Usina de Letras
Usina de Letras
Usina de Letras
44 usuários online

Artigos ( 41660 )
Cartas ( 19702)
Contos (11635)
Cordel (8513)
Crônicas (17833)
Discursos (2921)
Ensaios - (8389)
Erótico (19129)
Frases (39348)
Humor (20131)
Infantil (4095)
Infanto Juvenil (2961)
Letras de Música (5327)
Peça de Teatro (1158)
Poesias (127339)
Redação (2792)
Roteiro de Filme ou Novela (826)
Teses / Monologos (2515)
Textos Jurídicos (1882)
Textos Religiosos/Sermões (3207)




= SERVIÇOS =
Patrocine um Autor
Vitrine
Copia CD
Facilidades para o QA
Nossa Proposta
Fale Conosco
Onde Estamos
Nota Legal
 




 

" >Busca | ">Placar | ">Assine | Quadro de Avisos: ">1 "> 2 | Ajuda | ">Autores | ">Central do Autor | ">Contato | ">Logoff

Serviços: ">Patrocine um Autor ou Texto | ">Vitrine | ">Cópia de seus Textos | "> | ">Publique seu Livro| ">Franquia da Editora Usina de Letras |

Receba um aviso sempre que este autor publicar novos textos, clique aqui
Contos--> Lixo (Luis Fernando Veríssimo) -- 02/08/2004 - 09:52 (CARLOS CUNHA / o poeta sem limites)
Este Autor não concorda com o uso de seus textos sem autorização prévia
Patrocine esse Autor Patrocine esse Texto envie este texto para um amigoveja outros textos deste autor







LIXO



Encontram-se na área de serviço. Cada um com o seu pacote de lixo. É a primeira vez que se falam.

- Bom dia.

- Bom dia.

- A senhora é do 610.

- E o senhor do 612.

- Eu ainda não lhe conhecia pessoalmente...

- Pois é ... - Desculpe a minha indiscrição, mastenho visto o seu lixo ...

- O meu quê?

- O seu lixo.

- Ah...

- Reparei que nunca é muito. Sua família deve ser pequena.

- Na verdade sou só eu.

- Humm. Notei também que o senhor usa muito comida em lata.

- É que eu tenho que fazer minha própria comida. E como não sei cozinhar .

- Entendo.

- A senhora também .

- Me chama de você.

- Você também perdoe a minha indiscrição, mas tenho visto alguns restos de comida em seu lixo. Champignons, coisas assim.

- É que eu gosto muito de cozinhar. Fazer pratos diferentes. Mas como moro sozinha, às vezes sobra.

- A senhora... Você não tem família?

- Tenho, mas não aqui.

- No Espírito Santo.

- Como é que você sabe?

- Vejo uns envelopes no seu lixo. Do Espírito Santo.

- É. Mamãe escreve todas as semanas.

- Ela é professora?

- Isso é incrível! Como você adivinhou?

- Pela letra no envelope. Achei que era letra de professora.

- O senhor não recebe muitas cartas. A julgar pelo seu lixo.

- Pois é ...

- No outro dia, tinha um envelope de telegrama amassado.

- É.

- Más notícias?

- Meu pai. Morreu.

- Sinto muito.

- Ele já estava bem velhinho. Lá no Sul. Há tempos não nos víamos.

- Foi por isso que você recomeçou a fumar?

- Como é que você sabe?

- De um dia para o outro começaram a aparecer carteiras de cigarro amassadas no seu lixo.

- É verdade. Mas consegui parar outra vez.

- Eu, graças a Deus, nunca fumei.

- Eu sei, mas tenho visto uns vidrinhos de comprimidos no seu lixo...

- Tranqüilizantes. Foi uma fase. Já passou.

- Você brigou com o namorado, certo?

- Isso você também descobriu no lixo?

- Primeiro o buquê de flores, com o cartãozinho, jogado fora. Depois, muito lenço de papel.

- É, chorei bastante, mas já passou.

- Mas hoje ainda tem uns lencinhos.

