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ANGELA LARA
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EU SOU GAÚCHA, NASCIDA EM PORTO ALEGRE NO DIA 22 DE FEVEREIRO DE 1961, ESCREVO DESDE A ADOLESCÊNCIA E ACREDITO NA POESIA, ASSIM COMO NA VIDA. DEIXEI AQUI, ALGUMAS QUE ME ACOMPANHAM HÁ BASTANTE TEMPO, NO INTUITO DE HOMENAGEÁ-LOS E PARA QUE OS LEITORES E ESCRITORES DO SITE, POSSAM LER TAMBÉM. ESPERO QUE GOSTEM... BEIJO NO CORAÇÃO DE TODOS VOCÊS...

Obra: Canção Para uma Valsa Lenta
Autor: Mário Quintana

Minha vida não foi um romance...
Nunca tive até hoje um segredo.
Se me amas, não digas, que morro
De surpresa... de encanto... de medo...

Minha vida não foi um romance,
Minha vida passou por passar.
Se não amas, não finjas, que vivo
Esperando um amor para amar.

Minha vida não foi um romance...
Pobre vida... passou sem enredo...
Glória a ti que me enches a vida
De surpresa, de encanto, de medo!

Minha vida não foi um romance...
Ai de mim... Já se ia acabar!
Pobre vida que toda depende
De um sorriso... de um gesto... um olhar...


Obra: Valsa
Autor: Pablo Neruda

Eu toco o ódio como peito diurno
Eu sem cessar, de roupa em roupa
Venho dormindo longe.

Não sou, não sirvo, não conheço ninguém,
Não tenho armas de mar nem de madeira,
Não vivo nesta casa.

De noite e água está a minha boca cheia.
A duradoura lua determina
O que não tenho.

O que tenho está no meio das ondas.
Um raio de água, um dia para mim:
Um fundo férreo.

Não há quebra-mar, não há escudo, não há traje,
Não há especial solução insondável,
Nem pálpebra viciosa.

Vivo logo e outras vezes continuo.
Toco logo um rosto e me assassina.
Não tenho tempo.

Não me procureis então percorrendo
Outra vez o habitual fio selvagem ou a
Sangrenta trepadeira.

Não me chameis: minha ocupação é essa.
Não pergunteis meu nome nem meu estado
Deixai-me em meio à minha própria lua,
No meu terreno ferido.


Obra: Tabacaria
Autor: Fernando Pessoa

Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.

Janelas do meu quarto,
Do meu quarto de um dos milhões do mundo que ninguém sabe quem é
(E se soubessem quem é, o que saberiam?),
Dais para o mistério de uma rua cruzada constantemente por gente,
Para uma rua inacessível a todos os pensamentos,
Real, impossivelmente real, certa, desconhecidamente certa,
Com o mistério das coisas por baixo das pedras e dos seres,
Com a morte a pôr umidade nas paredes e cabelos brancos nos homens,
Com o Destino a conduzir a carroça de tudo pela estrada de nada.

Estou hoje vencido, como se soubesse a verdade.
Estou hoje lúcido, como se estivesse para morrer,
E não tivesse mais irmandade com as coisas,
Senão uma despedida, tornando-se esta casa e este lado da rua
A fileira de carruagens de um comboio, e uma partida apitada
De dentro da minha cabeça,
E uma sacudidela dos meus nervos e um ranger de ossos na ida.

Estou hoje perplexo, como quem pensou e achou e esqueceu.
Estou hoje dividido entre a lealdade que devo
À Tabacaria do outro lado da rua, como coisa real por fora,
E à sensação de que tudo é sonho, como coisa real por dentro.

Falhei em tudo.

Como não fiz propósito nenhum, talvez tudo fosse nada.
A aprendizagem que me deram,
Desci dela pela janela das traseiras da casa.
Fui até ao campo com grandes propósitos.
Mas lá encontrei só ervas e árvores.
E quando havia gente era igual à outra.
Saio da janela, sento-me numa cadeira. Em que hei de pensar?

Que sei eu do que serei, eu que não sei o que sou?
Ser o que penso? Mas penso ser tanta coisa!
E há tantos que pensam ser a mesma coisa que não pode haver tantos!
Gênio? Neste momento
Cem mil cérebros se concebem em sonho gênios como eu,
E a história não marcará, quem sabe?, nem um,
Nem haverá senão estrume de tantas conquistas futuras.
Não, não creio em mim.
Em todos os manicômios há doidos malucos com tantas certezas!
Eu, que não tenho nenhuma certeza, sou mais certo ou menos certo?

