Além disso, a Promotoria afirma que os tiros atingiram a Pajero
quando ela JÁ estava parada; o que garante não ter existido nenhum
problema mecânico que justificasse a parada do carro; nem
(*)A polícia NUNCA questionou o que (ou a quem) temia Celso Daniel, a ponto de justificar a compra
de um veículo blindado, que NÃO abria as portas por fora, por US$ 100.000 (cem mil dólares).
11)“Novo laudo aponta 3º carro em morte de Celso Daniel”- (Lilian Christofeletti - FSP de
07/05/2005)

9
que tivesse provocado o destravamento ocasional das portas devido
a qualquer defeito.
Sobre o novo depoimento desse preso oculto, o promotor Roberto
Wider Filho afirmou que: (verbis) "O depoimento dele é consistente, tem
detalhes. Quanto à delação premiada, isso é uma garantia constitucional.
Nós também oferecemos esse benefício a Sérgio Gomes da Silva", mas é
óbvio que este não aceitou a oferta.
Um novo laudo técnico posterior sobre o assassinato do prefeito Celso
Daniel, confirmou que, minutos depois de o petista ter sido seqüestrado,
foram efetuados pelo menos dois disparos com arma de fogo. Os tiros
partiram, segundo a perícia, de um carro em movimento.
Com esse laudo em mãos, o Ministério Público acredita ter uma prova
da participação de um terceiro carro no crime, e da cumplicidade do ”empresário”
Sérgio Gomes da Silva, que já foi denunciado sob a acusação de
ser o mandante da morte de Celso. Ele nega tudo.
Nesse terceiro carro estaria Dionísio Aquino Severo, o Monstro, apontado
pela Promotoria como o elo entre o “Sombra” e a quadrilha que seqüestrou
e assassinou Daniel.
Afirmou o promotor Thomé Filho: "O laudo confirma que, no momento
em que são registrados os disparos, Sérgio [Gomes da Silva] estava
interagindo com o grupo criminoso. Ele estava fora do carro e de arma
em punho. Nenhum assaltante permitiria que uma vítima ficasse armada
durante a ação".(11) (textuais)
Os depoimentos incisivos, consistentes e bem fundamentados prestados
na CPI “dos Bingos” pelos irmãos do Prefeito assassinado, João
Francisco e Bruno José, -- e transmitidos ao vivo para todo o Brasil –
também acrescentaram mais uma robusta prova testemunhal de que o
assassinato do Prefeito Celso Daniel NÃO FORA CRIME COMUM o que, aliás,
já ficara muito bem estabelecido pelas provas materiais das bárbaras,
múltiplas e prolongadas torturas infligidas à vítima, constantes do depoimento
do médico legista, Dr. Paulo Algarate Vasques: (verbis) “espasmo
cadavérico, expressão de terror e fezes liquefeitas no intestino,... indícios
de tortura” e “sinais de queimadura na pele, provocados por cano aquecido
de arma de fogo...etc.”.
Também pelas características do assassinato, perpetrado com crudelíssimos
requintes de perversidade motivada, por óbvio, por vingança,
(verbis) “traumatismo crânico-encefálico... oito tiros de uma pistola 380
mm,... dois tiros no tórax ...dois tiros no rosto, fragmentação da mandíbula,
ossos e dentes, lesões com dimensões variadas no tórax, coxa, ombro
e antebraço direitos”, que os seqüestradores haviam infligido à vítima.
Esse longo depoimento do Dr. Vasques, descartou DEFINITIVAMENTE
as duas teses dos principais líderes do PT e da polícia local, de
que Celso Daniel fora assassinado após seqüestro para pecúnia e desmentiu
a tese da autoria pelo menor LSN (LALO), também DESMENTIDA

10
pelas várias divergências entre os laudos técnicos e pelos erros cometidos
pelo “menor” durante a reconstituição; e pelo próprio LALO, em depoimento
posterior, quando atingiu a maioridade.
3) Onde estará hoje o `Sombra`, elo mais fraco no quebracabeças
do assassinato de Celso Daniel ?
Sérgio Gomes da Silva (o Sombra), ‘melhor amigo’ de Celso Daniel
foi denunciado pelo MP por homicídio triplamente qualificado, como
mandante do seqüestro e assassinato do prefeito; a denúncia foi
acolhida e o ‘Sombra’ teve a prisão preventiva decretada pela Justiça de
Itapecerica da Serra, na Grande São Paulo, em 10/12/2003.
Ele se entregou à polícia no dia seguinte.(sic)
Em julho de 2004, o Ministro Nelson Jobim, à época presidente do
Supremo Tribunal Federal – notório amigo do Presidente LULA – em
decisão monocrática,(*) concedeu liminar em um HC para libertar o
empresário sob o fundamento de que “não havia razão para a manutenção
da prisão preventiva.” E, na mesma data, o então presidente
do STJ, ministro Edson Vidigal – outro conhecido amigo do Presidente LULA
-- concedeu-lhe liminar em HC, por excesso de prazo ocorrido desde a
prisão.
Nenhum dos dois Ministros justificou a sua decisão de libertar um réu
denunciado como mandante de um seqüestro por bando, seguido de
bárbaras torturas e assassinado com requintes de crueldade – portanto,
um crime hediondo. Ambos simplesmente ignoraram o Art. 5º
inciso XLIII da CF, que define os crimes hediondos como “inafiançáveis
e insuscetíveis de graça, etc.”
Três anos depois, na tarde de sábado 27/01/2007, o Sombra foi levado
às pressas, logo após retornar de uma viagem, com suspeita de enfarte
e internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) cardiológica do
Hospital Santa Catarina, na Avenida Paulista, Bela Vista, região central de
São Paulo.
Segundo funcionários do hospital, o ex-petista foi submetido a um
cateterismo na segunda-feira (29), e ficou internado durante dez dias,
entre 27 de janeiro e 5 de fevereiro.
Novamente, em 18/04/2007, segundo a assessoria de imprensa do
Incor,(**)o Sombra deu entrada às 11h46 na Unidade Clínica de Emergência
do Instituto do Coração do Hospital das Clínicas, com queixa de
(*)
in ‘GLOBO” 29/01/2007 - 22h00m - Atualizado em 30/01/2007 - 07h51m; e in ‘Resenha da Assessoria
de Imprensa’: in ‘Diário Catarinense’ - 15/07/2004 – “Ministro Nelson Jobim, do Supremo
Tribunal Federal, manda soltar empresário suspeito de matar Celso Daniel” – Disponível em:
http://www.tj.sc.gov.br/resenha/0407/040715.htm
(**
) Globo Notícias -19/04/2007 - 17h26 - Atualizado em 20/04/2007 - 07h37- Disponível em:
http://g1.globo.com/Noticias/Politica/0,,MUL24268-5601,00.html

11
dor precordial (dor no peito) e teve alta às 19h do mesmo dia. Ainda de
acordo com a assessoria, o paciente foi liberado depois de ser submetido
a exames médicos e de diagnóstico para afastar hipótese de emergência
cardiovascular...
Nada se sabe sobre ele depois dessa 2ª internação.
Diante dos antecedentes desses ‘assassinatos em série’, uma dúvida
rigorosamente pertinente deveria assaltar a qualquer investigador competente:
onde estará hoje o ‘elo mais fraco’ na trama do assassinato de Celso
Daniel? Ainda está VIVO? e/ou ainda está “hospitalizado”?
Este episódio teve MUITO pouca divulgação na mídia que – como
sempre, aliás - vem guardando um silêncio cúmplice e sine qua non,
pois demonstrou muito pouco interesse em questionar e investigar essa
súbita “doença” do ‘elo mais fraco’...
Onde estará hoje o “Sombra”? estará ainda vivo e/ou estará ainda
habilitado a responder perguntas com lucidez?
2.3. A TENDENCIOSA ATUAÇÃO DA ALTA LIDERANÇA DO PT:
a. O Dr. Gilberto Carvalho, personagem-chave neste crime :
1)Acareação entre os irmãos de Celso Daniel e Gilberto Carvalho:
Diante das incongruências entre as afirmações dos dois irmãos de
Celso Daniel e as do Dr. Gilberto Carvalho, atual Chefe de Gabinete do
Presidente LULA, foi promovida uma acareação entre este e os irmãos do
Prefeito.
Os dois irmãos de Celso Daniel foram solidamente convincentes
quando – nessa acareação transmitida ao vivo para todo o Brasil – acusaram
taxativamente, com riqueza de detalhes, o Dr. Gilberto Carvalho, na
época Secretário Municipal no Governo de Celso Daniel, de lhes ter revelado
mais de uma vez, diante de alguns de seus parentes (cuja identidade
preferem preservar), que ele era pessoalmente o portador das importâncias
arrecadadas como propina e/ou desviadas de pagamentos superfaturados,
encaminhadas por Celso Daniel diretamente para o Sr. José Dirceu,
a fim de nutrir o caixa do PT, com vistas à eleição de 2002.
As quantias, segundo Gilberto mesmo lhes revelara, eram transportadas
em dinheiro vivo, o que lhe causava preocupações – e esse transporte
de numerário em espécie, foi indiretamente confirmado por uma
ex-empregada doméstica do Prefeito que afirmou ter visto, quando trabalhava
no apartamento de Celso Daniel, volumes de notas empacotadas
em duas sacolas com dinheiro, oito meses antes de seu assassinato. E,
ainda, por um ex-funcionário do restaurante Baby Beef, de Santo André,
que disse em seu depoimento ter visto diversas vezes, Sérgio Gomes da
Silva, o Sombra, o empresário Ronan Maria Pinto, o ex-vereador petista

12
Klinger Luiz de Oliveira e o próprio Celso Daniel assinando documentos e
contando dinheiro nas dependências do restaurante.
Na acareação, o Dr. Gilberto, ao contrário dos dois irmãos do
Prefeito, demonstrou total INSEGURANÇA e foi repetidamente evasivo,
apelando para questões menores paralelas e para subterfúgios,
detalhes que demonstravam nitidamente que ele MENTIA.
Os parlamentares da oposição, sem experiência em interrogatórios
policiais, - e atrapalhados repetida e deliberadamente por senadores
do PT, - não souberam aproveitar essas vulnerabilidades
das respostas do Dr. Gilberto, para reinquiri-lo energicamente.
2) O Dr. Gilberto, já admitira a tortura e o cruel assassinato
do Prefeito:
A propósito da obstinação do PT em afirmar ATÉ HOJE que houve
crime comum, existe um paradoxo ainda NÃO investigado satisfatoriamente,
comprovando que, enquanto os principais líderes do PT – o Presidente
LULA, inclusive -- insistem TEIMOSAMENTE na tese do crime comum
e na inexistência de torturas, o Dr. Gilberto Carvalho, em abril de
2002, JÁ AFIRMARA POR ESCRITO que Celso Daniel fora
barbaramente torturado e tivera seu rosto desfigurado, como ele próprio
afirmou em “Carta a um querido Amigo...”, artigo publicado pelo Diário
do Grande ABC em 16/4/2002, data do aniversário do prefeito Celso
Daniel, morto dois meses antes, escrito pelo próprio Gilberto:
(verbis) “De nossa parte, como diz o Lula, nós só queríamos
poder cuidar de tuas dores, de teu sofrimento, dos ferimentos que
tão cruelmente te provocaram sem razão nenhuma, para assim
recompor tua face, teu rosto...” (12 ) (textuais)
Note-se que Gilberto nesse artigo compromete LULA como sabedor
das torturas e da cruel deformação do rosto de Celso. Portanto, o candidato
LULA já sabia (seja por Gilberto, seja por qualquer outra via) e “queria
poder cuidar... dos ferimentos que tão cruelmente foram provocados
sem razão nenhuma” (ao “amigo”) e assim “recompor” o rosto e a face
do Prefeito, desfigurados pelos cruéis assassinos.
Essa é a ÚNICA interpretação POSSÍVEL, pela leitura direta e textual
dessa longa frase de Gilberto.
A hipótese de LULA desconhecer as dramáticas circunstâncias da
morte do seu “amigo”, descritas por Gilberto no jornal, seria este ter sonegado
essa circunstância relevantíssima aos seus dois chefes diretos
(LULA e Dirceu) que o haviam enviado para Santo André com uma missão
12)“Carta a um querido Amigo...” de autoria de Gilberto Carvalho - Publicada pelo Diário do Grande
ABC em 16/4/2002, data do aniversário do prefeito Celso Daniel, assassinado dois meses antes, em
janeiro 2002

13
ESPECIAL ainda MAL explicada até agora. Mas esta hipótese obviamente
deve ser descartada, pois é de uma total incongruência.
Diante desse artigo do Dr. Gilberto, contendo tão categóricas afirmações,
irretratáveis porque feitas por escrito e divulgadas pela imprensa,
é IMPOSITIVO concluir que a gritante irracionalidade das mais
representativas lideranças do PT, e principalmente do Sr. LULA, comprovam
que A ALTA DIREÇÃO DO PT tudo tem feito – LITERALMENTE --
para impedir que as investigações sejam orientadas no sentido de se descobrir
os verdadeiros mandantes, executores e cúmplices desse “serial
killing”.
A realidade é que, o Sr. LULA já tinha pleno conhecimento ainda
quando CANDIDATO das bárbaras torturas e dos detalhes crudelíssimos
do assassinato do seu “amigo” – (no mínimo) desde abril de 2002 – e,
mesmo assim, nada fez para que fossem rigorosamente apurados quais
os reais MANDANTES, os executores e os cúmplices desse “crime hediondo”;
(assim tipificado por que cometido por bando, seguido de bárbaras
torturas e posterior assassinato cruel, com requintes de perversidade,
e várias circunstâncias que indicam como móvel uma VINGANÇA(*) furibunda).
LULA, a DESPEITO DISSO TUDO, continuou a apoiar publicamente a
versão do “crime comum” – que JÁ SABIA falsa.
3) Perguntas a serem feitas a Gilberto Carvalho:
Por que um teólogo e filósofo formado pela Universidade do Paraná,
o Dr. Gilberto Carvalho, paranaense de nascimento, “petista histórico”
e figura destacada do PT nacional, homem de confiança de LULA e José
Dirceu, foi indicado por esses dois titulares do 1º escalão do PT-Governo
ao Prefeito Celso Daniel, para “auxiliá-lo” na administração municipal de
Santo André – onde ele mesmo se definiu como um “estrangeiro” – tendo
sido nomeado Secretário de Comunicação (e foi depois Chefe de Gabinete
e Secretário de Governo do novo Prefeito que substituiu Celso) até retornar
ao Palácio do Planalto como Secretário de LULA e, depois, como seu
“Chefe de Gabinete”?
Quais os verdadeiros motivos, que NUNCA ficaram suficientemente
esclarecidos para essa indicação TÃO especial, mas que, segundo foi publicado,
foi causada pelos desentendimentos entre Celso Daniel e Sérgio
Sombra, este um dos principais auxiliares do Prefeito, circunstância que
exigiria um “quadro experiente, afeito ao diálogo e de estilo conciliador”
que, segundo Lula e Dirceu, poderia “repor o trem nos trilhos sem grandes
traumas” no Município? Que “traumas”?
Por que o Secretário Gilberto Carvalho pediu (e obteve) do Prefeito
Celso Daniel uma “licença” temporária do seu “cargo de confiança” dias
(*) O cadáver foi encontrado com a cueca vestida pelo avesso o que – na simbologia da ‘bandidagem’
– significa TRAIDOR.

