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Contos-->O Olhar e a Sala II......Refúgio -- 10/08/2002 - 02:11 (Marli Franco) Siga o Autor Destaque este autor Envie Outros Textos
O olhar surge na sala com a melodia do imprevisto.Surpreendendo alegremente a mobília, na calma costumeira do espaço requintado .
Em uma destas visitas, o olhar agora toma a sala como seu refúgio aconchegante, onde pode livremente mergulhar na essência da escrita.
Na sinfonia do silêncio que embala o recinto,o olhar abre a gaveta agora sua cúmplice que guarda seus segredos. Esconde ainda suas ferramentas amareladas pelo tempo. Que servem para cingir as letras na magia do pensamento.

No meio das tardes de inverno é que o olhar foge para sala .Assiste delirante a preguiçosa dança enamorada da cortina com o vento que de longas datas, vem crescendo o enlevo. Como todo caso clandestino o olhar percebeu o triângulo amoroso deste namoro .Quando faceira a cortina, para suplício do vento alonga sua amizade com o sol ...no doce calor do inverno.

As horas passadas na sala são doces momentos de reclusão deste olhar ,de encontros sublimes com a imaginação que rege o tempo fora de órbita natural.
O tempo que sempre faz suas marcas, assinala suas estórias pintadas nas mil faces da emoção.E neste aconchego da tarde marota, vai passando, envolvendo, acariciando o encontro harmonizado do olhar displicente com os versos da vida nas linhas da prosa e da poesia.

Quando o relógio toca sua badalada , o olhar guarda seus segredos ,dobrados nos papéis amarelados.Coloca para adormecer as ferramentas, na gaveta seu cofre secreto e joga um beijo cúmplice para cortina . Que sabe é chegada a hora de ser fechada a janela ,com seus amores lá fora...até um outro momento da sua visita.

A sala agora já contém uma outra faceta , seu visitante esta mais assíduo a medida que a poesia ou a prosa aprisionam seu coração. A sua fuga fica com intervalos mais curtos a cada dia que passa ele se torna parte da sala; como a mobília ainda que não saiba deste único segredo da estória .
A mobília já se acostumou com seus passos suaves e sabe que o visitante um dia irá tocar com seu olhar outros cantos adormecidos da sala de jantar .E a sala por sua vez irá ainda desvendar o seu olhar além imensidão do seu sonhar.

A porta range no silêncio ...O olhar lança o sorriso costumeiro ...Vai saindo, com os passos leves da promessa que no imprevisto do tempo voltará...
Deixando em seu rastro, agora na sala vazia, com perfume da poesia pairando no ar ....


Entra o vento de surpresa
Quando aberta fica a janela
Abraça ansioso a cortina
Que faceira se entrega na alegria.

Sem preâmbulos a arfar de amor
O vento contorna todos adornos do tecido
Afugenta todos silêncios estagnados
Na melodia do seu infinito desejo.

A cortina sem perceber se solta
Na cadência da suave melodia
Que o vento beija tocando
As dobras do tecido acetinado.

Quando o sol assistindo a tudo ciumento
Acaba infiltrando neste namoro
Se esconde rápido no horizonte
Para que a janela na hora do poente se feche
Separando assim, o vento da amada cortina
Sua única poesia em cada nascer do dia.
Penélope*M*
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