Não, nem em mim...
Em quantas mansardas e não mansardas do mundo
Não estão nesta hora gênios-para-si-mesmos sonhando?
Quantas aspirações altas e nobres e lúcidas –
Sim, verdadeiramente altas e nobres e lúcidas –

E quem sabe se realizáveis,
Nunca verão a luz do sol real nem acharão ouvidos de gente?
O mundo é para quem nasce para o conquistar
E não para quem sonha.



Obra: Gaia
Autora: Bruna Lombardi

Você sabe como eu sou desocupada
que me encerro neste quarto e me permito
todas as divagações, as fantasias
obsessões, perseguições, todos os dias
você sabe que eu me viro de inventos
que eu me reparto e dou crias
que eu mal me resolvo e me agüento
carrego pedras no bolso
e enfrento ventanias.

Você sabe como eu sou desorientada
raciocino pelo instinto e cometo
fugas de túnel de ladra de galeria
uso malhas e madras manhas e lanhas
e percorro superfícies
em que você escorregaria

mas você sabe como eu sou de subsolos
de subterfúgios, de subversos subliminares
como eu sou de submundos
subterrâneos, de sub-reptícias folias
meio de circo, meio de farsa
ervas, panfletos, fluidos, presságios
quebrantos, jeitos, giras, reviras
de sensações e cismas, filosofias
de como eu sou de estradas, andanças, pressentimentos
atmosférica e vadia
gato da noite, de crises, guitarras
ouros e danças e circunstâncias
de vinho azedo e companhia.

Que eu sou de todas as misturas
todas as formas e sintonias
e enfrento esse aperto, essas normas
forças, pressões, imposições, o poderio
os intervalos, o silencio da maioria.

Você sabe de toda minha luta
mesmo quando a intenção silencia
que eu não cedo, não desisto
a todo custo, a toda faca, a todo risco
eu sobrevivo de paixão e de anarquia.

Você sabe bem da minha fraude
Você conhece as minhas alquimias.

Obra: Metade
Autor: Osvaldo Montenegro

E que a força do medo que eu tenho
Não me impeça de ver o que anseio
Que a morte de tudo que acredito
Não me tape os ouvidos e a boca
Porque metade de mim é o que eu grito
Mas a outra metade é o silêncio.
Que a música que eu ouço ao longe
Seja linda, ainda que triste
Que o homem que eu amo
Seja para sempre amado
Mesmo que distante
Porque a metade de mim é partida
E a outra metade é saudade
Que as palavras que eu falo
Não sejam preces
Nem repetidas com fervor, apenas respeitadas
Como a única coisa
Que resta a uma mulher inundada de sentimento
Porque a metade de mim é o que ou ouço
Mas a outra metade é o que calo
Que essa minha vontade de ir embora
Se transforme na calma
E na paz que eu mereço
Que essa tensão que me corrói por dentro
Seja um dia recompensada
Porque metade de mim é o que penso
E a outra metade é vulcão
Que o medo da solidão se afaste
Que conviver comigo mesma
Se torne ao menos suportável
Que o espelho reflita em meu rosto
Um doce sorriso
Que me lembro ter dado na infância
Porque metade de mim é a lembrança do que fui
E a outra metade, não sei
Que não seja preciso
Mais do que uma simples alegria
Para me fazer aquietar o espírito
E o que o teu silêncio
Me fale cada vez mais
Porque metade de mim é abrigo
Mas a outra metade é cansaço
Que a arte nos aponte um resposta
Mesmo que eu não saiba
E que ninguém a tente complicar
Porque é preciso simplicidade
P´ra fazê-la florescer
Porque metade é a platéia
E a outra metade é canção
E que a minha loucura seja perdoada
Porque metade de mim é amor
E a outra metade...
T A M B É M

Obra: Lua Adversa
Autora: Cecília Mereles

Tenho fases,
como a lua Fases
de andar escondida,
fases de vir para a rua...
Perdição da minha vida !
Perdição da vida minha !
Tenho fases de ser tua,
tenho outras de ser sozinha.
Fases que vão e que vêm,
no secreto calendário
que um astrólogo arbitrário
inventou para meu uso.
E roda a melancolia
seu interminável fuso !
Não me encontro com ninguém
(tenho fases, como a lua ...)
No dia de alguém ser meu
não é dia de eu ser sua ...
E, quando chega esse dia,
o outro desapareceu ...





















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