14
antes do seqüestro, e reapareceu e reassumiu somente dias depois da
descoberta do corpo, já com o novo Prefeito?
Onde ele esteve durante esses vários dias? O que – minuciosamente
-- fez durante essa longa ausência? Onde foi? Onde ficou alojado? Com
quem falou, e/ou se ligou durante cada um dos dias da ‘licença”? Testemunhas
idôneas e oculares? Quebra dos seus sigilos bancário e telefônico?
Uma última pergunta muitíssimo importante seria: quando Gilberto
pediu a licença, Freud Godoy permaneceu em Santo André? ou o acompanhou?
Detalhadamente, onde estiveram, o que fizeram? Testemunhas
idôneas?
- Hipóteses coerentes: (A) Gilberto deixou a área para isentar-se,
pela ausência, de uma suspeita posterior; (B) Gilberto afastou-se da função
para poder coordenar e participar do interrogatório do Prefeito, na recuperação
do dossiê (que ajudara a elaborar?); (C) Gilberto deslocou-se
até onde estava o verdadeiro mandante do seqüestro e assassinato, para
dissuadi-lo do seu intento.
b. Freud Godoy um novo “personagem-chave”: (13)
Em out./2006 no bojo da investigação do “dossiê” das “sanguessugas”,
que supostamente incriminaria os candidatos do PSDB (José Serra e
Alckmin) nas compras superfaturadas das ambulâncias, surgiram dois novos
personagens estreitamente ligados ao Presidente LULA:
– um deles o Sr. Freud Godoy, segurança particular do Presidente,
que gozava de uma intimidade promíscua com ele, pois até o “tuteava”.
Freud seria o principal dos conspiradores na compra desse falso “dossiê”;
ele é aquele personagem que apareceu na 1ª página do Estadão, fazendo
“cooper“ ao lado do Presidente, em foto que ficou famosa; e
- o outro personagem, o enfermeiro (sic) petista Jorge Lorenzetti,
um dos “diretores”(!?) do BESC e chefe do ‘núcleo de informação e inteligência’
(?) da campanha do presidente Lula da Silva à reeleição, também
seu “churrasqueiro” preferido e, portanto, seu íntimo.
Lorenzetti admitiu que negociou com o empresário Luiz Antônio Vedoin,
chefe da máfia dos “sanguessugas”, para tentar obter o dossiê contra
José Serra - por orientação do PT. O advogado de Lorenzetti disse ainda
que ele não negociou a parte financeira e que acreditava que o dossiê
lhe seria entregue de graça.(*)
Freud Godoy, foi apontado pelo petista Valdebran Padilha e pelo expolicial
Gedimar Pereira Passos, presos em flagrante com R$ 1,7 milhão
13) Fontes: A candidata a senadora por SP, Ana Prudente; e Rui Vicentini, assessor do Senador Roberto
Freire (Presidente do PPS).
(*)“Lorenzetti admite que negociou com Vedoin, mas sem tratar da parte financeira”- disponível
em: http://opiniaoenoticia.com.br/interna.php?mat=5667

15
em reais e em dólares, como sendo a pessoa que teria autorizado o pagamento
de R$ 1,7 milhão por informações contra José Serra.
Genimar trabalhou como segurança em campanhas eleitorais do candidato
petista e disse que seu "chefe" era Freud Godoy, o então assessor
especial do presidente; e afirmou que, a pedido da Executiva Nacional do
PT, estava no hotel onde foi preso.(**)
Freud Godoy foi chamado a depor no Inquérito Policial sobre a morte
de Celso Daniel porque o irmão do Prefeito (João Francisco, o médico) afirmou
que à época do assassinato de Celso, ele era o principal (ou o chefe)
dos seguranças do Prefeito; e fazia a segurança de Gilberto Carvalho
ou de Sérgio (o ‘Sombra’), que usavam um automóvel para carregar em
dinheiro vivo a propina arrecadada, quando iam entregar em São Paulo a
José Dirceu ou ao candidato LULA.
Esse Freud é o mesmo Freud que tinha uma empresa de segurança
em Santo André (a “Caso Comércio e Serviço”- CASO); e à época do assassinato
de Celso Daniel, era estreitamente ligado a Sérgio Gomes, o
Sombra.(14)
A empresa de segurança CASO, prestava serviços ao PT e ao prefeito
Celso Daniel, e recebeu R$ 98,5 mil em 2003, de uma das agências de
Marcos Valério de Souza, o operador do “mensalão”. A operação foi feita
em 21 de janeiro de 2003 no Banco Rural.
E ficou confirmado que a “Caso Comércio e Serviço” realmente recebeu
o dinheiro da SMP&B Comunicação, pois a transação consta da contabilidade
de Marcos Valério na base de dados da CPI dos Correios.(14)
Rosângela Cabrini, proprietária de uma empresa de ônibus em Sto André,
confirmou em depoimento à polícia na condição de vítima do “propinoduto”
instalado na prefeitura de Santo André, que Freud Godoy era quem
acompanhava o Sombra ou Gilberto Carvalho no ato do recebimento dos
propinas cobradas de sua empresa pelo esquema. E Bruno Daniel, irmão
do Prefeito confirmou que empresários da região eram obrigados a repassar
os recursos quando eram achacados de forma acintosa, ameaçados por
Sérgio, o Sombra: “O Sérgio chegava a colocar a arma na mesa quando
conversava com os empresários” - declarou Bruno.
O Sr. Rui Vicentini, assessor do Senador Roberto Freire (Presidente
do PPS), afirmou que conhecia bem o inquérito policial sobre o assassinato
do Prefeito (fato confirmado pela candidata ao Senado em São Paulo,
Ana Prudente) por que fora encarregado pelo Presidente do PPS, para acompanhar
o inquérito policial, razão pela qual ele até tinha cópia (parci-
(**)
“Delegado que vazou fotos abre investigação paralela” – Lílian Christofoletti – da reportagem
local - FSP – 02/10/06
14)“Marcos Valério pagou empresa de Freud Godoy“ - DA SUCURSAL DE BRASÍLIA DA AGÊNCIA FOLHA,
EM BELO HORIZONTE , 21/09/06

16
al?) de documentos do inquérito sobre a morte de Celso Daniel. Afirmou
que até mesmo assistira o depoimento de Freud Godoy na polícia.(13)
Segundo Vicentini, o Sr. Freud aparece em todas as fitas-cassetes
gravadas, que estavam de posse do juiz Rocha Matos, registrando diálogos
entre os evolvidos nesse inquérito. Nelas era o Dr. Gilberto Carvalho,
quem os orientava. (As fitas foram consideradas ilegais, e mandadas destruir
pela Justiça – mas o Juiz Rocha Matos teria feito uma outra cópia).
Há um diálogo nas fitas ainda de posse do juiz Rocha Matos, onde
Gilberto Carvalho é consultado por Freud Godoy como proceder, e recebe
dele ordens para que destrua todas as fitas e provas encontradas no apartamento
de Celso Daniel. (13)
De fato, Freud Godoy e a “ex-esposa” de Celso Daniel, Míriam Belchior,
invadiram o apartamento do Prefeito, de onde teriam levado os documentos
que comprovavam que a cúpula do PT estava envolvida na corrupção
de Santo André, (e, provavelmente, também um misterioso laptop,
cuja existência é negada pela “ex-esposa” do Prefeito, mas é confirmada
pela empregada que a este servia).
Freud Godoy também foi o responsável pelo furto das fitas de vídeo
da segurança do edifício onde Celso Daniel residia, nas quais estavam
gravadas a sua entrada e a da “ex-esposa” no Edifício; e foi também ele
quem violou o livro de registro de visitas, do qual arrancou as páginas
onde seus nomes estavam registrados. O porteiro do edifício confirmou à
polícia que fora Freud quem arrancara essas páginas do livro de visitas do
edifício de Celso Daniel. (13)
c. As incongruências do Relatório da CPI dos Bingos:
A chamada “CPI dos Bingos” foi a mais efetiva, mais atuante e
mais objetiva de todas as CPIs que apuravam “desvios de conduta” do
PT e do Presidente Lula, por que conseguiu tomar depoimentos realmente
consistentes, bastantes elucidativos e muito conclusivos.
Tendo começado pela investigação do episódio “Waldomiro Diniz &
GTech & CEF”, devido aos desdobramentos imprevistos provocados pelos
depoimentos de testemunhas que denunciavam fatos gravíssimos relacionados
com o assassinato do Prefeito Celso Daniel, acabou dedicando-se
predominantemente à investigação deste episódio.
Portanto, se esperava que o seu Relatório fosse mais convincente e
mais conclusivo e que apontasse explicitamente os verdadeiros responsáveis
por esse “serial killing”.
Entretanto, o relator desta CPI, senador Garibaldi Alves (PMDB-RN),
deixou de propor o indiciamento de Gilberto Carvalho, chefe de gabinete
do presidente Lula, embora ele seja citado 50 vezes nas 78 páginas do
capítulo que aborda o assassinato do prefeito de Santo André. (15)
15)“Apesar de citado 50 vezes, assessor de Lula se livra na CPI” - Rosa Costa - O Estado de S.Paulo
(SP) - 19/6/2006

17
Apesar das citações, dos indícios e das acusações a Gilberto, o Senador
Garibaldi também não pediu o seu indiciamento, nem o de José Dirceu.
No texto, porém, o Relator o aponta como protagonista dos esquemas
de irregularidades administrativas na prefeitura montados antes da
morte do prefeito e, depois, na dificultação das investigações.
No primeiro caso, o Relator se refere a Gilberto como o encarregado
de entregar ao então presidente do PT, José Dirceu, o dinheiro extorquido
de empresários da cidade, acusação também já feita ao Ministério Público
e à CPI pelos irmãos de Celso Daniel, João Francisco e Bruno Daniel.
Após o assassinato, em 2002, o Relator cita Gilberto, o chefe de gabinete
do presidente Lula como um dos principais estrategistas da operação
para impedir a investigação do crime. O Relator reproduz os diálogos
grampeados pela Justiça nos quais Carvalho aparece orientando pessoas
envolvidas no esquema, como Sérgio Gomes da Silva, de forma a beneficiarem
a versão de “crime comum”.
No texto do Relatório, Garibaldi Alves incluiu até mesmo o diálogo de
Gilberto Carvalho e Sérgio, o Sombra articulando uma tática para desviar
os motivos do crime. Ainda assim, o relator não citou o chefe de gabinete
de Lula nem José Dirceu na lista das 79 pessoas que, na sua opinião, deveriam
ser indiciadas pelo Ministério Público.(15)
A decisão de Garibaldi conseguiu desagradar a todos, à oposição e ao
presidente da comissão, senador Efraim Morais (PFL-PB).
Eles alegam a existência de fortes indícios sobre a participação de
Carvalho e Dirceu no esquema de extorsão e na criação de dificuldades
para a investigação do assassinato, fatos que foram inclusive denunciados
pelos irmãos de Celso Daniel, João Francisco e Bruno Daniel.
O nome de Lula NEM foi citado no seu Relatório.
Um único Senador (Álvaro Dias do PSDB-PR) propôs ao relator Garibaldi
Alves que incluísse no Relatório o pedido para que o Ministério Público
apure a responsabilidade do Presidente LULA no esquema de corrupção
em Santo André e com relação aos pagamentos feitos em seu benefício
pelo seu ex-caixa e amigo, Paulo Okamotto. E não foi atendido.(*)
O Sen. Garibaldi Alves (PMDB-RN) era pré-candidato a governador do
RGN e tentou obter o apoio do PT.
4) O Dossiê de Celso Daniel
Quanto ao “dossiê” que Gilberto havia preparado para o Prefeito, o
seu irmão João Francisco Daniel afirmou: (verbis) "Nós da família de
Celso encontramos um envelope em seu apartamento, que já foi entregue
ao Ministério Público, que continha um organograma e um conjunto de
documentos da evolução patrimonial de várias pessoas, dentre elas,
(*)“CPI dos Bingos tem relatório aprovado” 21/06/2006; “O Relator da CPI Senador Garibaldi Alves,
não incluiu os pedidos de indiciamento do ex-ministro José Dirceu e de Gilberto Carvalho...”;e nem
citou o nome de LULA. Disponível em: http://www.milenio.com.br/milenio/noticias/ntc.asp?Cod=72

18
Sérgio Gomes da Silva. O envelope contendo esses documentos foi
entregue para Celso por Gilberto Carvalho, que já confirmou isso em
declaração feita ao Ministério Público" (16)
Ora, se já houve um depoimento ao MP sobre isso, onde está ele, e
por que essa confissão do Dr. Gilberto, já feita por escrito, até agora foi
sonegada aos novos Promotores?
A propósito, João Francisco explicou que, em Santo André tramitam
dois processos: um relativo às fraudes nas licitações e outro sobre a exigência
de pagamento mensal de propina por parte de empresários de ônibus.
Em Itapecerica da Serra, tramita o processo relativo ao assassinato
de Celso Daniel. Nesses três processos há sempre um personagem
comum: Sérgio Gomes da Silva (o Sombra), que já foi denunciado como
mandante do crime por ter participado comprovadamente do seqüestro,
e que já teria pagado US$ 40 mil dólares aos seqüestradores.
Bruno Daniel, o irmão caçula de Celso, – referindo-se a essa teimosia
obstinada dos líderes do PT quanto ao “crime comum” – afirmou na CPI
argumentando coerentemente que: (verbis) “quem aceita a tese de crime
comum, aceita a tese de que não houve tortura, aceita que não houve a
troca de roupa de Celso; aceita a idéia de que não houve participação de
Dionízio, um presidiário do presídio de Guarulhos que foi resgatado de
helicóptero. Quem aceita a tese de crime comum aceita a tese de falta de
documentos, falta de laudos importantes para chegar mais perto da verdade,
relativa às mortes de outras seis pessoas assassinadas e que ainda
não foram esclarecidas”. (17)
Com esse depoimento, Bruno Daniel – ex-petista e ex-prefeito de
Santo André (sic) - comprovou ter plena consciência de que TODOS esses
argumentos por ele alinhados, SÃO evidências já CONFIRMADAS por
provas testemunhais, ou por laudos técnicos, ou por provas materiais já
existentes:
- está provado que houve bárbara tortura no Prefeito e seu assassinato
POSTERIOR com cruéis requintes de perversidade, o que supõe
VINGANÇA;
- está provado que a calça que vestia o corpo de Daniel quando foi
encontrado, NÃO era a mesma que ele usava na noite do seqüestro, fato
confirmado por prova testemunhal e porque ela NÃO apresentava os
furos correspondentes aos ferimentos provocados pelos ricochetes feitos
por disparos contra o solo, durante a tortura;
- já está provada a participação de Dionízio, presidiário que foi resgatado
por helicóptero do presídio de Guarulhos; e, quando foi recapturado,
afirmou que só falaria em juízo, mas foi assassinado ANTES de depor;
- os outros seis assassinatos de pessoas sem antecedentes criminais
ligadas apenas indiretamente ao assassinato de Celso Daniel – constitu-
16)“João Francisco Daniel, irmão do prefeito assassinado Celso Daniel fala para a CPI dos Bingos.”-
In Wikinotícias - 2 de setembro de 2005
17)
“Bruno Daniel diz que Gilberto Carvalho mentiu e que Celso Daniel sabia de esquema de corrupção”
- por Alan Gripp - O Globo - 06/10/2005 - 23h59m, Agência Senado, TV Globo

19
em por si sós -- provas auto-suficientes, para se estabelecer uma relação
de causa e efeito com o primeiro assassinato, o do Prefeito.
Nesse depoimento, Bruno Daniel também afirmou que houve uma
“base de operação” para que ocorresse o assassinato, inclusive com
uso de vários telefones celulares (em conferência?!).
Disse também, que “houve ainda, (segundo ele), contradições nos
depoimentos dos presos, o que demonstraria que a história contada por
eles teria sido montada. Houve também uma maleta de dólares entregue
aos supostos criminosos, (segundo ele contou aos senadores),“além de
uma remuneração no valor de R$ 1 milhão para quem tivesse participado
do assassinato” (10) (textuais)
“Foi um crime planejado, de bando, com ódio na execução” – afirmou
Bruno Daniel referindo-se ao crudelíssimo assassinato do Prefeito.
Acrescentou que já existem provas de que empresários da região eram
obrigados sob ameaças a repassar os recursos, pois eram achacados
de forma acintosa, inclusive sob as ameaças de Sérgio, o Sombra que colocava
a arma na mesa quando conversava com os empresários.
Bruno disse também que a morte do irmão foi um crime encomendado,
sugerindo com isso que – pela lógica – existem pessoas importantes
implicadas no crime, o que tornaria necessário descobrir os verdadeiros
motivos do primeiro homicídio, o do Prefeito, e das chamadas "queimas
de arquivo", referindo-se às mortes das seis pessoas comuns que também
foram assassinadas.
Lamentavelmente, nenhuma dessas novas revelações gravíssimas
poderá ser agora confirmada e aprofundada, porque as famílias dos dois
irmãos de Celso Daniel foram se refugiar em país estrangeiro (EUA?), temerosas
de sofrerem represálias pessoais e, talvez até assassinatos, de
alguns dos seus mais chegados parentes, como vingança ou para impedir
pelo terror, a confirmação dessas suas novas revelações.
5) A fuga para os EUA (?), das famílias dos dois irmãos de
Celso Daniel:
Surpreendentemente, em 02 de março de 2006, a imprensa divulgou
que, por medo, os dois irmãos de Celso Daniel fugiram do Brasil acompanhados
pelas esposas e filhos para destino NÃO revelado (mas provavelmente
para os EUA), depois de terem passado os meses que se seguiram
à acareação e aos depoimentos na CPI dos Bingos, recebendo ameaças
por telefone e sendo seguidos por pessoas suspeitas.
João Francisco afirmou ter descoberto um esquema montado para
seqüestrar seus filhos e, também, seus sobrinhos. Esta ameaça é a principal
peça nas pressões que a família de Celso Daniel, sofreu nos últimos
meses. A ela se juntaram telefonemas anônimos e cartas ameaçadoras.
E, “no começo do ano, recebi um e-mail, com origem no Rio de Janeiro,
com juras de seqüestro contra meus filhos e sobrinhos", diz João Francisco.
Cinco dias depois, essa ameaça de seqüestro foi confirmada por uma

