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Contos-->O Vôo da Fênix -- 29/05/2004 - 15:07 (Pedro Wilson Carrano Albuquerque) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos
O VÔO DA FÊNIX

Efigênia dedicava todos os momentos de sua vida ao marido. Entretanto, não havia reciprocidade. Lourival destinava-lhe pouca ou nenhuma atenção.
O diálogo era raro e monossilábico até nos primeiros meses de casados. Na cama, nada de preliminares. Ele se aproximava sem uma só palavra, jogava seus noventa quilos sobre seu corpo de menina e se satisfazia (satisfazer seria o verbo correto?) rapidamente e sem grande entusiasmo. Vapt-vupt. Ato terminado, obrigação cumprida.
O primeiro encontro íntimo deu-se quando ainda eram namorados. O resultado foi uma gravidez extemporânea e um casório apressado. Ao completarem dois anos de casados, havia duas crianças para cuidarem, ou melhor, para ela cuidar, pois era enorme o desinteresse do esposo pela família.
A vida de Efigênia resumia-se em agradar o marido, meta colocada em primeiro plano, e, depois, dar atenção aos filhos e à casa. Para ela mesma não sobrava tempo, fosse para se tratar, continuar os estudos, trabalhar fora ou ter alguns momentos de lazer.
Ele sempre chegava tarde do trabalho. A igreja protestante que estava freqüentando necessitava de seu apoio e de suas preces, explicava sem maiores detalhes. Inicialmente a jovem achava estranho ele chegar limpo e perfumado do templo, como se tivesse saído do banho. Resolveu, porém, não pensar mais nisso, pois poderia estar sendo injusta com o amado.
Vocês podem imaginar, pelo que acima foi dito, o estado da mulher quando o esposo comunicou-lhe que estava abandonando o lar para viver com sua secretária.
Entrou em depressão. Perdeu o amor pela vida. Deixou os filhos por conta da babá. Seu único amigo passou a ser o cigarro. Torturava-se perguntando a si mesma o que teria feito de errado para ser desprezada e ver terminado o seu casamento.
Para piorar as coisas, a pensão dos filhos estabelecida pelo Juiz, vinte por cento da remuneração do ex-marido, não dava para cobrir as despesas dela e dos meninos. E ainda por cima era calculada sobre salário nominal e fictício, quando a maior parte do que o homem percebia compreendia recursos da caixa dois, sem recibo ou qualquer outro comprovante, visando à redução do imposto de renda.
Efigênia enchia-se de remorso ao pensar que deixou de estudar e fazer carreira em algum trabalho para se dedicar a alguém que a colocou de lado como se o fizesse com um invólucro de uma guloseima qualquer.
Essa situação manteve-se inalterada por vários meses, só se modificando quando sua mãe, com a sabedoria que só a idade propicia, conseguiu convencê-la a sair de seu isolamento.
Então, fechou-se em seu quarto, despiu-se e mirou-se no espelho. Tirante a palidez que os últimos dias de desgosto lhe deram, viu à sua frente uma bela jovem, possuidora de um corpo perfeito, onde os seios e quadris se destacavam.
No dia seguinte, procurou um educandário para lecionar. Tinha de melhorar a renda familiar e a passagem pela escola normal tinha de servir para alguma coisa. Deu sorte, pois precisavam de uma professora para a segunda série.
À noite, penteou-se cuidadosamente e colocou sua melhor roupa. Iria, sozinha, descontrair-se tomando uma cerveja em badalado estabelecimento da cidade onde residia.
Chegou ao bar um pouco encabulada. Nunca tinha estado em um local daquele desacompanhada.
Não ficou só por muito tempo. Um elegante cavalheiro pediu-lhe licença para sentar ao seu lado, já que todas as mesas encontravam-se ocupadas. Não pôde deixar de anuir.
Após a troca de algumas palavras, a conversa entre eles ficou mais descontraída. E da descontração e dois copos de cerveja nasceram galanteios e convites para uma noite a dois.
Efigênia constatou, então, que não era tão desprezível como começara a crer. Percebera, inclusive, olhares interessados de muitos freqüentadores do bar.
Não concordou em passar a noite no apartamento do companheiro de mesa, como proposto. Sabia agora, mais confiante, que poderia seguir, com as próprias pernas, por uma estrada que a conduziria a uma vida melhor e escolher, com mais tempo e tranqüilidade, a companhia que julgasse mais conveniente.




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