- É que estou com um pouco de coriza.

- Ah.

- Vejo muita revista de palavras cruzadas no seu lixo.

- É. Sim. Bem. Eu fico muito em casa. Não saio muito. Sabe como é.

- Namorada?

- Não.

- Mas há uns dias tinha uma fotografia de mulher no seu lixo. Até bonitinha.

- Eu estava limpando umas gavetas. Coisa antiga.

- Você não rasgou a fotografia. Isso significa que, no fundo, você quer que ela volte.

- Você está analisando o meu lixo!

- Não posso negar que o seu lixo me interessou.

- Engraçado. Quando examinei o seu lixo,decidi que gostaria de conhecê-la . Acho que foi a poesia.

- Não! Você viu meus poemas?

- Vi e gostei muito.

- Mas são muito ruins!

- Se você achasse eles ruins mesmos, teria rasgado. Eles só estavam dobrados.

- Se eu soubesse que você ia ler ...

- Só não fiquei com ele porque, afinal, estaria roubando. Se bem que, não sei: o lixo da pessoa ainda é propriedade dela?

- Acho que não. Lixo é domínio público.

- Você tem razão. Através dos lixo, o particular se torna público. O que sobra da nossa vida privada se integra com a sobra dos
outros. O lixo é comunitário. É a nossa parte mais social. Será isso?

- Bom, aí você já está indo fundo demais no lixo. Acho que...

- Ontem, no seu lixo.

- O quê?

- Me enganei, ou eram cascas de camarão?

- Acertou. Comprei uns camarões graúdos e descasquei.

- Eu adoro camarão.

- Descasquei, mas ainda não comi. Quem sabe a gente pode... Jantar juntos?

- É. Não quero dar trabalho.

- Trabalho nenhum.

- Vai sujar a sua cozinha.

- Nada. Num instante se limpa tudo e põe os restos fora.

- No seu lixo ou no meu...


Luis Fernando Veríssimo





Visite a minha página clicando aqui

CARLOS CUNHA/o poeta sem limites

dacunha10@hotmail.com









De sua nota para este Texto             
Currículo do Autor Exibido: Contador disponível só para assinantes - Assine Aqui
 
Receba um aviso sempre que este autor publicar novos textos, clique aqui
Patrocine esse Autor Patrocine esse Texto envie este texto para um amigoveja outros textos deste autor















VITRINA DE LIVROS
Illuminati
Elias Karan
A Última Entrevista de José Saramago
José Rodrigues dos Santos
Seu Adolpho
Felipe Pena
Histórias da Barraria, Uma Região de Tocantins
IRENO FRAGOSO DA LUZ
O Melhor da Pior Parte
JBruno Graciano
BACABA - Memorias de um Guerreiro de Selva da Guerrilha do Araguaia
José Vargas Jiménez
Contente em Ler - Cineastas – Volume I
Varios Cineastas
LIMITES DEMOCRÁTICOS DO BRASIL
Patricia Dantas
MÚSICA PARA PENSAR
Gilson Chagas
EDUCAÇÃO PARA A VIDA: a Grande Utopia e o Impulso Cósmico
Prof. José Bonilla
Receitas para minha filha que vai casar - para a cozinha e para a vida
Neyd Maria Makiolka Montingelli
O HÉLIO
Pedro Paulo Rosa
POR UM MUNDO MELHOR
Joasé Araújo
FRAGMENTOS DO TEMPO
André Augusto Passari
ANJOS DO SENHOR
Prof. Barros de Oliveira
HUMOR VERMELHO
Isabella Saes
Filho do Céu
Felipe Catusso
Os que desaparecem nunca morrem
Darcy Brito
INÍCIO DE UM SONHO-Orientação e Mobilidade Infantil
Rosa Maria Novi
Toponímia Mineira de origem Tupi
Clêuton Gonçalves
Estilhaços de uma Vida em Espiral
Wilson Moreira
Fortes Laços
Antônio Brandão
POEMAS & LETRAS
Chico Feitosa
Divulgue seu livro