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amiga, que não sabia das ameaças, afirmando que, de fato, o seqüestro
já estava sendo tramado dentro de uma favela.
Dos quatro irmãos do prefeito – dois homens e duas mulheres – Bruno,
o mais novo, já partira. Os filhos de Bruno, dois rapazes e uma garota,
já haviam saído no mês anterior. Os demais familiares partiriam nos
próximos dias. O destino das famílias não foi revelado por motivos de
segurança.
A decisão dos parentes de Celso Daniel de abandonar o País irritou o
promotor Roberto Wider Filho, que investiga a morte do prefeito e o esquema
de corrupção na cidade. "É um absurdo eles terem que fugir, enquanto
os assassinos de Celso desfilam pela cidade", diz Roberto, alguns
deles protegidos por hábeas corpus do STF.
Dois dos principais acusados pelos irmãos de terem tramado o assassinato
– Sérgio Gomes da Silva, o ‘Sombra’, e Ronan Aguiar – estavam
até então em liberdade.
Essa decisão do auto-exílio foi perigosamente equivocada, pois em
país estrangeiro será muito mais fácil uma simulação de “acidentes”,
“doenças”, “envenenamentos”, etc., e muito mais difícil de conseguirem a
proteção prolongada da polícia local que NÃO está motivada, nem
entende o grande risco que eles correm.
Suspeita-se que essa fuga tenha sido “aconselhada” (e talvez
financiada) por pessoas ligadas ao PT e ao Pres.LULA, não somente
porque a presença dos dois irmãos poderia ser muito prejudicial à
candidatura de LULA à reeleição, mas também para facilitar e
potencializar as ameaças que, em terras estranhas, serão muito mais
atemorizantes.
Além disso, sem a reinquirição dos dois irmãos, e talvez sem o
testemunho de alguns dos seus parentes, SERÁ impossível aprofundar-se
as investigações sobre as novas e gravíssimas revelações do Dr. Bruno
Daniel (ex-prefeito de Santo André) acima relatadas.
b. O “acompanhamento”das investigações pelo Dep. Greenhalgh:
Convém recordar que o Dep. Luiz Eduardo Greenhalgh (PT-SP) fora
designado pelo PT para acompanhar as investigações sobre o bárbaro assassinato
de Celso Daniel e, desde o seu início, bradava a sua certeza de
que fora “um crime político” praticado contra o PT, para prejudicar a candidatura
de Lula à Presidência da República, pois o prefeito morto seria
um dos expoentes da campanha do candidato do PT.(18)(não-textuais)
Posteriormente, diante das evidências e testemunhos de que realmente
havia um esquema de corrupção envolvendo a prefeitura de Santo
18) “A mulher de César” por TERNUMA Regional Brasília - http://www.ternuma.com.br/cesar.htm

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André, o Dep. Greenhalgh subitamente, passou a bradar – com a mesma
veemência -- que se tratava de “crime comum, perpetrado por criminosos
vulgares e de ocasião, sem nenhum vínculo com a política ou com os esquemas”.
E, ruidosamente, comemorou a “conclusão” das investigações daquele
“primeiro inquérito” surrealista, feitas pela polícia local, que apontavam
para um menor, Lalo, e seus comparsas, como autores do seqüestro e da
morte do prefeito petista.
Portanto, ao longo das investigações passou a ficar evidente que o
Deputado tentava realmente tumultuar o curso normal das investigações.
De fato, o dep. Greenhalgh foi acusado duas vezes no parecer do perito
Carlos Delmonte, morto em outubro/2005 poucos dias antes de depor
na CPI dos Bingos, e pelo juiz federal Rocha Mattos, que está preso, de
tentar impor a versão de “crime comum”.
O legista Delmonte, já afirmara que o deputado e outros políticos o
haviam pressionado "para que a morte do prefeito fosse considerada como
crime comum". "Greenhalgh quis interferir até na mudança da posição
do corpo", afirmara o legista.
O Dep. Greenhalgh foi também acusado por um dos suspeitos presos,
Rodolfo Rodrigo dos Santos Oliveira, de tê-lo torturado junto com a
polícia paulista, para que confessasse ser ele um dos autores do assassinato
do Prefeito.
Frise-se também que, por ocasião da reabertura do caso pelo Ministério
Público, o “empresário” Sérgio Gomes da Silva,-- até então considerado
apenas “testemunha ocular” do seqüestro, pois acompanhava Celso
Daniel na noite de 18 de janeiro, -- passou a indiciado como co-autor do
crime pois se constatou que fora poupado pelos “seqüestradores”; e, tendo
ficado evidente que Sérgio estava seriamente envolvido no esquema
de “corrupção altruísta” na Prefeitura de Santo André; -- a partir daí, o
Dep. Greenhalgh tornou pública a sua irritação com os novos rumos do
caso, insistindo que se tratava de “crime já elucidado pela polícia”.
Não obstante todos esses testemunhos coerentes, o senador Garibaldi
Alves (PMDB-RN), em seu Relatório, NÃO propôs o indiciamento do
Dep. Greenhalgh (PT/SP), nem mesmo por crime de obstrução da justiça.
c. A contratação do ex-Procurador-Geral da República, Dr. Aristides
Junqueira: (19)
19)
“R$ 500 mil foram para Junqueira, afirma sócio” – por Lilian Christofoletti e Luciana Constantino
FSP – 04/08/05; “Sócio de Junqueira diz que saque foi por caso Daniel” da sucursal de Brasília- FSP
06/08/06 e outros.

22
A preocupação dos principais líderes do PT quanto a se dar uma solução
de acomodação a esses oito assassinatos, foi tanto maior a ponto de
contratarem um ex-Procurador-Geral da República, o Dr. Aristides Junqueira,
pela exorbitante quantia de R$ 500 mil do PT, pagos pelas mãos
da Sr.ª Simone Vasconcelos, diretora da SMPB, empresa de Marcos Valério
- citado como o principal operador do "mensalão".
O próprio sócio do Dr. Junqueira, Dr. Pedro Raphael Campos Fonseca,
afirmou que foi pessoalmente à agência do Banco Rural em Brasília,
por indicação do ex-tesoureiro do PT, Delúbio Soares, procurar Simone
por duas ou três vezes para receber as parcelas do contrato firmado com
o partido. "Não sabia quem era ela [Simone]. Eu a procurei por orientação
do próprio PT". Outras parcelas foram sacadas por um funcionário
enviado por ele ao banco.
Segundo o Dr. Pedro Fonseca, o diretório nacional do PT, por meio de
Delúbio, providenciou o pagamento. Na lista apresentada por Simone à
Polícia Federal aparece uma autorização de pagamento do PT nacional para
Aristides Junqueira, com data de 28/10/2003, no valor de R$ 185 mil.
Segundo Fonseca, essa foi a primeira parcela. Outras quatro foram efetuadas
nos meses seguintes.
Como advogado, Junqueira não apresentou qualquer requerimento,
apenas concedeu entrevistas nas quais defendeu o partido e questionou a
isenção da Promotoria em investigar o PT local.
O Dr. Junqueira afirmou ter sido contratado somente para uma "consultoria
jurídica".
Contudo, o próprio sócio do ex-procurador-geral da República, o Dr.
Fonseca, o desmentiu dizendo que foram contratados em setembro de
2002 pelo diretório regional do PT, em São Paulo, para atuar no caso do
assassinato do prefeito Celso Daniel.
Os promotores Roberto Wider Filho e Amaro José Thomé Filho, criticaram
o fato de um ex-Procurador-Geral receber por meio de um caixa 2
declarado pelo partido: "O PT, por meio pouco ortodoxo, contratou Aristides
Junqueira por R$ 500 mil para atuar no caso de corrupção em Santo
André e a única coisa que ele fez foi dar declarações combatendo o nosso
trabalho", disse Wider.
d. A persistente obstinação dos principais líderes do PT
Essa suspeitíssima teimosia com que os principais parlamentares do
PT, pelos seus mais destacados líderes – e principalmente pelo Presidente
LULA -- vêm tentando impor a todos os brasileiros CONTRA TODAS AS
EVIDÊNCIAS a versão de “crime comum” para o assassinato de Celso Daniel,
estão inteiramente em desacordo com os incontáveis indícios, testemunhos
oculares e até mesmo contra inúmeras evidências consistentes,
por isso passou a constituir NÃO MAIS um grave indício veemente, mas
sim uma EVIDÊNCIA CONCRETA de que a cúpula do PT insiste em obstaculizar
e inviabilizar A TODO O CUSTO as investigações.

23
Essa atitude atingiu o seu paroxismo quando da interferência indevida
e pública do Presidente LULA que, em entrevista coletiva pela TV, afirmou
– comprometendo a suprema responsabilidade de sua elevada
função -- que o assassinato de Celso Daniel fora um CRIME COMUM.
Diante disso, é impossível minimizar o fato de que o próprio
presidente LULA, pela lógica, deveria ter sido o PRIMEIRO a exigir
uma rigorosa investigação e o total esclarecimento sobre o assassinato
do seu “amigo”, ao qual ele já tinha delegado importantes
tarefas, como a preparação do seu Programa de Governo, a participação
em sua campanha eleitoral e para o qual, provavelmente,
estariam reservadas funções de destaque, no futuro ministério.
Uma pergunta, por isso, se impõe: por que o Presidente LULA ainda
insiste teimosamente – até agora -- em MENTIR afirmando
que o assassinato de Daniel foi CRIME COMUM?
Portanto – diante de tudo o que até aqui foi focalizado -- podemos
concluir que:
2.2. CONCLUSÕES PARCIAIS:
a. É correto afirmar que o assassinato do Prefeito, pela simples
coerência dos dados já confirmados, teve como motivação
mais longínqua e causal, a manutenção do segredo principal, qual
seja, a proteção dos envolvidos nas “corrupções altruísticas” com
as quais o PT construía o seu caixa 2 para a eleição de LULA em
2002.
E já existem evidências suficientes para se afirmar com segurança
que os múltiplos assassinatos que se seguiram, também
NÃO foram “crimes comuns” pois – todos eles, em conjunto, cometidos
em seqüência dentro de um mesmo grupo de vítimas, que
tiveram mera participação marginal e indireta no primeiro homicídio
– configurariam uma coincidência ESTATISTICAMENTE IMPOSSÍVEL,
exceto se tais homicídios tiveram como motivação
mais próxima, a óbvia “queima de arquivos”, para impedir pela
morte violenta, que essas pessoas comuns, pudessem testemunhar
sobre o que viram, ouviram ou o que sabiam sobre os mandantes
e/ou autores e/ou cúmplices, estes sim, pessoas ligadas –
pela lógica -- de alguma forma à Prefeitura do PT em Santo André
e/ou ao PT, em nível federal.
b. Diante desse conjunto de indícios veementes e evidências
consistentes até aqui delineados, é lícito inferir que o mais provável
mandante do primeiro assassinato foi o Sr. José Dirceu, uma
vez que ele funcionava – comprovadamente -- como gestor-mor
dos saldos dessas múltiplas “corrupções altruísticas”, (várias delas
já denunciadas pelo Ministério Público) delitos que - dados os
múltiplos tipos de ilegalidades praticadas – tinham apenas a genérica
cumplicidade pró-ativa do candidato LULA.

24
c. É INDISCUTÍVEL que o então CANDIDATO LULA teve conhecimento
das bárbaras torturas e dos detalhes crudelíssimos do assassinato
do seu “amigo” – (no mínimo) desde abril de 2002 – e,
mesmo assim, nada fez para que fossem rigorosamente apurados
quais os reais MANDANTES, executores e cúmplices desse crime
hediondo. LULA, não apenas se omitiu mas, ao contrário, apoiou
publicamente a versão do “crime comum” – que JÁ SABIA falsa.
O simples fato de LULA NÃO o ter feito, já o incrimina gravemente,
no mínimo por cumplicidade (talvez, post factum) no 1º
assassinato, o de Celso Daniel; e, como ele já sabia que esse homicídio
fora precedido de bárbaras torturas e estava ciente dos
crudelíssimos detalhes da morte do seu "amigo"; em assim procedendo,
ele se tornou cúmplice a posteriori de um crime hediondo
(seqüestro por bando, assassinato cometido após bárbaras torturas,
e com requintes crudelíssimos de perversidade).
Assim, as inúmeras evidências consistentes aqui focalizadas
EXIGEM que o Presidente LULA, mesmo já reeleito, seja OBRIGATORIAMENTE
indiciado como suspeito de cumplicidade em múltiplos
assassinatos e submetido ao processo penal regular competente.
Ou, TODOS nós brasileiros, -- mas principalmente as autoridades
institucionalmente competentes -- permitiremos que o Sr.
LULA, suspeito de cumplicidade em um crime hediondo, e em múltiplos
assassinatos, possa permanecer na Presidência da República,
SEM ser JULGADO e INOCENTADO em processo legal regular,
para que NÃO venhamos a manter um assassino cruel, inescrupuloso
e reincidente como Presidente do Brasil?
2.3. A EVOLUÇÃO DAS INVESTIGAÇÕES
a. Novas manobras escusas :
Em 2006, completando esse quadro de manobras escusas para “blindar”
o Presidente Lula e alguns dos principais líderes petistas contra qualquer
suspeição nesses ‘assassinatos em série’, a Delegada Elisabete Sato,
Titular do 78º DP de São Paulo/Capital, a última policial a ser encarregada
das investigações nesse Inquérito, após uma demora de muitos meses,
apresentou seu Relatório em modestas 5(cinco) folhas(*) -- e só o fez
após conhecer o resultado do 2º Turno da reeleição.
Por maior que seja o poder de síntese da Delegada, como pôde ela
argumentar em escassas 9(nove) páginas incompletas para concluir
que o seqüestro de Celso Daniel, comprovadamente realizado por um
bando, seguido de bárbaras torturas e assassinado com requintes de perversidade,
fora um "crime comum", sem motivação política (latu sensu)?
(*) Mais precisamente, NÃO são 5 (cinco) folhas, mas somente 09 (nove) páginas incompletas:
Disponível em: http://conversa-afiada.ig.com.br/galerias/021001-021500/2 278/21278.html

25
A verdade é que ela, – indiferente a todos os testemunhos, acusações,
indícios e evidências já levantados pelo Ministério Público e pelos
parentes do Prefeito, ignorando solenemente os laudos dos dois peritos,
que constam dos avantajados volumes do processo, se dispensou de apresentar
qualquer argumento ou prova cabal da inocência dos líderes
petistas que, até então, eram os principais suspeitos de serem os mandantes
e/ou executantes e/ou cúmplices e/ou coniventes (no mínimo, a
posteriori).
Assim, no seu Relatório, ela – desabusamente -- negou inclusive as
bárbaras torturas e os requintes de crueldade que o corpo da vítima apresentava,
evidências já rigorosamente do “domínio público”, pois divulgadas
pela TV Senado durante o depoimento CONTUNDENTE de um
outro legista e de outras testemunhas importantes; e até com fotografias
do cadáver divulgadas pela Internet.
O Promotor Roberto Wider, um dos membros do Ministério Público de
Santo André, afirmou à “Carta Capital” que ficara surpreso com o Relatório
da Delegada SATO, pois esse documento representava a ruptura de
um trabalho que vinha sendo feito em conjunto, inclusive com a delegada.
No texto assinado por ele e por dois outros promotores, para responder
à Delegada nos autos, eles afirmam que ela interrompera as investigações
de forma "intempestiva e injustificada" e reclamavam novas
diligências, entre as quais a determinação para que as Operadoras de telefonia
fornecessem o histórico das chamadas de 33 telefones, que ela
não providenciara. E a acusaram de ter "extravasado o limite da incompetência,
tangenciando a ilicitude, impondo a necessidade de
que esses fatos sejam levados ao conhecimento da Corregedoria
da Polícia Civil."(textuais)
Pouco depois, a suspeita do Promotor quanto a uma “ilicitude” cometida
pela Delegada, (falta de exação no cumprimento do dever funcional?)
foi robustecida quando o ex-tesoureiro do PPS, Sr. Rui Vicentini, revelou
que a delegada SATO é contra-parente da filha natural do Presidente
LULA, Sr.ª Lurian, cujo marido chama-se Marcelo SATO, o que confirmaria
o seu parentesco (tia consangüínea?) com a policial SATO. Se confirmado
esse parentesco, o Sr. Marcelo Sato seria de fato genro do Presidente
LULA.
Os Promotores acusam ainda a delegada de ter negligenciado a advertência
do investigador do 78º Distrito Policial, Marcos Badan, para o
fato de que o sistema de telefonia mantém em arquivo essa informação
somente por cinco anos no máximo. Segundo os promotores, embora esse
prazo estivesse prestes a se expirar, a delegada Elizabete Sato ignorou
a recomendação do investigador e nada providenciou a respeito.
Também a acusam de ter aberto no inquérito policial, a qualificação
de testemunhas legalmente sob proteção; e afirmam que a Delegada
Sato cedeu cópia do inquérito a um empresário apontado como integrante
do esquema de propinas da administração Celso Daniel

26
Todas essas ilicitudes explicam a sobejo o insolente e delituoso arquivamento
"intempestivo e injustificado" do inquérito pela delegada
SATO sobre o assassinato de Celso Daniel e mais sete pessoas, de que
reclamaram os Promotores.
Esse parentesco também explicaria uma outra estranha circunstância,
qual seja, que um crime ocorrido em Santo André,–- depois de ter sido
investigado por outros delegados -- acabou sendo entregue à responsabilidade
da delegada SATO, do 78º Distrito Policial de São Paulo/
Capital, ”localizado na elegante e badalada região dos Jardins,
zona nobre da capital paulista”.
Não obstante todas essas reclamações, e indiferente a essas acusações,
a Delegada Elisabete Sato, com seu Relatório de meras 9 páginas
incompletas enviou, sem o menor constrangimento, para o limbo dos
crimes históricos irresolvidos, o assassinato do Prefeito e de mais outros
seis cidadãos comuns que a este se seguiram.
Todas essas manobras tendenciosas e as inúmeras circunstâncias
mais do que suspeitas retro descritas, me obrigaram a tomar a decisão
de divulgar o mais amplamente possível este Documento/Denúncia.
b. A difusão mais ampla deste Documento:
Com esta minha iniciativa, não tenho a pretensão de ensinar aos titulares
dos órgãos institucionais competentes os seus ofícios, mas tão
somente colaborar com eles, apresentando-lhes esta versão integrada e
adequadamente analisada do numeroso conjunto de indícios, evidências e
hipóteses robustas, para lhes facilitar o cumprimento dos seus graves deveres
funcionais, até aqui aparentemente descumpridos, talvez - quem
sabe - exatamente por lhes faltar uma visão integrada e consolidada de
todos esses incontáveis dados, muitos dos quais têm sido sistemática e
criminosamente sonegados e/ou minimizados e/ou distorcidos pelas
Agências de Notícias e Órgãos de Comunicação de Massa
(OCMs) brasileiros.
Neste caso concreto, porém, face à incrível dimensão desses
‘assassinatos em série’,-- só comparáveis às chacinas coletivas
dos tempos do gangsterismo desenfreado da década de 30 – foi
impossível aos dirigentes dos principais OCMs, silenciarem totalmente
seus veículos de comunicação.
2.4. A EVOLUÇÃO DOS FATOS MAIS RECENTES – MAR – 2010 (20)
(20)http://gazetaonline.globo.com/_conteudo/2010/03/617438-celso+daniel+6+vao+a+juri+popular.html
e http://www.conjur.com.br/2010-mar-18/acusados-matar-celso-daniel-obtem-liberdade-anosjulgamento

27
a.Júri popular para 6(seis)indiciados no assassinato de Celso:
(*)
A Justiça de São Paulo decidiu em 25/03/2010 que irão a júri popular
seis dos acusados da morte do ex-prefeito de Santo André, Celso Daniel
(PT).
A decisão foi anunciada no Fórum de Itapecerica da Serra. A audiência
foi longa e durou duas horas. A data do júri ainda será marcada, segundo
informou o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP).
Como já relatado, para os promotores anteriores, Roberto Wider Filho
e Amaro José Thomé Filho, o ex-prefeito foi assassinado porque tentou
acabar com um comprovado esquema de corrupção na prefeitura de
Santo André apontando o Sombra como um dos principais mandantes.
Segundo a nova promotora Eliana Vendramini, o assassinato do
prefeito foi encomendado (verbis):"Mataram a vítima por motivo torpe,
que é a paga ou promessa de recompensa e o juiz reconheceu
que houve essa motivação. Então o crime não foi patrimonial fosse
por latrocínio, fosse por extorsão mediante seqüestro”, o que de
fato quis dizer com isso a promotora.(??)
Nessa audiência não houve decisão sobre Sérgio Gomes da
Silva, o Sombra, mesmo sendo ele o mais comprometido dos indiciados
e, por lógica, o principal ou um dos principais mandantes do assassinato.
Ele negava a participação no crime.
Uma dúvida ficou em suspenso: não foi divulgado por nenhuma das
fontes citadas, se ele foi ouvido nessa audiência. Ou será que o Sombra
NÃO foi achado (e falou por seus advogados?).
Na semana anterior, três acusados de assassinar o ex-prefeito, que
estavam presos preventivamente há oito anos, foram libertados por força
de decisão liminar e monocrática concedida pelo ministro Marco Aurélio
do Supremo Tribunal Federal, beneficiando a José Edison da Silva,
Elcyd Olifeira Brito e Marcos Roberto Bispo dos Santos que estavam
presos sem julgamento, desde a época em que ocorreu o crime.
Nessa ação, os advogados de defesa Sidney Luiz da Cruz e Paulo
Jacob Sassya El Amm pediam que os réus aguardassem o julgamento
em liberdade, por conta do excesso de prazo da prisão provisória. Segundo
os advogados, a Justiça precisava ouvir o co-réu Sergio Gomes da Silva,
antes de decidir sobre o caso. “Ou seja, não há demora por responsabilidade
da defesa dos ora pacientes, não podendo ser a eles atribuída a
excessiva demora.”
Segundo Cruz, o STJ negara o pedido em decisão liminar. Os advogados
recorreram da decisão do Superior Tribunal de Justiça ao STF, por
(*)
(‘A Gazeta’ do Espírito Santo) 26/03/2010 - 00h00

28
que já haviam transcorrido 11 meses para apreciá-la; a defesa resolveu
então encaminhar este novo pedido com urgência de apreciação do processo
ao STF e coube ao ministro Marco Aurélio relatá-lo.
Quanto a Sergio Gomes da Silva, o Sombra, acusado de ser o
principal, ou um dos principais mandantes do crime, que também foi preso
preventivamente em 2004, mas já está em desde então em liberdade
por decisão liminar e monocrática do Presidente STJ Ministro Vidigal e do
Pres. do STF Min. Nelson Jobim, também em decisão liminar e monocrática.
Nos pedidos feitos agora pela defesa, os advogados questionavam
essa decisão junto ao STF, por que o STJ levara 11 meses para apreciála.
Esse o principal argumento para encaminhar um pedido de urgência
de apreciação do processo ao STF, cujo relator foi escolhido o ministro
Marco Aurélio.
Nesse meio tempo, o STJ julgou de novo o mérito do pedido anterior
reiterando a negativa, mas o ministro Marco Aurélio do Supremo decidiu
conceder a liberdade.
Por outro lado, em parecer favorável à liberdade dos três homens
presos desde 2002, o Ministério Público Federal aponta esses indiciados
como executantes do crime, junto com José Erivan Aleixo da Silva e outras
pessoas não identificadas. O MP também cita Sergio Gomes da
Silva como mandante do crime, cometido com a intenção de ocultar a
“prática de crimes contra a administração pública de Santo André e também
contra particulares que concorriam com suas atividades empresariais”.
No entanto, o Ministério Público concordou com a alegação de excesso
de prazo.
2.5. CONCLUSÕES PARCIAIS:
a. Não há dúvida de que houve excesso de prazos para julgar
esse ‘serial killing’; mas parece que essa procastinação foi
comandada por poderosos suspeitos... “qui prodest”?
b. Também está muito claro que o Sombra vem recebendo tratamento
benevolente, em gritante incoerência com a sua
COMPROVADA participação no episódio do arresto do prefeito
– ocasião em que interagiu com os seqüestradores -- e isso
acrescenta a esse ‘serial killing’ uma gravidade realmente gritante...
a ponto de exigir que o Ministério Público se REALMENTE
quiser ser o fiscal da lei, conteste em plenário o voto
do Ministro Marco Aurélio... Quem viver verá!!!
1) Não obstante algumas dessas decisões mais do que suspeitas,
muitos dos detalhes precisos sobre esse ‘serial killing’, têm sido minimizados,
distorcidos e/ou sonegados à opinião pública brasileira,
o que comprova MAIS UMA VEZ a cumplicidade consciente de
dirigentes dos principais OCMs na elucidação deste processo.

29
2) A despeito de tudo isso, esta nossa divulgação mais ampla é feita,
aqui e agora, somente na esperança -- talvez vã e ingênua -- de que alguém
mais representativo do que o signatário se disponha a apresentar
uma “queixa-crime” (ou outra ação judicial cabível) oficialmente contra o
Sr. Luiz Inácio Lula da Silva, por CUMPLICIDADE:
- no primeiro assassinato, pois ficou COMPROVADO que esse crime
hediondo, (seqüestro por bando, seguido de cruéis torturas e assassinato
cometido com requintes de perversidade) fora do conhecimento do
então candidato do PT, Sr. LULA (talvez, post factum); e
- como cúmplice sine qua non, nos seis assassinatos que se seguiram,
que também NÃO foram “crimes comuns” pois, – pela simples
lógica -- todos eles, tiveram como motivação mais próxima, uma óbvia
“queima de arquivos”.
Se nenhuma autoridade institucional e/ou algum cidadão mais representativo
do que o signatário desta catilinária, se dispuser a tomar a iniciativa
prevista no Art. 5º inciso LIX da CF, para apresentar ao Supremo
Tribunal Federal qualquer ação penal cabível, pretendo – enquanto viver
– tentar fazê-lo.
E estou decidido a continuar produzindo análises sobre este, e sobre
inúmeros outros crimes gravíssimos que têm sido praticados pelo Sr Luiz
Inácio e seus cúmplices.
2.5. CONCLUSÃO FINAL:
Estou convencido de que as principais CONCLUSÕES e DEDUÇÕES
deste Documento/Denúncia, poderão ser acolhidas como
Dados Informativos pelas autoridades institucionais competentes,
e estas – se a tanto DE FATO se dispuserem – poderão acionar a
policia judiciária, única legalmente capaz de transformar os inúmeros
indícios veementes e as evidências consistentes aqui focalizados,
em provas (testemunhais, materiais, circunstanciais e
técnicas) admissíveis em juízo, posto que as Fontes ostensivas
onde foram colhidos os Informes e Textos de Apoio, podem ser
convocadas como testemunhas capazes de confirmar/ampliar/
aprofundar as afirmações e deduções contidas neste Documento
ou, eventualmente, corrigi-las.
Curitiba, 25 de março de 2010
Festa da Anunciação do Arcanjo Gabriel
à Sempre Virgem Santíssima e Encarnação do Verbo
Cel. Ref. EB Roberto Monteiro de Oliveira
IG. 014198480-7 Min. Ex.

30
NOVOS TEXTOS DE APOIO
“EXCERTO DO RELATÓRIO FINAL DA CPI DOS ‘BINGOS’ ”
“..................................”
11. CASO CELSO DANIEL
Celso Daniel elegeu-se prefeito de Santo André pela primeira vez em 1988, tornando-
se um dos primeiros petistas a administrar uma cidade importante. Quando foi
seqüestrado e morto, em janeiro de 2002, coordenava a equipe responsável pela
elaboração do programa de governo do pré-candidato Lula.
Ele foi seqüestrado quando voltava de um jantar em companhia do ‘empresário’
Sérgio Gomes da Silva, no dia 18 de janeiro de 2002. O carro em que estavam foi
interceptado e o político levado por marginais. Dois dias depois, o prefeito foi encontrado
morto em uma estrada de terra em Juquitiba-SP.
O inquérito policial prendeu os seqüestradores e assassinos do Prefeito e concluiu
que foi um crime comum, tendo sido sua pessoa escolhida aleatoriamente.
O Ministério Público, após denúncias sobre o esquema de corrupção na Prefeitura,
reabriu as investigações, tornando cada vez mais evidentes as ligações do crime
com o esquema de corrupção e a figura de Sergio Gomes como o mandante do
crime. Ele foi preso preventivamente, mas teve sua prisão revogada pelo Supremo
Tribunal Federal.
O Poder Judiciário, nas três primeiras instâncias já trabalha com a convicção de que
o assassinato de Celso Daniel não foi um crime comum e reconhecendo Sergio
Gomes da Silva como o mandante do assassinato, podendo haver ainda outros
mandantes.
A Polícia Civil de São Paulo abriu novo inquérito e trabalha nitidamente no sentido
de rever seu primeiro inquérito.
Nesse sentido, a CPI dos Bingos, por todos os elementos levantados e inclusive por
fortes indícios de ligações do delito com as organizações criminosas relacionadas
aos jogos, não poderia deixar de abordar com relevância o caso de Celso Daniel.
A convicção hoje é a de que seu homicídio decorreu de ligações com esquemas de
arrecadação de propinas de empresas prestadoras de serviços públicos para abastecimento
do caixa do PT, inicialmente e com a anuência do Prefeito, e que teriam
sido desviadas para um caixa 3, em benefício apenas dos agentes corruptos, quando
então Celso Daniel tentou se opor.
Esses esquemas funcionariam junto a empresas de transportes urbanos, de coleta
de lixo e de obras, a exemplo de outras cidades administradas pelo PT, como Campinas
e Ribeirão Preto. Eventualmente, haveria ligação entre os esquemas de corrupção
praticados em Santo André e outros relacionado a jogos ilegais, como se
pôde observar no caso de “Toninho do PT”.

31
Além disso, o Ministério Público e a CPI encontrou elos entre o esquema de corrupção
na prefeitura de Santo André e João Arcanjo Ribeiro, o “Comendador” – chefe
do crime organizado em Mato Grosso.
O caso Santo André envolve o chefe de gabinete do presidente Luiz Inácio Lula da
Silva, Gilberto Carvalho, flagrado em gravações telefônicas combinando estratégias
e reuniões para reforçar a defesa de Sergio Gomes da Silva, além de ter sido apontado
como responsável pelo transporte da coleta da arrecadação ilegal para o então
presidente do PT, José Dirceu, além de outros agentes públicos e empresários.
A vinculação de Sergio Gomes da Silva a Dionísio de Aquino Severo (falecido) e ao
esquema de João Arcanjo Ribeiro, do Mato Grosso, comprovada por numerosos
depoimentos, documentos e quebras de sigilo telefônico é o principal elemento da
caracterização da articulação prévia para o crime contra Celso Daniel.
De outra parte, resta também sobejamente demonstrado o voraz esquema de corrupção
que funcionava junto à prefeitura de Santo André, no qual Sergio Gomes da
Silva era um dos protagonistas, e que teria ligações com a máquina criminosa do
“Comendador” João Arcanjo. Os depoimentos de Zildete e Joacir das Neves na CPI
comprovam, com descrições detalhadas, a presença de Sergio Gomes da Silva na
residência do Comendador Arcanjo para tratar especificamente do plano de seqüestro
de Celso Daniel.
A nova investigação em curso no Ministério Público conseguiu revelar, até o momento,
ter havido mesmo um prévio acerto para a morte da vítima, baseando-se em
três pontos fartamente comprovados.
i. Dionísio de Aquino Severo teve participação no crime, como organizador da simulação
de um seqüestro comum;
ii. Houve entre Dionísio e os demais integrantes da quadrilha, a quem já conhecia,
contatos pessoal e telefônico direcionados para a atuação do grupo na ação;
iii. Dionísio mantinha relacionamento com Sergio Gomes, que lhe encomendou a
simulação do seqüestro para servir de disfarce ao objetivo principal, que era a morte
da vítima.
Escuta telefônica deixa clara a preocupação de servidores da prefeitura de Santo
André e de integrantes do PT, como Luiz Eduardo Greenhalgh, de impedir que as
investigações do assassinato do prefeito atingissem o partido.
“Naquela época, o que se pode dizer, é que havia o interesse de poupar o PT, porque
certamente a apuração do assassinato revelaria o esquema de corrupção das
empresas de ônibus e de coleta de lixo da prefeitura de Santo André”, disse o Juiz
Federal afastado Rocha Mattos, que, na qualidade de juiz, escutou as fitas em primeira
mão. Segundo o Juiz, Gilberto Carvalho era o contato em Santo André do deputado
José Dirceu, então presidente do partido.
Digna de nota é verificação pelo Ministério Público das conexões telefônicas no dia
do arrebatamento do Prefeito, que comprovam ineludivelmente a ligação dos assassinos
com os personagens da Prefeitura de Santo André, transcrita na versão integral
do Relatório.

32
Todos esses aspectos demonstram inequivocamente a tese de crime de mando no
assassinato de Celso Daniel, planejado pelo esquema de corrupção existente em
Santo André.
O Ministério Público mostrou tabela das propinas cobradas das empresas de ônibus
de Santo André durante a segunda gestão de Celso Daniel.
Empresários de transporte público confessaram ter sido obrigados a pagar a caixinha
de 1997 a 2001, cuja arrecadação chegava a R$ 100 mil por mês. O Ministério
Público responsabiliza Ronan Maria Pinto, Klinger Luiz Oliveira Souza e Sergio
Gomes da Silva pelo esquema. Nesse procedimento de arrecadação era explicitamente
dito que o dinheiro era repassado para uma caixinha do PT para financiar
campanhas eleitorais.
Corroborando essa tese, a empresária Rosangela Gabrilli, que administra duas empresas
de ônibus no município, relatou e trouxe fartas provas de que as empresas
eram obrigadas a contribuir, mediante extorsão, por cada ônibus em circulação. O
valor era calculado por veículo, era aumentado de acordo com o reajuste tarifário e
os recursos eram repassados para Sergio Gomes da Silva.
A tabela trazida à CPI mostra os valores da arrecadação entre 1997 e 2001. No último
ano, as empresas de transporte municipais eram obrigadas a pagar R$ 550,00
por cada ônibus. Durante esses cinco anos, apenas a Viação São José (Expresso
Guarará) pagou à caixinha do esquema do PT de Santo André cerca de R$ 2 milhões.
Gilberto Carvalho chegou a transportar R$ 1,2 milhão de Santo André para a sede
do PT em São Paulo. O dinheiro teria origem no esquema de corrupção dos empresários
de transporte coletivo, de coleta de lixo e de obras e era entregue ao então
presidente do PT, José Dirceu.
Na tarde de 24 de janeiro de 2002, cinco dias depois do assassinato de Celso Daniel,
a empresária Rosangela Gabrilli procurou o Ministério Público para fazer uma
denúncia. Relatou aos promotores que os donos de companhias de transporte da
cidade eram obrigados a contribuir para uma caixinha do PT. O valor do mensalão
era proporcional à quantidade de ônibus que cada empresário possuía, à razão de
550 reais por veículo, em 2001. Neste ano, Rosangela Gabrilli pagava R$ 41.800,00
todos os meses.
A empresária apontou três responsáveis pelo esquema de cobrança: Sérgio Gomes
da Silva, Klinger Luiz de Oliveira Souza e Ronan Maria Pinto.
Segundo a empresária, esquematicamente os papéis eram distribuídos assim: Klinger
Luiz de Oliveira Souza era o líder partidário e encarregado da administração dos
serviços urbanos; Ronan Maria Pinto era o empresário interlocutor e arrecadador
das contribuições e extorsões; e Sergio Gomes da Silva era o tesoureiro do esquema.
E faz uma analogia: Klinger era o José Dirceu, Ronan era o Marcos Valério e
Sergio Gomes era o Delúbio Soares.

33
Em abril de 2003, ao compulsar documentos de seu pai que caíra enfermo, Rosangela
Gabrilli encontrou uma das mais consistentes provas da crassa corrupção em
Santo André envolvendo integrantes do Partido dos Trabalhadores.
Eram comprovantes de depósitos bancários na conta de Sergio Gomes da Silva e
cópia de um fax datado de 30 de dezembro de 1998, em que se informava qual seria
o valor da caixinha daquele mês: R$ 100 mil. Esse valor seria recolhido de sete
empresas.
Diferentemente da rotina mensal de coleta em espécie que acontecia todo mês, relatada
na versão integral do Relatório, naquele mês o dinheiro foi depositado na
conta bancária de Sergio Gomes, conforme o comprovante trazido por Rosangela
Gabrilli. E a quebra do sigilo bancário de Sergio Gomes, promovida pelo Ministério
Público, constatou não apenas o depósito de Gabrilli como os das outras empresas
listadas no fax.
Os dados bancários analisados pelo Ministério Público mostraram que o dinheiro foi
distribuído a partir do dia seguinte ao depósito em sua conta. No histórico da conta
de Sérgio Gomes da Silva, logo em seguida à data em que recebeu o dinheiro, há
vários depósitos em favor de amigos e membros da administração municipal.
Ao ser confrontado pela Relatoria desta CPI com a informação sobre esses depósitos
bancários, Sergio Gomes da Silva disse nada sabia sobre eles e que só no momento
da reunião da CPI é que estava tomando conhecimento dos mesmos. Entretanto,
esses depósitos lhe foram apresentados pelo GAERCO em abril de 2003, e
ele os contestou alegando serem falsos.
Portanto, mentiu à CPI, uma vez que tinha conhecimento desses depósitos em
sua conta.
Do esquema de corrupção participariam, além de Sérgio Gomes da Silva, Ronan
Maria Pinto, Humberto Tarcísio de Castro, Irineu Nicolino Martin Bianco e Luiz Marcondes
de Freitas Júnior (funcionários de Ronan Maria Pinto, encarregados da coleta
da caixinha) e o vereador Klinger Luiz de Oliveira Souza.
Acusados de concussão (extorsão praticada por funcionário público) e formação de
quadrilha, eles teriam extorquido cerca de R$ 6 milhões de empresários de transportes
da cidade. Parte desse dinheiro teria sido destinado a campanhas políticas
do PT.
O Ministério Público de São Paulo está conseguindo encontrar elos entre o esquema
de corrupção na prefeitura de Santo André e João Arcanjo Ribeiro, o Comendador
– chefão do crime organizado em Mato Grosso, preso em Cuiabá depois de ter
sido extraditado do Uruguai, que explorava máquinas caça-níqueis e manteria ligações
com empresários de jogos em outros estados.
Segundo dados reunidos pelo Ministério Público, teriam circulado mais de R$ 800
milhões nos anos de 2001 e 2002. Extrapolando das loterias, o “Comendador” passou
a atuar com desenvoltura no mundo das finanças, sendo proprietário de diversas
empresas de factoring.

34
A Roanoake tem como representante no Brasil o sr. José Renato Bandeira de Araújo
Leal e como Procurador o Sr. Fernando Magalhães Milman. Essa off-shore ingressou
no capital de várias empresas do grupo de Ronan Maria Pinto em Cuiabá.
Junto com Sergio Gomes da Silva, Ronan foi proprietário dessas empresas até
2002, desligando-se da vida empresarial em Mato Grosso, logo após a morte de
Celso Daniel.
Os depoimentos de Zildete e Joacir das Neves na CPI comprovam as presenças de
Sergio Gomes da Silva, Ronan Maria Pinto e Klinger Luiz de Oliveira Souza em reuniões
promovidas pelo Comendador Arcanjo.
José Renato Bandeira de Araújo Leal é hoje único proprietário das empresas que
eram de Ronan Maria Pinto, sendo detentor de 83% do transporte público de Cuiabá
e presidente a associação patronal da categoria naquela cidade. José Renato,
funcionário do Banco BVA no Rio de Janeiro, em 1997, transformou-se em um dos
maiores empresários do transporte de Cuiabá, sendo que seu antigo patrão – o referido
banco –, tornou-se sócio cotista da empresa Rotedali – Lixo e Aterro Sanitário
na cidade de Santo André, numa feliz coincidência de interesses.
Por outro lado, sabe-se que Fernando Milman, residente na cidade do Rio de Janeiro
manteve ou mantém ainda sociedade com Valdomiro Diniz.
Saliente-se que são expressivas as movimentações apontadas pela CPI do Banestado
realizadas pelas off-shores mencionadas, inclusive a factoring do Banco BVA.
O advogado Fernando Magalhães Milman, além de procurador no Brasil das offshores
mencionadas, é sócio da empresa Nisc Empreendimentos, na qual mantém
ou manteve na época dos fatos fortes relações comerciais ou sociedade com o sr.
Valdomiro Diniz.
Os empresários Ronan e Sergio ascenderam meteoricamente no mundo dos negócios,
e os estenderam em vários estados de nossa federação.
Após a morte de Celso Daniel, afastam-se das empresas na mesma velocidade
que as adquiriram, sem nunca se ter investigado de que forma e a partir de que
patrimônio as mesmas foram adquiridas e se tornam lucrativas, nem tão pouco, de
onde veio e para onde foi o resultado tanto para adquiri-las bem como provenientes
da transferência das mesmas.
A off-shore Roanoake está sendo investigada, pois desconfia-se que seria responsável
por remeter ao exterior o dinheiro amealhado em Santo André.
A CPI dos Bingos considera que devem ser investigadas as remessas ao exterior
feitas pelo empresário Ronan Maria Pinto e por seu cunhado, o sr. Baltazar José de
Sousa, mencionado no depoimento da Deputada Cidinha Campos.
Baltazar também figura nos levantamentos da CC5 como remetente, através de suas
empresas de ônibus (Viação Januária e Viação Barão de Mauá), de quantias expressivas
ao exterior. Eles teriam usado a off-shore uruguaia Roanoake Holding para
fazer as transações. Ronan Maria Pinto admitiu em depoimento à CPI ter realizado
parceria com a Roanoake em negócios ligados ao transporte público em Cuiabá.
Houve uma remessa ao exterior de R$ 45 milhões por intermédio da Roanoake e da
Leibnitz.

35
Possivelmente, parte desses valores poderia ser resultado da “caixinha” de Santo
André. As mesmas empresas teriam feito a operação inversa entre março e agosto
de 2002, período que antecede a campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
O Ministério Público trabalha nessa linha de investigação. Suspeita-se que parte do
que era arrecadado em Santo André era embolsado pela quadrilha e o restante remetido
para fornecer as necessidades das campanhas do PT, a partir de envios para
fora do país e subseqüente retorno, na forma de empréstimos.
Em seu depoimento à CPI, Toninho da Barcelona confirmou que muitas vezes em
suas operações com a doleira de Santo André, Nelma, transpareceu que estavam
enviando pro exterior dinheiro proveniente de empresas de transporte urbano, em
razão de comentários de que o dinheiro proveniente daquela cidade vir em notas
miúdas.
Celso Daniel acreditava que os fins justificavam os meios e por isso arrecadou dinheiro
para o Partido dos Trabalhadores de forma ilegal num Caixa 2, em Santo
André. Dinheiro que era levado por Gilberto Carvalho, chefe de gabinete do presidente
Luiz Inácio Lula da Silva, a José Dirceu e ao diretório em São Paulo.
Foi morto porque tentou acabar com o “caixa 3”, também alimentado por propinas
de empresas que prestavam serviço para a prefeitura de Santo André, desviado por
outros três arrecadadores que trabalhavam sob seu comando: Ronan Maria Pinto,
Sérgio Gomes da Silva e Klinger Luiz de Oliveira Souza.
A missão de Gilberto Carvalho na prefeitura começou no segundo mandato de Celso
Daniel, que voltou à Prefeitura de Santo André em 1997. Quando surgiram rumores
de que o então secretário de Obras e Transportes da prefeitura, Klinger Luiz de
Oliveira Sousa, havia montado um esquema de corrupção com o empresário de
transportes Ronan Maria Pinto e Sérgio Gomes da Silva, a cúpula petista decidiu
fazer uma intervenção branca na administração. E destacou Gilberto Carvalho – escolhido
por Lula – para a missão.
Gilberto Carvalho foi nomeado secretário de Comunicação. Em 2000, o Ministério
Público já investigava os rumores. Sabia-se que entre 1997 e 1998 Sérgio Gomes
da Silva recebeu R$ 270 mil do empresário Ronan Pinto como remuneração por
consultoria nas áreas de transporte e limpeza urbana. Ronan Maria Pinto ganhara
um contrato no valor de R$ 13 milhões em licitação promovida pela secretaria de
Klinger, relacionado com o Lixo e o Aterro Sanitário da cidade, que eram vários os
Contratos contemplados pela Projeção Engenharia, outra empresa de Ronan.
Em 1998, Celso Daniel fora reeleito com 72% dos votos. De novo, a tesouraria informal
da campanha ficara a cargo de Sérgio Gomes da Silva e não faltaram recursos.
Em 2001, Celso Daniel foi encarregado de coordenar o grupo encarregado de montar
o programa de governo de do pré-candidato Luiz Inácio Lula da Silva. O convite
incluía uma exigência: antes de se licenciar da prefeitura para se dedicar à campanha
presidencial, deveria desarticular o esquema de Sérgio Gomes da Silva na administração,
instalando-se, assim, a luta pelo poder na prefeitura.

36
Klinger Luiz de Oliveira Souza preparava-se para suceder o prefeito. Seria candidato
a deputado estadual, voltando em dois anos na campanha para Prefeito. Porém,
Celso Daniel resolveu recusar a candidatura do secretário e bloqueou os planos de
Sérgio Gomes da Silva e Klinger Luiz Oliveira Souza. O próprio Klinger não disfarçava
a contrariedade em declarações a jornais locais.
A relação entre Celso Daniel e Sérgio Gomes também se deteriorou. A operação da
cúpula petista para neutralizar a influência do grupo na administração, comandada
por Gilberto Carvalho, foi bem sucedida. Mas acabou custando a vida do prefeito.
No dia 26 de janeiro de 2002, aconteceu a conversa entre João Francisco Daniel,
Bruno Daniel e Gilberto Carvalho, em que este último teria revelado que estava com
medo, pois levava o dinheiro das propinas para São Paulo e entregava a José Dirceu.
Gilberto Carvalho teria pedido segredo sobre a conversa. Ao não manterem o
segredo e revelarem a conversa ao Ministério Público, tiveram o desabafo de Gilberto
Carvalho em matéria jornalística, em poder da CPI: “Fui traído”.
João Francisco também revelou que a ex-mulher de Celso Daniel, Miriam Belchior,
tinha falado sobre o esquema de caixa 2 com as empresas de lixo.
Miriam Belchior foi assessora especial da Casa Civil na gestão de Dirceu e continua
na equipe da atual ministra, Dilma Rousseff. Muito ligada à cúpula petista, Miriam
Belchior foi uma espécie de supersecretária da administração de Celso Daniel, cujo
secretário de governo era Gilberto Carvalho.
Juntos, teriam ajudado o prefeito a desarticular o esquema de desvio de recursos
públicos montado pelo empresário Sérgio Gomes. A investigação concluiu que Celso
Daniel tinha sido assassinado num crime comum, sem evidências de tortura.
O legista Carlos Delmonte contestou a versão e disse que houve tortura. Disse, em
depoimento aos promotores de Santo André, que o deputado Luiz Eduardo Greenhalgh
prejudicou o andamento da perícia. João Francisco disse que Greenhalgh informou
à família que não havia evidências de tortura.
Trechos de conversas telefônicas de dirigentes do partido e do principal suspeito do
crime, Sérgio Gomes da Silva, apontam para suposto esquema montado com o objetivo
de atrapalhar as investigações. As gravações telefônicas trazem diálogos entre
Sergio Gomes da Silva e Gilberto Carvalho.
Também aparecem nas fitas o deputado federal Luiz Eduardo Greenhalgh, nomeado
pela Câmara dos Deputados para acompanhar a investigação, e Klinger Oliveira
Souza. Nas fitas, registradas com a quebra de sigilo de 160 linhas telefônicas, os
envolvidos conversam sobre a morte do colega e se mostram “incomodados” com a
apuração policial. Chegam a falar em “armar” algo para desviar o foco do trabalho.
Anote-se que estas fitas não contêm a totalidade da prova colhida pela Polícia Federal,
visto que foram interceptados cerca de 160 telefones por mais de dois meses.
As fitas trazem pouco mais de 80 diálogos, sendo que transcrição da polícia Federal
informa a obtenção de 182 conversações.

37
Contudo, há diálogos transcritos sem o respectivo áudio e gravações que não foram
transcritas pela polícia Federal, demonstrando a existência de um terceiro conjunto
de provas, decorrentes desta interceptação, mais abrangente, que certamente foi
ocultado para a proteção de integrantes do Partido dos Trabalhadores e dos próprios
membros da quadrilha denunciada pelo Ministério Público.
Isto porque, embora tenha sido marcada reunião na casa de José Dirceu, conforme
diálogo de Sergio Gomes da Silva com Gilberto Carvalho, não há qualquer registro
contendo conversa com o então presidente do Partido dos Trabalhadores. Não é
crível que Gilberto Carvalho e Klinger não tenham, no curso daqueles dois meses,
mantido conversa por telefone com José Dirceu, mesmo porque Klinger admitiu na
CPI a realização de esforços pela cúpula do Partido dos Trabalhadores para alterar
o rumo das investigações, no afã de não se apurar a verdadeira causa da morte de
Celso Daniel.
João Francisco Daniel afirmou à CPI que Gilberto Carvalho contou que parte do dinheiro
da propina de Santo André financiava campanhas eleitorais do PT, inclusive
em nível nacional.
Paulo de Tarso Venceslau, ex-dirigente do PT e secretário de finanças de Campinas
e São José dos Campos em administrações petistas, afirmou na CPI que o esquema
de arrecadação é antigo no Partido dos Trabalhadores e que foi devidamente
comprovado, inclusive em sindicância interna.
Os episódios teriam tido início nos anos de 1990, o que coincidiu com seu primeiro
contato com o Sr. Paulo Okamoto, em janeiro de 1993, quando ele constatou, como
Secretário de Finanças de Campinas, que o maior credor do município era uma
empresa chamada CPEM, que tinha como um dos representantes o Sr. Roberto
Teixeira, compadre do Presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Naquela ocasião, Paulo de Tarso Venceslau relatou ao Sr. Paulo Okamoto que essa
empresa poderia complicar a vida de alguns petistas porque era sabido que Roberto
Teixeira representava essa empresa junto às administrações petistas, vendia
serviços junto à administração petista e era o dono da casa onde Lula residia já há
alguns anos.
No dia 23 de abril realizou-se em Ribeirão Preto, onde o prefeito recém-eleito era o
Sr. Antonio Palocci, uma reunião de Secretários de Fazendas dos Municípios.
Paulo de Tarso Venceslau fez uma exposição e explicou que eles deviam tomar
cuidado com uma empresa chamada CPEM, que estava se apresentando nas cidades
administradas pelo PT, apresentadas pelo compadre de Lula, dizendo que daria
dinheiro ao partido.
Posteriormente, houve uma reunião com o Sr. Luiz Inácio Lula da Silva no governo
paralelo, com a participação, a seu convite, do Sr. Paulo Okamoto. A intenção era
mostrar ao Sr. Luiz Inácio Lula da Silva aquilo que já se tinha constatado na Prefeitura
de São José dos Campos, ou seja, rasuras de documentos, uma fórmula capciosa
que favorecia a empresa e uma série de outros dados que eram marcadamente
favoráveis à empresa e levavam graves prejuízos aos cofres públicos daquela
cidade. E nessa conversa, também documentada, o Sr. Luiz Inácio Lula da Silva

38
pede para Paulo Okamoto imediatamente entrar em contato com Roberto Teixeira,
o que foi feito, e foi marcada uma reunião para o dia seguinte.
Nessa reunião, estiveram Paulo de Tarso Venceslau, Paulo Okamoto, Roberto Teixeira
e Dirceu Teixeira, mas não trouxe nenhum resultado.
O Sr. Paulo Okamoto comunica, então, ao Sr. Paulo de Tarso Venceslau que estava
preocupado porque a segunda caravana da cidadania quase não tinha saído, em
razão de a CPEM ter deixado de contribuir para a caravana da cidadania que percorria
Norte e Nordeste do Brasil fazendo pré-propaganda da campanha de Luiz Inácio
Lula da Silva, que seria candidato no ano seguinte.
Paulo Okamoto, segundo Paulo de Tarso Venceslau, percorria as prefeituras do PT
pedindo a relação de empresários fornecedores da Prefeitura para que ele pudesse
visitar e arrecadar dinheiro para o partido, segundo ele próprio informava.
Essas informações estão devidamente comprovadas, inclusive na comissão de sindicância
interna que o PT fez, composta por três lideranças destacadas no partido
naquele momento – o jurista Hélio Bicudo, o Deputado Federal José Eduardo Martins
Cardoso e o economista Paul Singer.
Para resumir, desde 1993, comprovadamente, o Sr. Paulo Okamoto circulava pelas
prefeituras petistas, sendo o Sr. Paulo de Tarso Venceslau testemunha do caso de
São José dos Campos, tentando contatar fornecedores da Prefeitura que tinham
créditos com a Prefeitura para que ele pudesse conseguir recursos para o partido.
Naquele momento ele não tinha nenhuma responsabilidade partidária em termos
de direção. Ele tinha sido Presidente do diretório estadual do PT alguns anos antes.
Portanto, ele circulava nas prefeituras do PT, sem credenciamento oficial, mas possivelmente
indicado informalmente por algum personagem forte no Partido, para
procurar empresários, fornecedores da Prefeitura petista, para levantar recursos.
Perguntado por esta Relatoria por que o Sr. Paulo de Tarso teria procurado o Sr.
Paulo Okamoto, se ele não era nada no Partido, o Sr. Paulo de Tarso assim respondeu:
Uma pergunta interessante. Sabe, por quê? Por que todo mundo sabia dos
vínculos que ele tinha com o Luiz Inácio Lula da Silva.
Ele era o porta-voz do Lula, ele representava o Lula naquele momento e em todo o
momento, ele cuidava das Finanças pessoais do Lula. Ele cuidava das finanças
pessoais do Lula. Inclusive, diretamente com o contador que era do meu diretório.
É muito curioso, então ele que era o representante, quem cuidava dessa parte toda,
as relações dele com o Lula eram exatamente por aí. Então a presença dele, ele
representava o procurava porque era mais do que sabido das relações que ele tinha
com a burocracia petista. É isso, esse que é o significado da coisa.
Outro caso emblemático, segundo o Sr. Paulo de Tarso Venceslau, foi a contratação
milionária da agência de publicidade Contexto. A diretora de comunicação responsável
pelo processo de contratação, a dona Denise Fonseca de Carvalho, era a
diretora de comunicação da Prefeitura, e contratou jornalistas e radialistas por meio
da URBAN, que é uma empresa municipal, os quais trabalhavam na assessoria de
imprensa da Prefeitura e prestavam serviços à rede de comunicação dos trabalhadores,
a TVT.

39
Os fundadores da TVT foram Luiz Inácio Lula da Silva, José Dirceu, Delúbio
Soares, Luiz Gushiken, Paulo Okamoto, entre outros.
Esta CPI propõe a qualificação das condutas de pessoas citadas e o encaminhamento
dos elementos colhidos para o Ministério Público, para a devida análise e a
formação da opinião delitiva.
12. CASO ‘TONINHO DE CAMPINAS’
Outro tema investigado por esta CPI foi a morte do Sr. Antônio da Costa Santos, o
“Toninho do PT”, ex-prefeito de Campinas.
O ex-prefeito da cidade de Campinas, São Paulo, foi assassinado no dia 10 de setembro
de 2001. Entretanto, até hoje não se apurou exatamente como e por quê isso
aconteceu.
O inquérito policial foi fechado no dia 30 de abril de 2002, e concluiu que o crime
ocorreu por motivo banal. Toninho teria atrapalhado a rota de fuga do bando de
Wanderson Nilton de Paula Lima, vulgo Andinho, um criminoso conhecido na cidade.
O Ministério Público paulista convergiu com a tese da polícia e ofereceu ação penal
contra Andinho em junho de 2002. O processo foi instaurado pelo juiz José Henrique
Torres, do Tribunal do Júri, em 28 de julho do mesmo ano. A família de Antônio
nunca aceitou essa tese, sustentando que o crime teve motivação política, sob
mando dos interesses contrariados durante sua gestão.
Desde a morte de Toninho, estabeleceu-se uma queda-de-braço entre as versões
da polícia e do Ministério Público, de um lado, e da família do prefeito, de outro.
A Polícia Civil de São Paulo, seja a da própria cidade de Campinas ou o DHPP paulistano,
sempre tendeu a rejeitar a hipótese de crime de mando, por motivações políticas,
conforme vem argumentando sem cessar a viúva Roseana Garcia.
O prefeito Toninho abriu uma série de frentes de conflito ao longo de sua carreira
política. Depois de sua experiência como vice-prefeito, criou a Fundação da Cidade,
entidade a partir da qual combatia o que julgava serem verdadeiras máfias que se
apropriavam dos recursos públicos, convertendo-se em uma espécie de fiscal do
município. A longa lista incluía a coleta do lixo, os transportes urbanos, a merenda
escolar, máquinas e veículos da prefeitura e esquemas de falsificação de diplomas
escolares. Incomodava, portanto, os interesses de pessoas envolvidas com a corrupção
na administração pública de Campinas.
Esta CPI ouviu algumas pessoas ligadas ao caso, como a Sra. Roseana Morais
Garcia, viúva de Toninho, os Srs. Ricardo José Gasques de Almeira Silvares e Fernando
Pereira Vianna Neto, do Ministério Público, e, especialmente, o Sr. Anderson
Ângelo Gonçalves, o “Jack”, que afirma ter presenciado o planejamento da morte do
ex-prefeito nas dependências do Bingo Taquaral, em Campinas, estabelecimento
no qual prestava serviços.
Diante das circunstâncias, esta CPI é levada a concluir que o depoimento do Sr.
Anderson não pode ser descartado sem uma investigação criteriosa. Até mesmo
porque, conforme se verificou, a própria polícia e o MP não ficaram livres de certas
contradições ao longo do processo.

40
A hesitação do meritíssimo juiz José Henrique Torres em dar por encerrada a fase
de instrução do processo pode ser interpretada como um indicador eloqüente desse
fato.
Por esse motivo, concluímos pelo encaminhamento do presente Relatório e seus
anexos à Polícia Civil de Campinas/SP, para que aprofundem as investigações sobre
o assassinato do prefeito Antônio da Costa Santos, o “Toninho do PT”...........
........................................................”
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“Cozinheira diz que viu Dirceu e Palocci com malas de dinheiro”
http://pontapora.ms.gov.br/index.php?pagina=noticiasver&
codigo_noticia=1869
Publicado em: 31/05/2006
A cozinheira Zildete Leite dos Reis confirmou hoje que viu os ex ministros
José Dirceu e Antônio Palocci, o presidente do Sebrae, Paulo
Okamotto e o empresário Sérgio Gomes da Silva, conhecido como
Sombra, em festas e encontros na casa de Arcanjo Ribeiro, o Comendador
Arcanjo, apontado como chefe do crime organizado no
Mato Grosso. Ela ainda disse que viu Dirceu, Okamoto e Palocci saindo
com malas de dinheiro durante depoimento à CPI dos Bingos.
Segundo ela, todos eles chegavam em avião particular e malas de
dinheiro estavam presentes nas reuniões ocorridas na mansão em
Cuiabá, em que trabalhou como cozinheira entre 2000 e 2002. Zildete
afirmou ainda que Palocci esteve lá por volta de três vezes e,
em uma das ocasiões, saiu com uma mala cheia de dólares. O
mesmo ocorreu com Dirceu e Okamoto.
Pelo que ela afirma ter ouvido, o dinheiro era direcionado para a campanha
do PT. O relator da CPI, Garibaldi Alves (PMDB-RN)), submeteu uma série
de fotos para serem reconhecidas por Zildete. Ela identificou Palocci, Zé
Dirceu e Okamoto, porém confundiu duas vezes o Sombra, apesar de ter
afirmado anteriormente que viu várias vezes o empresário de Santo André
na casa de Comendador Arcanjo.
Diante das declarações, o senador Álvaro Dias (PSDB-PR) pediu que
sejam convocados Palocci, Okamoto e Dirceu para que se defendam
das acusações e, se necessário, seja realizada uma acareação. "Não
tenho motivo para não acreditar nela e também não tenho nenhuma
razão para que eles não se defendam", disse ele.
Zildete afirmou que concordaria com uma acareação. Ela disse que
provavelmente nenhum outro empregado do Comendador Arcanjo viria falar
sobre o que viu por medo.

41
As declarações da cozinheira provocaram dúvidas nos senadores. Heráclito
Fortes (PFL-PI) afirmou acreditar que ela não está mentindo em tudo.
"Tem alguma coisa ali que é verdade", disse ele. O senador afirmou
também, no entanto, que fazer uma avaliação prévia é precipitada e caso
as denúncias sejam confirmados, configura em crimes gravíssimos.
Morte de Celso Daniel
A cozinheira contou que ouviu uma conversa entre Sombra e o Comendador
Arcanjo. Ela disse que o empresário queria que Arcanjo
indicasse um pistoleiro de Cuiabá, que não fosse conhecido. O pistoleiro
seria contratado para matar o então prefeito de Santo André
Celso Daniel. Entretanto, no final, o pistoleiro contratado não foi de
lá, disse Zildete.
Sobre o mesmo caso, a cozinheira também relatou que ouviu uma conversa
entre os dois em que discutiam qual seria o álibi de Sombra na
morte de Celso Daniel.
Ao ser questionada porque estaria se expondo para denunciar Arcanjo, Zildete
afirmou que acredita que seu irmão foi assassinado a mando do expatrão.
O motivo para o assassinato seria o roubo de gado.
Zildete foi chamada à CPI porque afirmou ao jornal Correio Braziliense que
ouviu informações sobre o planejamento do seqüestro e assassinato do exprefeito
de Santo André (SP) Celso Daniel, ocorridos em janeiro de 2002.
Após fazer as declarações, ela sofreu diversas ameaças de morte.
No início da sessão da CPI dos Bingos, a depoente pediu para entrar
no Programa de Proteção à Testemunha.
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O Documento – Várzea Grande - MT
06/06/2006 - 15:20
Ex-segurança de Arcanjo deporá em sessão secreta da CPI do Bingos
Em depoimento à CPI no mês passado, Arcanjo negou envolvimento com o
assassinato do ex-prefeito de Santo André
Da Redação
O ex-segurança Joacir das Neves, que trabalhou na mansão de João
Arcanjo Ribeiro, conhecido como "Comendador", deporá nesta terça-feira
à CPI dos Bingos em sessão reservada.
Em depoimento prestado ao Ministério Público do Espírito Santo na semana
passada, Neves afirmou que o Comendador se reunia com os ex-ministros
Antonio Palocci e José Dirceu, com o presidente do Sebrae, Paulo Okamotto,
com o ex-líder do PP, Pedro Henry (MT), com o senador Antero Paes de

42
Barros (PSDB-MT), além de Sérgio Gomes da Silva, o Sombra, e Ronan
Maria Pinto, acusados de envolvimento na morte do prefeito Celso Daniel.
Nas conversas, Dirceu, Barros e Henry levariam dinheiro de seus respectivos
partidos para ser "lavado" pelo Comendador, condenado a 37 anos de
prisão em 2003 por assassinato, lavagem de dinheiro e evasão de divisas.
O ex-segurança disse que presenciou uma conversa entre João Arcanjo
e Sérgio Sombra na qual teriam tratado da contratação de
criminosos para seqüestrarem o então prefeito de Santo André,
Celso Daniel.
Na semana passada, declarações semelhantes foram feitas pela cozinheira
da casa de Arcanjo, Zildete Leite dos Reis.
Por não apresentar provas, o relator da CPI, Garibaldi Alves Filho (PMDBRN),
mostrou cautela em relação às declarações.
Em depoimento à CPI no mês passado, Arcanjo negou envolvimento com o
assassinato do ex-prefeito de Santo André. Disse, inclusive, desconhecer
Sombra e Ronan Maria Pinto.
www.interjornal.com.br www.achanoticias.com.br
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“Cozinheira liga Palocci, Dirceu e Okamotto a comendador Arcanjo”
ANDREZA MATAIS
da Folha Online, em Brasília
Em depoimento à CPI dos Bingos, a cozinheira Zildete Leite dos Reis
acusou hoje os ex-ministros Antonio Palocci (Fazenda), José Dirceu
(Casa Civil) e o presidente do Sebrae, Paulo Okamotto, de freqüentarem
a casa do empresário João Arcanjo Ribeiro --conhecido como
comendador Arcanjo, em Mato Grosso. Ela disse ainda que chegou
a ver os três saindo da casa com malas de dinheiro.
Zildete afirmou ainda que viu o empresário Sérgio Gomes da Silva,
o Sombra, procurar Arcanjo para contratar um pistoleiro que iria
assassinar o prefeito de Santo André Celso Daniel (PT).
A CPI mostrou fotos de várias pessoas a Zildete, que reconheceu Palocci,
Dirceu, Okamotto, o ex-bispo Carlos Rodrigues e Fernandinho
Beira-Mar. Segundo ela, o traficante teria negócios com o comendador
Arcanjo, que envolveria tráfico de armas.
Ela comentou que Palocci era "muito arrogante", ao contrário de Okamotto
que "era simpático". Zildete não reconheceu a foto de Sombra. Mas depois
de conversar com o relator da CPI, senador Garibaldi Alves (PMDB-RN),
disse que à época, "antes de 2002", ele usava um cavanhaque e que por
isso não tinha identificado.

43
Zildete trabalhou na casa de Arcanjo como cozinheira do Buffet da Lenira --
que cuidava dos jantares do comendador. Ela disse que resolveu contar o
que sabe porque seu irmão foi assassinado por Arcanjo, que está preso e é
acusado de cometer vários crimes.
Segundo a cozinheira, os dois ex-ministros e Okamotto chegavam a casa
de Arcanjo no jatinho particular dele "para não serem reconhecidos pela
mídia".
Ela revelou que Palocci esteve três vezes na casa, que era considerado como
um irmão pelo comendador, e que em uma das vezes ele saiu com
uma mala de dinheiro. Zildete se contradisse ao dizer que Palocci já era
ministro quando o episódio teria ocorrido, mas afirmou que ele esteve na
casa entre 2000 e 2001. Palocci só assumiu o ministério em 2003.
Dirceu, segundo a cozinheira, esteve duas vezes na casa e também saiu
com uma mala de dinheiro, assim como Okamotto.
Zildete contou que via as malas abertas na sala da casa com dólares e, no
final das visitas, os três saíam com as malas, o que a faz ter certeza de
que levaram o dinheiro.
Cautela na CPI
O relator da CPI recebeu com cautelas o depoimento de Zildete. "As palavras
dela precisam ser comprovadas. Não tenho dúvidas de que ela esteve
na casa, de que preparava as comidas para as pessoas, mas o que ela falou
tem que ser comprovado", ponderou.
O senador Álvaro Dias (PSDB-PR) afirmou, no entanto, que acha ser necessário
uma acareação entre os dois ex-ministros, Okamotto e a cozinheira.
Garibaldi considerou uma "tentativa de sensacionalismo" colocar os quatro
frente a frente.
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“Heloísa Helena pede ajuda para testemunha da CPI dos Bingos”
Por: Agência Senado
Data de Publicação: 4 de outubro de 2006
A senadora Heloísa Helena (PSOL-AL) relatou nesta quarta-feira (4), em
Plenário, que a cozinheira Zildete Leite dos Reis esteve nas dependências
do Senado Federal junto com a filha Elaine dos Reis Franco para pedir reintegração
ao programa de proteção a testemunhas da Polícia Federal (PF).
A cozinheira Zildete prestou depoimento no final de maio deste ano
à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Bingos e acusou os
ex-ministros Antonio Palocci, da Fazenda, e José Dirceu, da Casa

44
Civil da Presidência da República, além do atual presidente do Serviço
Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae),
Paulo Okamotto, de terem ido "duas ou três vezes", entre 2001 e
2002, à mansão do chefe do crime organizado no Mato Grosso, João
Arcanjo Ribeiro - conhecido como Comendador -, que cumpre pena
por assassinato, lavagem de dinheiro e evasão de divisas. Na época
Zildete trabalhava como cozinheira para Arcanjo.
No depoimento, ela também afirmou que Sérgio Gomes da Silva - o Sombra
- foi a Cuiabá procurar o Comendador para que este indicasse um pistoleiro
para assassinar o então prefeito de Santo André (SP), Celso Daniel.
Ela disse que a trama para matar Celso Daniel, engendrada por Sombra,
"outro freqüentador da mansão do Comendador", deu-se em razão de o
ex-prefeito ter descoberto que havia corrupção na prefeitura de Santo André.
E disse que ouviu Sombra falar que era preciso "calar o prefeito". Celso
Daniel foi seqüestrado e morto em janeiro de 2002.
No mesmo dia do depoimento (31 de maio), o então presidente da CPI dos
Bingos, senador Efraim Morais (PFL-PB) solicitou à PF proteção à Zildete.
No entanto, disse Heloísa Helena, na terça-feira (3) Zildete apareceu "aos
prantos" no estacionamento subterrâneo do Senado pedindo ajuda, pois
teria sido desligada do programa de proteção. A senadora informou que Efraim
já enviou novo pedido à PF. Heloísa também pediu providências urgentes
à Mesa do Senado junto à PF.
- Zildete prestou um depoimento muito grave na CPI dos Bingos.
Ela diz que se voltar para Cuiabá vai ser assassinada - disse Heloísa
Helena.
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“Rescaldos da CPI do Fim do Mundo 03/08/2006”
Ruy Fabiano
http://www.abcpolitiko.com.br/index.php?secao=secoes.php&sc=14&id=1
0235
Nenhuma das CPIs que investigaram as denúncias de corrupção no governo
Lula incomodou mais ao presidente, a seus assessores imediatos e à
cúpula do PT que a dos Bingos. É fácil entender. Foi a CPI que mais claramente
evidenciou os vínculos da política - sobretudo a petista - com o
submundo do crime organizado.
A CPI foi acusada de ter fugido ao objeto central de sua investigação: os
bingos e sua relação com o crime. Mas não fugiu. Muito pelo contrário. Ao
investigá-lo, acabou descobrindo que outros vínculos se encadeavam àquele,
formando uma vasta e complexa rede criminosa, que envolvia agentes

45
públicos e chefões da máfia.
Isso explica por que a CPI, partindo de um pedido de propina do exsubchefe
da Casa Civil do governo Lula, Waldomiro Diniz, a um bicheiro,
Carlinhos Cachoeira (depois de obter dele compromisso de financiar candidatos
petistas às eleições de 2002), chegou ao assassinato de dois prefeitos
do PT - Celso Daniel, de Santo André, e Antonio da Costa Santos, de
Campinas.
A CPI chegou a eles seguindo a pista de um novelo - uma espécie de fio de
Ariadne - cuja ponta era Waldomiro Diniz. Esse fio conduziu ao submundo
dos bingos, à sua conexão com algumas máfias que deles se servem para
lavar dinheiro, e constatou que naqueles ambientes circulam também ( e
como!) políticos, em busca de verbas - para campanhas eleitorais e para si
mesmos.
Tais revelações pareciam infindas. A investigação dessas máfias revelou
métodos poucos ortodoxos de administração de prefeituras, em que começaram
a ser identificados personagens conhecidos da política brasileira. Um
deles caiu de maduro: o ex-prefeito de Ribeirão Preto, ex-deputado e exministro
da Fazenda de Lula, Antonio Palocci - por sinal, candidato, mais
uma vez, a deputado federal pelo PT.
Diante da constatação de que estavam diante de um veio aparentemente
inesgotável de escândalos - como uma caixa de lenços de papel, em que, a
cada unidade removida, outra se apresenta -, os senadores depararam-se
com um dilema: ater-se ao objeto central da CPI, fingindo que o resto não
lhes dizia respeito, ou tratar esse objeto central como ponto de partida e
avançar o tanto possível, senão para esgotar o tema, ao menos para oferecer
ao Ministério Público, à sociedade brasileira e ao Judiciário elementos
para uma devassa mais completa do submundo do crime.
A lei diz que uma CPI para se instalar precisa dispor de um fato determinado.
Não diz, porém, o que fazer quando esse fato determinado conduz a
outros, aos quais está umbilicalmente ligado. Desistir ou ir em frente? Os
senadores da CPI dos Bingos foram em frente. Estão agora sendo excomungados
pelo governo.
Pouco importa se a CPI se instalou por iniciativa de um senador desacreditado,
que agora se vê às voltas com outra CPI, na qualidade de acusado.
Foi o senador Magno Malta (PL-ES), que hoje é réu na CPI dos Sanguessugas,
que propôs a CPI dos Bingos.
O governo explora essa circunstância para enfraquecer o que a CPI apurou.
Esquece-se que Malta integrava sua base parlamentar - o partido pelo qual
se elegeu o vice-presidente da República, José Alencar (numa transação
que, segundo o ex-deputado Roberto Jefferson, envolveu o pagamento de
propina pelo PT ao PL de R$ 10 milhões - mas essa é outra história, conta46
da pela CPI dos Correios).
Mesmo proposta por Malta, a CPI dos Bingos não foi conduzida por ele,
nem tem relação com os eventuais delitos que tenha praticado. Se ele a
usou para uma encenação particular, quebrou a cara. A lei do retorno pegou-
o de calças curtas. Curtíssimas.
Voltemos à CPI dos Bingos - também apelidada de CPI do Fim do Mundo,
tal a abrangência de delitos que mapeou, dando às vezes a impressão de
que se estava diante do apocalipse moral do país e de suas instituições. A
propósito do que lá ocorreu - e na contramão da expectativa nacional -, o
presidente Lula solicitou há dias a alguns juristas sugestões para nova regulamentação
das CPIs. E eles prontamente o atenderam.
O pretexto é o eventual abuso nas investigações de CPIs. Testemunhas são
destratadas, ofendidas, sem direito de resposta. Advogados são desrespeitados,
sigilos são quebrados sem respaldo judicial etc. Não há dúvidas de
que abusos devem ser coibidos - e isso já está previsto na lei. Não é necessário
reduzir o Poder das CPIs. Basta acioná-la - e para tal há o Judiciário
- que, aliás, cumpriu papel ativo no curso das recentes CPIs.
Basta lembrar quantos depoentes, antes de comparecer perante os inquisidores,
muniram-se de hábeas corpus preventivo junto ao Supremo Tribunal
Federal, que, para salvaguardar direito constitucional - o de que ninguém
é obrigado a depor contra si mesmo -, acabou estabelecendo como
efeito colateral o recurso à mentira e ao silêncio, obstando as investigações.
Restringir o Poder das CPIs, neste momento em que o país clama por conseqüências
punitivas para os que delinqüiram, soará como mais um ato em
favor da impunidade. Agravará a circunstância abusiva de mensaleiros e
sanguessugas estarem autorizados a disputar mais um mandato.
A CPI dos Bingos não merece protestos. Deve, sim, ser melhor estudada.
Há ali depoimentos que passaram ao largo da mídia, pela fadiga de escândalos,
estabelecida por tantos meses de denúncias cabeludíssimas, sem
que delas tenha resultado muita coisa.
Dois depoimentos à CPI dos Bingos merecem ser relidos: o de Zildete Leite
dos Reis, cozinheira do Comendador Arcanjo - um dos chefões do crime
organizado brasileiro e ligado ao submundo dos bingos e da jogatina em
geral - e de outro funcionário seu, Joacir das Neves. Segundo ambos - a
cozinheira com mais detalhes -, Arcanjo teria recebido, na campanha eleitoral
de 2002, em sua confortável Estância 21, em Mato Grosso, ilustres visitas.
Entre outros, José Dirceu, Antonio Palocci, Paulo Okamoto (aquele que pagava
as contas pessoais de Lula e depois seria nomeado por ele presidente

47
do Sebrae), Sérgio Gomes da Silva (o Sombra, suspeito de ter tramado o
assassinato do prefeito Celso Daniel, de Santo André), o traficante Fernandinho
Beira-Mar e outros políticos estaduais. Não misturado assim, claro.
Cada qual tinha sua visita previamente agendada.
Mas todos, no fim das contas, tinham um objetivo principal: dinheiro - matéria-
prima do trabalho do Comendador. Segundo os depoentes disseram à
CPI, esses personagens de lá saíam com malas carregadas de dólares e reais.
O que podia variar era a contrapartida: a de Fernandinho Beira-Mar
seguramente não era a mesma dos políticos, embora os unisse o patrocinador
comum. Mas isso,
Joacir das Neves, ao contrário de Zildete, não viu José Dirceu na
Estância 21, mas ouviu falar de sua presença e disse ter ouvido o
Sombra relatar que Celso Daniel havia descoberto o esquema de
desvio de recursos do caixa dois do PT em Santo André, para proveito
próprio. E que era preciso eliminá-lo.
O que fazer com informações assim? Apurá-las ou desistir? A CPI dos Bingos
fez a primeira opção. O governo quer agora impor a segunda. Faça você
mesmo sua escolha. E procure ler, na página do Senado na Internet
(www.senador.gov.br) os depoimentos mencionados. Estão lá - e é de graça.
Ruy Fabiano é jornalista
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“O exílio de dois brasileiros na França”
Como vive o casal que pediu refúgio político à França para fugir dos assassinos
do ex-prefeito Celso Daniel
Gabriel Brust | ZERO HORA - Especial/Paris Política | 17/10/2009 | 17h34min
“Você vai nos reconhecer. Somos um casal estranho. Eu sou baixinha com cara de japonesa,
Bruno é alto com cara de italiano.”
O último dos vários e-mails trocados ao longo de dois meses deixa clara a preocupação
de Marilena Nakano, 61 anos, com a segurança. O encontro é marcado em local
público. Ao seu lado, em uma saída de estação de metrô na periferia de Paris, surge
seu marido, Bruno José Daniel Filho, 56 anos – um dos irmãos de Celso Daniel, ex48
prefeito da cidade paulista de Santo André, assassinado em 2002. O casal “estranho”
na aparência vive há três anos na França, em endereço não revelado e em circunstâncias
ainda mais exóticas: são refugiados políticos reconhecidos pelo governo francês.
Deixaram o Brasil para não virar estatística. No caso, os números nove e 10 na lista de
pessoas mortas em circunstâncias suspeitas, todas relacionadas de alguma forma ao
caso Celso Daniel.
A descrição do e-mail foi fiel. Bruno José, quase um 1m90cm, magro, cabelo batido e
queixo proeminente, destoa de Marilena, enquanto caminham de braços dados pelas
ruas de uma das pequenas cidades da banlieue, a periferia parisiense. Marilena é
quem mais fala durante as duas horas de conversa em um café. Deixa transparecer indignação,
tristeza e, às vezes, até bom humor. Bruno fala pouco e tenta, mas não consegue,
sorrir. A morte traumática do irmão seria apenas o primeiro episódio a roubarlhe
qualquer possibilidade de voltar a ter uma existência tranquila. Quem define o trauma
é Marilena:
– Lidamos com duas mortes. Uma foi a do Celso. A outra foi a morte simbólica de companheiros
do PT. De companheiros, não têm nada.
O abandono de ex-companheiros
Foi em função da segunda morte, mais do que da primeira, que o casal desembarcou
na França no dia 1º de março de 2006. No segundo semestre de 2005, Bruno, então
professor de Economia da PUC-SP, percebeu que o único resultado da luta para desvendar
o assassinato do irmão foi o isolamento da família. Restavam ele e Marilena,
ambos ex-petistas históricos, como dois Davis batendo de frente com interesses aparentemente
ocultos, que se materializavam em duas frentes. Primeiro, na Polícia Civil,
que, com apenas três meses de investigação, em abril de 2002, concluiu que o assassinato
não passou de crime comum – Celso teria sido seqüestrado por engano, no lugar
de um empresário. Em segundo, na suposta debandada de companheiros históricos
do PT, ocorrida por volta de 2003. Marilena conta:
– A nossa última tentativa de obter apoio do PT foi quando tivemos acesso às fotos da
necropsia. Elas mostram que Celso foi torturado. Chamamos alguns petistas, um a um,
para dizer “você vai ver o que nós vimos, e a gente está pedindo pela última vez: vocês
têm de fazer alguma coisa”. Nunca moveram uma palha.
A indiferença inicial de ex-companheiros se tornaria repúdio aberto à atuação do casal
a partir de 6 de outubro de 2005. Bruno confirmou, em depoimento à CPI dos Bingos,
ter ouvido de Gilberto Carvalho, chefe de gabinete do presidente Luiz Inácio Lula da
Silva, um relato sobre corrupção na prefeitura de Santo André com arrecadação de
propina para o PT. A participação na CPI foi a gota d’água para acabar com qualquer
relação entre o partido e a família Daniel.
Falta de dinheiro gera dificuldades
O embate do casal e de outro irmão da vítima, João Francisco Daniel, hoje respira graças
à intervenção do Ministério Público (MP) de São Paulo. Após avaliar que a investigação
policial apresentava questões não esclarecidas, o MP solicitou, em 2002, a reabertura
dos trabalhos. Desde então, os esqueletos não pararam de sair do armário. Oi49
to pessoas foram denunciadas pelo assassinato. Outras oito relacionadas ao caso morreram
em circunstâncias misteriosas.
– Começamos a sofrer ameaças de forma mais intensa depois que o legista veio a público
e disse “Celso foi torturado, não foi um crime comum”. Era a fala de um especialista.
Antes de concluir o relatório, foi encontrado morto – conta Bruno.
As ameaças, em telefonemas suspeitos, levaram a polícia a providenciar segurança 24
horas para Bruno. Até que um telefonema feito a uma tia da família deixou claro: um
dos sobrinhos de Celso seria morto caso os irmãos do ex-prefeito não deixassem o país.
O casal tratou de providenciar a partida dos três filhos.
– Em seguida, caiu a ficha: estávamos pensando nos filhos. Mas e nós? Quando começamos
a pensar na saída deles, era mais ou menos inescapável pensar na nossa
saída também.
Em março de 2006, o casal chegaria à França, país escolhido pela proximidade cultural
– Marilena havia estudado lá por seis meses na época da morte de Celso – e pela tradição
em acolher refugiados políticos.
O status de refugiado foi obtido no segundo semestre de 2006, após avaliação do Ofício
Francês de Proteção aos Refugiados e Apátridas. A tarefa não costuma ser fácil:
apenas 10% dos estrangeiros que solicitam o refúgio são aceitos. Em 2006, os Daniel
foram a única família brasileira a obter o status – que lhes permite trabalhar e viver legalmente
–, graças às comprovações de que poderiam ser mortos caso voltassem ao
Brasil. Os dois levaram uma vida secreta no Exterior até o início deste ano, quando resolveram
voltar a se manifestar através de cartas abertas a instituições brasileiras.
A dificuldade do casal hoje é de ordem financeira. Contam com a ajuda de amigos para
sobreviver e recorrem a trabalhos eventuais, cada vez mais escassos em tempos de
crise econômica européia. Marilena está recorrendo ao seguro-desemprego. Bruno tenta
rir da ironia do destino:
– No Brasil, eu dava aula justamente sobre Estado de bem-estar social. Agora a gente
tem um status aqui de família de baixa renda, então recorremos ao Estado de bemestar
social e sofremos as mesmas agruras das pessoas francesas de baixa renda. Eu
não desejo o exílio para ninguém. Deixamos amigos, família, nosso país, nosso trabalho.
Tudo isso perdemos. Tínhamos uma vida regular. Perdemos.
Entenda o caso:
- Prefeito de Santo André, Celso Daniel (foto) foi assassinado com oito tiros em janeiro
de 2002. Ele era coordenador do plano de governo do então candidato a presidente Luiz
Inácio Lula da Silva.
- As investigações apontaram para um seqüestro. No entanto, depoimentos a promotores
indicaram a possibilidade de homicídio político.

50
-- Segundo testemunhas, uma quadrilha teria sido contratada para matar o ex-prefeito
porque ele teria ameaçado denunciar companheiros petistas por suposto desvio de dinheiro
extorquido de empresários.
- Acusado de ser o mentor do crime, o empresário Sérgio Gomes da Silva, o Sombra,
era amigo de Daniel e o acompanhava na noite do seqüestro. Sombra é suspeito de
ser o arrecadador das propinas.
- O PT e a Polícia Civil sustentam a tese de que houve crime comum (sequestro seguido
de morte). Já o MP e a família de Celso Daniel defendem a teoria de crime premeditado
por vingança
Há três anos na França, Marilena e Bruno não revelam endereço, mas aceitam conversar
em café.
Foto:Gabriel Brust, Especial
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“DOSSIÊ DOS ‘aloprados’ petistas -
http://viomundo.globo.com/site.php?nome=PorBaixoPano
Delegado Bruno: Fotos "originais" derrubam hipóteses mas fornecem novas pistas
51
52
Dia desses propus no site uma investigação colaborativa, usando o método jornalístico
oficialmente adotado pela TV Globo: o "teste de hipóteses". Vamos especular à vontade
sobre o vazamento das fotos do dinheiro que aconteceu na antevéspera do primeiro
turno das eleições presidenciais de 2006.
De acordo com o delegado Edmilson Bruno, da Polícia Federal, autor do vazamento,
aconteceu o seguinte:
53
a) Na quinta-feira que precedia o primeiro turno, por volta das 5 da tarde, ele estava na
sede da Protege, empresa de segurança que guardava o dinheiro apreendido com aloprados
petistas. Edmilson Bruno se apresentou na Protege como delegado do caso - o
que não era - e aproveitou uma perícia em andamento para fazer suas próprias fotos
do dinheiro.
b) Na noite da quinta-feira, segundo jornalista que testemunhou o encontro, o delegado
se encontrou do lado de fora do prédio da Polícia Federal com um grupo de repórteres,
aos quais prometeu uma "bomba". Àquela altura, presume-se, o delegado já tinha as
fotos do dinheiro. Porém, por algum motivo não explicado, o delegado não vazou as fotos
naquele momento. Será que ele tirou as fotos com sua própria máquina, como disse
aos jornalistas? Ou foi apenas o intermediário?
c) Na sexta-feira de manhã o delegado se encontrou com um grupo de repórteres do
lado de fora do prédio da PF, trazendo documentos e um CD com as fotos. Os documentos
faziam parte de um inquérito que corria em segredo de Justiça. Não estavam
presentes representantes das três principais emissoras de TV: Globo, Bandeirantes e
SBT. A conversa entre o delegado e os repórteres foi gravada por dois dos jornalistas.
Nela, o delegado informa aos repórteres que vai inventar uma história para o chefe, segundo
a qual o CD com as fotos teria sido furtado de dentro do prédio da PF. Ele insiste
para que a divulgação aconteça naquela mesma noite, no Jornal Nacional, da Band
e do SBT. Sugere que as imagens das fotos sejam editadas. É o delegado-editor em
ação. Curiosamente, ele deixou a emissora de maior audiência "por último". Ou já teria
vazado o material para a TV Globo e tentou enrolar os repórteres?
d) Além de ocupar o espaço nobre do noticiário noturno, as fotos explodiram nas capas
de jornais de todo o Brasil no dia seguinte, sexta-feira, antevéspera do primeiro turno.
Recebi, por e-mail, oito das fotos em alta resolução divulgadas pelo delegado Bruno.
Sabemos que a nona foto é a que ilustrou tanto a capa da Folha quanto a propaganda
eleitoral de Geraldo Alckmin entre o primeiro e o segundo turnos, a da parede de dinheiro.
E a décima saiu na capa do Estadão. Como o delegado Bruno mencionou, na
conversa com os repórteres, a existência de ao menos 12 fotos, faltam duas.
54
Uma das fotos que recebi desfaz a "hipótese" que eu mesmo havia proposto, segundo
a qual haveria um rosto refletido no malote de dinheiro. Sabemos que o delegado Bruno,
ainda que não fosse o delegado do caso, mandou juntar todos os reais no malote
para tirar a fotografia. Teria sido o delegado-cenógrafo em ação?
Um leitor ampliou a foto do malote e enxergou dois rostos refletidos no plástico, outro
especulou que havia uma pessoa escondida atrás do malote. Eu diria que, diante dessa
foto original, aparentemente sem edição, essas hipóteses afundaram.
Porém, as fotos que recebi fornecem novos subsídios aos leitores-investigadores -
especuladores-testadores-de-hipóteses: elas revelam a presença de alguns funcionários,
cinco ao todo, que aparecem nas imagens. Você conhece algum deles? Se sim,
será que eles podem dizer quem estava na perícia? Se o delegado Bruno estava mesmo
lá? Se levou alguém com ele?
Lembre-se: enquanto o delegado Bruno não dá uma entrevista para esclarecer alguns
detalhes importantes registrados na gravação com os jornalistas temos tempo à vontade
para especular.
Eu gostaria de saber, por exemplo, qual é "a foto da Globo" à qual ele se refere na gravação
com os jornalistas; se ele fazia uma investigação paralela do caso e a pedido de
quem; se vazou as fotos primeiro para um repórter e foi instruído a fazer o vazamento
geral pelo próprio repórter, para que a emissora não parecesse envolvida em mais um
golpe pré-eleitoral; se ele manteve contato com algum representante da campanha de
Geraldo Alckmin antes de vazar as fotos. Esse caso continua muito mal explicado, do
dossiê à origem do dinheiro, do delegado-vazador à atuação dos repórteres.
55
Publicado em 20 de novembro de 2007
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“Carta aberta de Bruno José Daniel Filho, um dos irmãos de Celso
Daniel.”
Vale a pena ler de novo
Corpo de Celso é encontrado Cicatrizes de tortura no corpo de Celso
Hoje, 16 de abril, Celso Daniel, meu irmão, estaria completando 58 anos de vida.
Como todos sabem, foi seqüestrado, torturado e assassinado há mais de sete anos
quando era prefeito de Santo André e coordenava a elaboração do programa de
governo do então candidato à presidência da república Luis Inácio Lula da Silva.
Sérgio Gomes da Silva, que o acompanhava no momento do seqüestro,foi denunciado
pelo Ministério Público como mandante desse crime. Foi preso por um pequeno
período, mas responde em liberdade, após obter habeas corpus do Supremo Tribunal
Federal, sob a alegação de que não representa perigo para a sociedade.
Apesar de todas as evidências colhidas pelo MP que mostraram que o crime foi planejado
e que há pelo menos um mandante, o Poder Judiciário ainda sequer decidiu
se o julgamento deve ir a júri popular porque, segundo informações que obtivemos
do MP, a última das testemunhas arroladas pela defesa de «Sombra» (conforme
Sérgio é chamado pela imprensa e era conhecido nos meios petistas) ainda não foi
ouvida, pois nunca é encontrada. Parece-nos que expedientes como esse e tantos
outros são usados para que as tramitações legais se alonguem no tempo, de modo
a tornar mais difícil sua solução
Texto completo
Inúmeros outros assassinatos que ganharam amplo espaço na imprensa já foram
resolvidos ou a justiça já se posicionou quanto ao encaminhamento a ser dado.
Como explicar que no «caso Isabella», de cinco anos, morta em 2008 ao cair do
apartamento onde residia, seu pai e sua madrasta já tenham ido a júri popular e até
56
hoje o processo de Celso segue sem essa decisão após mais de 7 anos? Como explicar
que o promotor Igor Ferreira, 3 anos após ter tirado a vida de sua esposa já
tenha sido julgado e condenado e o caso de Celso segue ainda sem resposta da
justiça? Como explicar que no crime de que foi acusado o promotor Thales Ferri
Schoedl a decisão final tenha sido tomada em menos de 4 anos e os indiciados pelo
crime contra Celso ainda sequer tenham ido a júri popular? Como explicar que o jornalista
Pimenta Neves tenha sido condenado em primeira instância após 6 anos
pela morte de sua namorada, a jornalista Sandra Gomide, e o assassinato de Celso
ainda s se encontra em fase de arguição de testemunhas pelo juiz?
Poderíamos citar outros crimes, mas esses já são exemplares para afirmar: há algo
de estranho que impede que o julgamento dos responsáveis por seu seqüestro, tortura
e assassinato não seja solucionado. Quais são as razões dessa morosidade?
Quais são as pessoas e instituições que têm interesse no sentido de que nada seja
resolvido?
Não cabe a mim julgar os indiciados, mas cabe a mim denunciar esta morosidade.
Além disso tenho o direito de apontar problemas de procedimentos correntes na justiça
brasileira. Por exemplo, procedimentos que impedem o juiz de tomar a decisão
se o processo relativo ao assassinato de meu irmão, passados mais de 7 anos de
sua morte, vai ou não a júri popular enquanto não for ouvida a última testemunha de
defesa de Sérgio Gomes da Silva.
Que país é o nosso em que pessoas já condenadas em primeira instância podem ficar
soltas até que todos os recursos nas demais instâncias sejam analisados enquanto
nós, minha família e eu, tivemos que deixar o país em 2006 em função de
intimidações, perseguições e ameaças que sofremos e depois de terem ocorrido oito
mortes relacionadas à morte do Celso? Se é justo que um julgamento tenha que
chegar a seu fim para que haja punições, é justo que os procedimentos legais possam
se alongar quase que indefinidamente ?
Para aqueles que esperam que eu me cale, apesar da condição de exílio que hoje
vivo, outorgado pelo Estado francês, uma vida que tem um lado amargo porque fico
distante de meu país e sou impedido de ver amigos e parentes, quero dizer que o
presente que tenho a dar ao meu irmão em cada um de seus aniversários é e será
a minha luta, mesmo à distância, pelo aperfeiçoamento das nossas instituições através
de nossas reivindicações de punição aos culpados pela morte de Celso e de
mudanças ligadas às causas que lhe deram origem.
Como aceitar que Donizeti Braga, que teria tido seu celular rastreado na região do
cativeiro de meu irmão, tenha direito a foro especial no processo de investigação
pelo único fato de ser deputado estadual? Como aceitar que o « Sombra» responda
em liberdade por decisão da mais importante instância do Judiciário brasileiro enquanto
somos obrigados a viver exilados? Como aceitar que a lentidão de recursos
interpostos possam retardar durante anos e anos a punição de criminosos, agora
que o STF decidiu que a prisão de um condenado só pode ocorrer quando julgados
todos os recursos?
Sabemos que contamos com a solidariedade e apoio de muitos que lutam e
também desejam que o Brasil seja um país mais democrático e menos in57
justo. Que esta carta ajude neste sentido e contribua para que o caso seja
equacionado o mais rápido possível.
Bruno José Daniel Filho
França, 16 de abril de 2009
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“As sete mortes do Caso Celso Daniel”
Mais uma morte misteriosa ligada ao caso Celso Daniel. Desde que o prefeito de
Santo André foi assassinado, em janeiro de 2002, sete pessoas com algum elo com
o crime também morreram. Esta semana foi o médico legista Carlos Delmonte, encontrado
morto em seu escritório. Foi ele quem examinou o cadáver de Celso Daniel
e concluiu que o político tinha sido torturado antes de morrer.(ver foto no site)
Foi num prédio que o médico legista Carlos Delmonte passou seus últimos momentos.
Ele chegou de madrugada, como sempre fazia. Tomou banho, fez a barba e,
mais tarde, foi encontrado morto pelo filho.
Tinha 55 anos, mais de três mil autópsias realizadas e muitas histórias para contar.
Uma delas a do prefeito de Santo André, Celso Daniel, seqüestrado e morto em janeiro
de 2002. Carlos Delmonte examinou em detalhes o corpo do político. Em agosto
passado falou ao Fantástico e confirmou: Celso Daniel foi torturado antes de morrer.(...)
O legista era uma das principais testemunhas do caso. Iria depor na CPI dos Bingos,
que investiga, também, o assassinato de Celso Daniel.
“Surpreende o fato do legista morrer de causa não natural, ao que tudo indica, um
mês e meio depois de ser ouvido pelos promotores, quando ele prestou um depoimento
bastante seguro com relação ao assassinato do Celso Daniel”, declara o promotor
Roberto Wider Filho.
A morte de Carlos Delmonte aumentou ainda mais o mistério que envolve o assassinato
de Celso Daniel. Além do legista, outras seis pessoas - que de alguma forma tiveram
ligação com o caso - também morreram. Todas da mesma forma: vitimas da
violência.
O Fantástico teve acesso ao relatório do Departamento de Homicídios de São Paulo
que revela detalhes sobre todos esses crimes. A polícia acha que as mortes não têm
ligação entre si, nem com o assassinato de Celso Daniel. A promotoria levanta suspeitas
em alguns casos. Estas são as outras seis vítimas.
Dionísio Severo, seqüestrador. Fugiu de helicóptero de um presídio, um dia antes do
seqüestro de Celso Daniel. Era apontado pelo Ministério Publico como um dos seqüestradores.
“Temos elementos pra afirmar que Dionísio estava presente no momento do arrebatamento”,
acusa o promotor.
58
Dionísio foi preso e morreu numa outra cadeia, dias depois de dizer que iria contar
detalhes sobre o assassinato do prefeito. Para a polícia, a morte de Dionísio foi resultado
de brigas entre facções criminosas.
“Foi a mando do Cezinha, o César Augusto. Chefe de facção criminosa em São Paulo”,
afirma o delegado Armando de Oliveira Costa Filho.
Manoel Estevam, assaltante, conhecido como Orelha. Ele abrigou Dionísio quando o
seqüestrador fugiu da cadeia. Assassinado a tiros na Zona Leste de São Paulo.
“Este caso ainda não está esclarecido”, diz o delegado.
Antônio Palácio, garçom que atendeu Celso Daniel na noite do seqüestro, quando o
prefeito jantou com o amigo Sérgio Gomes, o Sombra. O garçom morreu ao bater a
moto contra um poste, supostamente tentando escapar de um assalto. Antônio tinha
deposto na polícia, como testemunha. Ele ouviu Celso Daniel e Sombra conversando.
Paulo Brito, funcionário da Febem. Era testemunha da morte do garçom. Ele viu Antônio
Palácio bater num poste quando fugia de dois assaltantes também numa moto.
Paulo foi assassinado a tiros.
“Cerca de 20 dias depois de ter presenciado esses fatos é assassinado com um tiro
na nuca. Eu não estou dizendo que algum desses casos tem ligação direta, eu estou
dizendo que todos esses casos merecem uma investigação mais apurada”, pede o
promotor.
Otávio Mercier, investigador. Ele teria conversado pelo celular com Dionísio, dias antes
do seqüestrador ser morto na cadeia. Nesse caso, polícia e promotoria concordam:
Otávio foi morto num assalto, sem nenhuma ligação(?) com o caso Celso Daniel.
Iram Rédua, agente funerário. Foi quem recolheu o corpo de Celso Daniel numa estrada
em São Paulo. Foi assassinado a tiros. Polícia e promotoria também afirmam:
não há ligação com o caso do prefeito Celso Daniel.
“O motivo foi disputa comercial”, diz o delegado.
A sétima morte foi a do legista Carlos Demonte. Para a família ele não se matou. Por
isso, Delmonte não foi enterrado na ala reservada a suicidas, como prevê a tradição
judaica. Os exames do IML vão ser decisivos. Só com eles a policia vai saber
a causa da morte.
“A hipótese mais evidente é de envenenamento. Ainda há muito a se investigar”,
declara o promotor.
Se o envenenamento for confirmado, a polícia precisa descobrir: Delmonte se matou
ou foi assassinado?

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